Banca de DEFESA: MICKELLY EVELIN RIBEIRO DA SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MICKELLY EVELIN RIBEIRO DA SILVA
DATA : 10/08/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO:

NEURONUTRIÇÃO COM RESVERATROL NO MODELO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) INDUZIDO POR ÁCIDO VALPROICO: INVESTIGAÇÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO SOMÁTICO E A EXPRESSÃO COMPORTAMENTAL EM PROLE DE RATOS


PALAVRAS-CHAVES:

transtorno do neurodesenvolvimento; VPA; sistema serotoninérgico; polifenóis; neuroproteção.


PÁGINAS: 131
RESUMO:

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits sociocomunicativos e comportamentos estereotipados. Por possuir origem multifatorial, as influências ambientais em janelas críticas do desenvolvimento inicial são determinantes para a sua manifestação, num processo de plasticidade fenotípica. Um exemplo claro dessa vulnerabilidade é o risco associado à exposição gestacional ao ácido valproico (VPA). Essa correlação fundamenta modelos em roedores que replicam, na prole, as disfunções típicas do TEA, embasando diretamente os sintomas clínicos. Portanto, este estudo visou avaliar o impacto do resveratrol (RSV) sobre os parâmetros murinométricos e o perfil comportamental em modelo experimental de TEA. O projeto foi aprovado pela Comissão de Ética para Uso de Animais Experimentais (CEUA) da UFPE (Processo n° 0069/2025). A indução do autismo ocorreu através da administração de VPA no 12,5° de gestação. Após o desmame, no 22° dia pós natal (DPN), foram estabelecidos os seguintes subgrupos: Salina gestacional + Ingênuo pós-desmame (Grupo SAL-C, n=5); VPA gestacional + Ingênuo (Grupo VPA-C, n=5); Salina gestacional + Resveratrol pós-desmame (Grupo SAL-R, n= 5); VPA gestacional + Resveratrol pós-desmame (Grupo VPA-R, n= 5). Foram avaliados o peso corporal, IMC, Índice de Lee, medidas murinométricas, os parâmetros comportamentais nos testes de campo aberto, três câmaras e enterramento de esferas na prole jovem (23°-25° DPN) e adulta (56°-58° DPN). O peso corporal na lactação foi superior no grupo VPA apenas no DPN1, sem diferenças nos demais dias (VPA = 8,48 ± 0,26 vs C=7,43 ± 0,30, n=5). O índice de Lee não apresentou diferenças entre os grupos. As intervenções não alteraram significativamente o peso corporal dos animais aos 30, 40 e 50 DPN. Apesar de um efeito isolado da intervenção no eixo anteroposterior do crânio [F (1, 8) = 5,18; p=0,05], o pós-teste não revelou diferenças significativas entre os grupos em nenhuma das medidas murinométricas avaliadas durante a lactação (eixos cranianos latero-lateral e anteroposterior, comprimentos nasoanal e da cauda, e circunferências abdominal e torácica). No teste de três câmaras, a prole jovem do grupo VPA apresentou maior tempo social (VPA=433,6 ± 7,65 vs C=404,1 ± 18,1; p=0,01), maior índice de sociabilidade (VPA=0,70 ± 0,02 vs C=0,66 ± 0,04; p=0,03) e menor latência para interação social (VPA=12,18 ± 2,96 vs C=26,90 ± 3,54; p=0,005). As demais variáveis não diferiram. Na prole adulta, observou-se interação no tempo não social [F(1,31) = 10,48; p=0,002], sendo este menor no grupo VPA-R (VPA-R=132,0 ± 15,96 vs SAL-R=195,9 ± 20,85; p=0,02). A latência para interação social também demonstrou interação [F(1,27) = 7,715; p=0,009], com redução no grupo VPA-R (VPA-R=10 ± 1,68 vs VPA-C=22 ± 2,8; p=0,003) e aumento no SAL-R (SAL-R=22,56 ± 3,06 vs SAL-C=18,71 ± 3,53; p=0,01). Não houve diferenças significativas entre os grupos experimentais para as demais métricas avaliadas nesta fase. No teste de enterrar esferas, aos 25 dias, não houve diferença no número de esferas enterradas, mas o grupo VPA apresentou maior número de peletes fecais em relação ao controle (VPA=1,08 ± 0,53 vs C=0,36 ± 0,21; p<0,0001). Na prole adulta (DPN56), houve interação no número de esferas enterradas tanto para a indução [F(1, 34) = 8,257; p=0,006] quanto para o tratamento [F(1, 34) = 4,67; p=0,03], observando-se redução no grupo tratado com resveratrol (VPA-R=6,97 ± 0,45 vs VPA-C=8,27 ± 0,23). O número de peletes fecais na fase adulta não apresentou diferenças entre os grupos. Embora as intervenções não tenham alterado o desenvolvimento físico dos animais, o tratamento com RSV apresentou um efeito positivo sobre as disfunções comportamentais na fase adulta. A substância mitigou a rigidez comportamental e facilitou a sociabilidade, destacando-se como uma promissora estratégia neuroprotetora no TEA.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - FERNANDA CAROLINA RIBEIRO DIAS
Presidente - 2062533 - ISABELI LINS PINHEIRO
Externa ao Programa - 1349835 - MANUELA FIGUEIROA LYRA DE FREITAS - null
Notícia cadastrada em: 07/08/2026 15:35
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