EVIDÊNCIAS ACERCA DA SAÚDE BUCAL INDIVIDUAL E COLETIVA A PARTIR DA ARQUEOLOGIA NO SÍTIO CEMITÉRIO DO PILAR-PE
Arqueologia. Patologias dentárias. Remanescentes humanos. Sítio do Pilar. Recife holandês.
Este estudo examina aspectos da saúde bucal por meio da análise de
patologias esqueléticas e dentárias identificadas em remanescentes
humanos do sítio cemiterial do Pilar (Pernambuco, Brasil), datado do
período do Recife holandês no século XVII (1630–1654). A pesquisa tem
como objetivo investigar patologias ósseas e dentárias a fim de
compreender padrões de saúde bucal, má higiene oral e possíveis
práticas culturais associadas às populações neerlandesas que habitaram
a região. O estudo baseia-se na análise macroscópica de indivíduos
provenientes de 13 sepultamentos do sítio arqueológico.
Metodologicamente, a pesquisa segue critérios estabelecidos por Smith
(1984), Hillson (2005) e Brothwell (1987), com foco na identificação de
lesões cariosas, cálculo dentário supragengival e subgengival, defeitos
no esmalte (incluindo hipoplasia e hipomineralização), perda dentária
antemortem e post-mortem, reabsorção alveolar e desgaste
dentário. Essas variáveis foram quantificadas e interpretadas
dentro de um referencial arqueológico e histórico. Os resultados
indicam alta prevalência de cálculo dentário, sugerindo má higiene bucal
entre os indivíduos analisados. Em contrapartida, a baixa frequência de
lesões cariosas aponta para padrões alimentares com baixo potencial
cariogênico. Evidências de doença periodontal foram observadas em
alguns indivíduos, assim como desgaste dentário significativo, indicando
o uso da dentição em atividades extra mastigatórias. Além disso, foram
identificados indícios de extração dentária antemortem. De modo geral,
os achados contribuem para a reconstrução das condições de saúde,
hábitos alimentares e práticas culturais da população associada ao sítio
do Pilar, oferecendo insights sobre o cotidiano e as condições de vida
durante a ocupação holandesa em Pernambuco.