Banca de DEFESA: PRISCILA RIBEIRO SOARES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: PRISCILA RIBEIRO SOARES
DATA : 24/07/2026
HORA: 14:00
LOCAL: A definir
TÍTULO:

“MORAR NO IBURA É RESISTIR”: UMA ANÁLISE DA ESTRUTURA RACIALIZADA NA CONSTRUÇÃO DO BAIRRO


PALAVRAS-CHAVES:

Racismo ambiental. Justiça socioambiental. Gênero. Ibura. Resistência comunitária.


PÁGINAS: 123
RESUMO:

Esta dissertação analisa as experiências vividas por mulheres integrantes do Coletivo Horta Comunitária Mãos de Milagres, localizado no bairro do Ibura, Recife (PE), diante das desigualdades socioambientais e dos eventos climáticos extremos. Partindo da compreensão de que os impactos ambientais são distribuídos de forma desigual no espaço urbano, a pesquisa investiga como raça, gênero e território se articulam na produção de vulnerabilidades e na construção de estratégias coletivas de resistência. O estudo fundamenta-se nos debates sobre justiça socioambiental, racismo ambiental, interseccionalidade e corpo-território, compreendendo que as condições de exposição aos riscos ambientais refletem processos históricos de segregação socioespacial e de negação de direitos a populações periféricas. Trata- se de uma pesquisa qualitativa de abordagem fenomenológica, desenvolvida por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com mulheres participantes do Coletivo Horta Comunitária Mãos de Milagres. A análise buscou compreender os significados atribuídos pelas participantes às suas experiências no território, considerando suas percepções, memórias, sentimentos e formas de enfrentamento das adversidades socioambientais presentes no cotidiano. Os resultados evidenciam que as mulheres vivenciam múltiplas vulnerabilidades associadas à precariedade da infraestrutura urbana, à insuficiência de saneamento básico, ao abastecimento irregular de água e à recorrente exposição aos impactos das chuvas intensas e dos alagamentos. As narrativas revelam que essas experiências produzem inseguranças materiais e emocionais, afetando as formas de habitar e perceber o território. Contudo, o estudo demonstra que tais mulheres não se constituem apenas como sujeitas afetadas pelas desigualdades estruturais. As experiências compartilhadas evidenciam a construção de redes de solidariedade, práticas de cuidado e formas coletivas de organização comunitária que fortalecem a capacidade de enfrentamento das adversidades e contribuem para a permanência digna no território. Nesse contexto, o Coletivo Horta Comunitária Mãos de Milagres destaca- se como uma experiência significativa de resistência socioambiental, promovendo segurança alimentar, fortalecimento dos vínculos comunitários, valorização dos saberes locais e ampliação do protagonismo feminino. Conclui-se que o racismo ambiental constitui elemento central para compreender a distribuição desigual das vulnerabilidades socioambientais no Ibura, incidindo de forma mais intensa sobre mulheres negras periféricas. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia que essas mulheres produzem estratégias de resistência e transformação social que desafiam as estruturas de exclusão historicamente construídas. Como contribuição, o estudo fortalece as discussões no campo dos Direitos Humanos ao reconhecer as experiências e os saberes das mulheres periféricas como fundamentais para a compreensão e o enfrentamento das injustiças socioambientais em contextos urbanos.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1672788 - ANA MARIA DE BARROS
Externo à Instituição - DANIEL SEBASTIAN GRADA HENAO - UFGD
Presidente - ***.952.964-** - VERONICA MARIA BEZERRA GUIMARAES - UFGD
Notícia cadastrada em: 02/07/2026 11:51
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