REVISITANDO A ARQUEOLOGIA POTIGUAR: A CERAMICA DO SITIO LAGOA DE GUARAIRAS, SENADOR GEORGINO AVALINO, RIO GRANDE DO NORTE
Cerâmica Arqueológica; Lagoa de Guaraíra; Papeba; Análise Tecnológica; Populações Originárias.
O sítio arqueológico da Lagoa de Guaraíras, localizado em Senador
Georgino Avelino, Rio Grande do Norte é um importante testemunho
de práticas de disposição e mobilidade dos povos originários do
território, bem como seus aspectos tecnológicos e cotidianos. Apesar
das diversas pesquisas realizadas nos sítios arqueológicos dessa região,
ainda não existe um consenso sobre a filiação cultural da tecnologia
cerâmica utilizada por esses grupos, assim como sobre a cronologia de
ocupação nessa área. Nesse sentido, questiona-se quem produziu a
cerâmica Papeba, foram os grupos filiados a Tradição Aratu ou grupos
diferentes, ainda não identificado pelos arqueólogos da região. Quais
os marcadores que poderiam ser indicados para estabelecer as
distintas tecnologias nessa área? Trabalha-se com a hipótese de que a
referida cerâmica poderia pertencer a povos originários ainda não
catalogados pelas pesquisas arqueológicas. Desta forma, o objetivo
dessa pesquisa é caracterizar o perfil técnico cerâmico do sítio Lagoa
de Guaraíras e identificar os seus marcadores tecnotipológicos.
Considerando seu contexto arqueológico, histórico e ambiental.
Verifica-se uma predominância de artefatos utilitários, com técnicas de
manufatura acordelada e um foco na funcionalidade, em detrimento
da estética. A pesquisa identificou características que se aproximam da
cerâmica da fase Papeba e Tradição Aratu, embora a ausência de
elementos diagnósticos típicos da segunda tradição sugira a associação
com a referida. A cerâmica da Lagoa de Guaraíras reflete uma
complexidade cultural, evidenciando a interação entre diferentes
grupos indígenas e suas práticas. A pesquisa ressalta a importância de
novas investigações e comparações mais amplas para aprofundar a
compreensão das dinâmicas sociais e culturais das populações
originárias do Rio Grande do Norte, reconhecendo que a arqueologia é
um campo em constante evolução, repleto de lacunas e desafios.