PPGBA PROGRAMA DE POS-GRADUACAO EM BIOLOGIA ANIMAL - CB DEPARTAMENTO DE ZOOLOGIA - CB Telefone/Ramal: (81) 98164-1131
Dissertações/Teses

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2022
Dissertações
1
  • BRUNO YURI FRANCOLINO
  • AVALIAÇÃO DE CURTO PRAZO DOS EFEITOS LETAIS E SUBLETAIS DA ATRAZINA SOBRE O NEMATOIDE MARINHO DE VIDA-LIVRE LITODITIS MARINA (BASTIAN, 1865) SUDHAUS, 2011 (RHABDITIDA: RHABDITIDAE)

  • Orientador : GIOVANNI AMADEU PAIVA DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROSEMBERG FERNANDES DE MENEZES
  • LEONARDO FERNANDES FRACETO
  • GIOVANNI AMADEU PAIVA DOS SANTOS
  • PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • Data: 16/02/2022

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  • Os herbicidas organoclorados são amplamente utilizados por diversos países apesar de possuirem propriedades tóxicas para muitos organismos e de sua alta persistência ambiental em águas e sedimentos. Além disso, o impacto dos agrotóxicos e da interação dos mesmos com outros fatores ambientais, podem culminar agravando a toxicidade desses compostos. Com intuito de avaliar adequadamente os efeitos dos contaminantes ao longo dos níveis tróficos em comunidades aquáticas, as respostas de diferentes organismos modelo devem ser investigadas. Particularmente para ambientes bentônicos marinhos, poucos organismos modelo estão disponíveis para a avaliação em condições laboratoriais de efeitos letais e subletais. Dentre os agrotóxicos existentes, o herbicida atrazina é bastante utilizado em diversas culturas anuais e perenes ao redor do mundo. Este herbicida atinge facilmente os lençóis freáticos através da lixiviação e apresenta também um alto potencial de escoamento superficial, sendo facilmente carreado do solo pelas águas, podendo atingir ambientes aquáticos e consequentemente causar efeitos tóxicos em diferentes níveis da fauna. Neste trabalho foi investigado o uso de duas espécies crípticas do nematoide de vida-livre Litoditis marina, como organismo modelo para testes de curto prazo dos impactos do herbicida atrazina sobre parâmetros populacionais e de história de vida de L. marina PmIII, e foi averiguado os efeitos da interação entre o herbicida atrazina e variação de salinidade sobre a sobrevivência de L. marina PmII.


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  • Os herbicidas organoclorados são amplamente utilizados por diversos países apesar de possuirem propriedades tóxicas para muitos organismos e de sua alta persistência ambiental em águas e sedimentos. Além disso, o impacto dos agrotóxicos e da interação dos mesmos com outros fatores ambientais, podem culminar agravando a toxicidade desses compostos. Com intuito de avaliar adequadamente os efeitos dos contaminantes ao longo dos níveis tróficos em comunidades aquáticas, as respostas de diferentes organismos modelo devem ser investigadas. Particularmente para ambientes bentônicos marinhos, poucos organismos modelo estão disponíveis para a avaliação em condições laboratoriais de efeitos letais e subletais. Dentre os agrotóxicos existentes, o herbicida atrazina é bastante utilizado em diversas culturas anuais e perenes ao redor do mundo. Este herbicida atinge facilmente os lençóis freáticos através da lixiviação e apresenta também um alto potencial de escoamento superficial, sendo facilmente carreado do solo pelas águas, podendo atingir ambientes aquáticos e consequentemente causar efeitos tóxicos em diferentes níveis da fauna. Neste trabalho foi investigado o uso de duas espécies crípticas do nematoide de vida-livre Litoditis marina, como organismo modelo para testes de curto prazo dos impactos do herbicida atrazina sobre parâmetros populacionais e de história de vida de L. marina PmIII, e foi averiguado os efeitos da interação entre o herbicida atrazina e variação de salinidade sobre a sobrevivência de L. marina PmII.

2
  • JOSE GUILHERME ALVES DA SILVA JUNIOR
  • Ecologia trófica de Palythoa caribaeorum e Zoanthus sociatus   (Cnidaria:Zoantharia): Uma abordagem metagenômica

  • Orientador : CARLOS DANIEL PEREZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA EDUARDA ALVES SANTOS
  • SONIA CRISTINA DA SILVA ANDRADE
  • CARLOS DANIEL PEREZ
  • RALF SCHWAMBORN
  • Data: 21/02/2022

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  • A ordem Zoantharia compreende um grupo monofilético de cnidários bentônicos com distribuição cosmopolita, presente em todos os oceanos, desde a região entre marés até seis mil metros de profundidade. Zoantídeos participam de diversas relações ecológicas importantes no ecossistema marinho, entre elas, a epibiose com diversos invertebrados, e a transferência de energia entre o domínio plânctonico e pelágico. Apesar de sua importância poucos estudos tiveram como objetivo de investigar a alimentação das espécies de zoantídeos tropicais, aqui, nesta dissertação de dois capítulos nos propomos a (1) identificar o papel da matéria orgânica particulada (MOP) na alimentação de Palythoa caribaeorum e Zoanthus sociatus e (2) Utilizar a metagenômica como ferramenta para identificar possíveis presas de P. caribaeorum. Para cumprir o objetivo do primeiro capítulo coletamos indivíduos de P. caribaeorum e Z. sociatus na praia de Serrambi em Pernambuco em quatro horários diferentes, no laboratório dissecamos cerca de 30 pólipos de cada espécie em cada horário. Identificamos as presas em três grupos distintos: Fitoplâncton, Zooplâncton e MOP. Em ambas as espécies observamos que o grupo mais dominante na alimentação é o fitoplâncton seguido de MOP e por último o zooplâncton. Observamos também um pico alimentar nas marés mais altas. No segundo capítulo coletamos colônias de P. caribaeorum em três horários diferentes na praia de Serrambi e também Porto de Galinhas. Dissecamos 10 pólipos das três amostragens e lavamos as cavidades gástricas dos mesmos. O produto das lavagens foram unificados de modo em que cada praia possuía um pool de amostras dos diferentes horários. A técnica usada para o sequenciamento foi a Whole genome shoutgunNo sequenciamento obtivemos sequências de diferentes grupos de Bacteria, Archaea e Eukaryota. Entre os Eukaryotas o grupo mais abundante foram os cnidários, mas grupos como Arthropoda, Echinodermata e Nematoda também mostraram uma quantidade significativa de sequências. Obtivemos também sequencias de presas já listadas na literatura como clorofíceas e cianobactérias. Mas também verificamos novos registros de alimentação para a espécie através de sequências de mamíferos e anuros. A presença da matéria orgânica particulada bem como os novos registros de alimentação obtidos através da WGS reforça uma alimentação pouco seletiva de P. caribaeorum e levantam uma hipótese de que zoantídeos tropicais atuam como conectores entre diferentes ecossistemas.


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  • A ordem Zoantharia compreende um grupo monofilético de cnidários bentônicos com distribuição cosmopolita, presente em todos os oceanos, desde a região entre marés até seis mil metros de profundidade. Zoantídeos participam de diversas relações ecológicas importantes no ecossistema marinho, entre elas, a epibiose com diversos invertebrados, e a transferência de energia entre o domínio plânctonico e pelágico. Apesar de sua importância poucos estudos tiveram como objetivo de investigar a alimentação das espécies de zoantídeos tropicais, aqui, nesta dissertação de dois capítulos nos propomos a (1) identificar o papel da matéria orgânica particulada (MOP) na alimentação de Palythoa caribaeorum e Zoanthus sociatus e (2) Utilizar a metagenômica como ferramenta para identificar possíveis presas de P. caribaeorum. Para cumprir o objetivo do primeiro capítulo coletamos indivíduos de P. caribaeorum e Z. sociatus na praia de Serrambi em Pernambuco em quatro horários diferentes, no laboratório dissecamos cerca de 30 pólipos de cada espécie em cada horário. Identificamos as presas em três grupos distintos: Fitoplâncton, Zooplâncton e MOP. Em ambas as espécies observamos que o grupo mais dominante na alimentação é o fitoplâncton seguido de MOP e por último o zooplâncton. Observamos também um pico alimentar nas marés mais altas. No segundo capítulo coletamos colônias de P. caribaeorum em três horários diferentes na praia de Serrambi e também Porto de Galinhas. Dissecamos 10 pólipos das três amostragens e lavamos as cavidades gástricas dos mesmos. O produto das lavagens foram unificados de modo em que cada praia possuía um pool de amostras dos diferentes horários. A técnica usada para o sequenciamento foi a Whole genome shoutgunNo sequenciamento obtivemos sequências de diferentes grupos de Bacteria, Archaea e Eukaryota. Entre os Eukaryotas o grupo mais abundante foram os cnidários, mas grupos como Arthropoda, Echinodermata e Nematoda também mostraram uma quantidade significativa de sequências. Obtivemos também sequencias de presas já listadas na literatura como clorofíceas e cianobactérias. Mas também verificamos novos registros de alimentação para a espécie através de sequências de mamíferos e anuros. A presença da matéria orgânica particulada bem como os novos registros de alimentação obtidos através da WGS reforça uma alimentação pouco seletiva de P. caribaeorum e levantam uma hipótese de que zoantídeos tropicais atuam como conectores entre diferentes ecossistemas.

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  • DEMETRIOS LUCAS DA SILVA
  • Diagnóstico e monitoramento do rio Goiana (PE-Brasil), por parâmetros de danificação genômica, após acidente ambiental

  • Orientador : MONICA LUCIA ADAM
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CHRISTINA BRASILEIRO VIDAL
  • DENIS MOLEDO DE SOUZA ABESSA
  • MONICA LUCIA ADAM
  • PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • Data: 22/02/2022

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  • A conservação de ambientes aquáticos é de extrema importância nos dias atuais, não apenas pela preservação da água que é um recurso limitado e de extrema importância para a sobrevivência na terra, mas também pela preservação dos organismos presentes nestes ambientes. O rio Goiana está localizado na mata norte do estado de Pernambuco, dentro de uma área de preservação ambiental do tipo estuarina, de onde pescadores locais retiram alimento e utilizam os recursos do rio como alimento. Em 2018, ocorreu um derramamento de vinhoto no leito do rio Goiana, ocasionando a mortandade dos peixes e causando um grande desequilíbrio ambiental. Quatro dias após o acidente, foram coletadas amostras teciduais (fígado e brânquias) de Gobioides broussonnetii, as quais foram analisadas histopatologicamente. Três dias após esta coleta também foram coletados espécimes Aspistor luniscutis, Centropomus sp e Achirus lineatus dos quais foram também extraídas amostras de tecidos hepáticos e branquiais e amostras de sangue para análises histopatológicas e genotóxicas, respectivamente. Amostras sanguíneas de Aspistor luniscutis, foram sistematicamente coletadas durante um período de dois anos (2018 a 2020), para quantificação de células micronucleadas (MN), e anormalidades nucleares (AN), também correlacionando os índices pluviométricos e as temperaturas mensais às frequências de células micronucleadas e com alterações morfológicas nucleares. Tanto o diagnóstico histopatológico quanto o genotóxico dos animais coletados logo após o acidente com o vinhoto evidenciaram o alto impacto desta substância despejada no leito do rio. Os resultados do monitoramento mostraram um alto impacto no ambiente do rio Goiana no ano de 2018, com elevados níveis de células micronucleadas e anormalidades nucleares, indicando alta taxa de perturbação no ambiente decorrente do derramamento do vinhoto, onde o efeito dessa poluição perdurou no ambiente durante um ano, afetando de forma direta a comunidade ribeirinha. O evento ocorrido no rio Goiana trouxe riscos ao ambiente e à comunidade local, trazendo à tona a importância do monitoramento de áreas protegidas e a eficiência do uso dos danos genômicos como ferramenta de biomonitoramento ambiental.


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  • A conservação de ambientes aquáticos é de extrema importância nos dias atuais, não apenas pela preservação da água que é um recurso limitado e de extrema importância para a sobrevivência na terra, mas também pela preservação dos organismos presentes nestes ambientes. O rio Goiana está localizado na mata norte do estado de Pernambuco, dentro de uma área de preservação ambiental do tipo estuarina, de onde pescadores locais retiram alimento e utilizam os recursos do rio como alimento. Em 2018, ocorreu um derramamento de vinhoto no leito do rio Goiana, ocasionando a mortandade dos peixes e causando um grande desequilíbrio ambiental. Quatro dias após o acidente, foram coletadas amostras teciduais (fígado e brânquias) de Gobioides broussonnetii, as quais foram analisadas histopatologicamente. Três dias após esta coleta também foram coletados espécimes Aspistor luniscutis, Centropomus sp e Achirus lineatus dos quais foram também extraídas amostras de tecidos hepáticos e branquiais e amostras de sangue para análises histopatológicas e genotóxicas, respectivamente. Amostras sanguíneas de Aspistor luniscutis, foram sistematicamente coletadas durante um período de dois anos (2018 a 2020), para quantificação de células micronucleadas (MN), e anormalidades nucleares (AN), também correlacionando os índices pluviométricos e as temperaturas mensais às frequências de células micronucleadas e com alterações morfológicas nucleares. Tanto o diagnóstico histopatológico quanto o genotóxico dos animais coletados logo após o acidente com o vinhoto evidenciaram o alto impacto desta substância despejada no leito do rio. Os resultados do monitoramento mostraram um alto impacto no ambiente do rio Goiana no ano de 2018, com elevados níveis de células micronucleadas e anormalidades nucleares, indicando alta taxa de perturbação no ambiente decorrente do derramamento do vinhoto, onde o efeito dessa poluição perdurou no ambiente durante um ano, afetando de forma direta a comunidade ribeirinha. O evento ocorrido no rio Goiana trouxe riscos ao ambiente e à comunidade local, trazendo à tona a importância do monitoramento de áreas protegidas e a eficiência do uso dos danos genômicos como ferramenta de biomonitoramento ambiental.

4
  • CLAUDIO ANTONIO DE MOURA PEREIRA
  • DIVERSIDADE E ESTRUTURA GENÉTICA DO DOURADO (CORYPHAENA HIPPURUS: PERCIFORMES, CORYPHAENIDAE) DA COSTA BRASILEIRA E AS IMPLICAÇÕES NA CONSERVAÇÃO DE UM RECURSO PESQUEIRO NO MUNDO

  • Orientador : MONICA LUCIA ADAM
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SILVIA HELENA SOFIA
  • JOANA ISABEL ESPIRITO SANTO ROBALO
  • MONICA LUCIA ADAM
  • ROSANGELA PAULA TEIXEIRA LESSA
  • Data: 23/02/2022

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  • Além do fluxo gênico, a composição genética (em termos de diversidade e estrutura) de populações de peixes marinhos podem ser influenciadas também pela pesca, cujas reduções populacionais podem intensificar processos como endogamia, deriva genética, e perda de plasticidade fenotípica pela diminuição do potencial evolutivo. Coryphaena hippurus (dourado) é uma espécie de peixe que possui características biológicas interessantes como o fato de ser excelente migradora,e ser predadora de topo. A espécie tem ainda importância econômica, figurando como um importante recurso pesqueiro a nível mundial. Nos últimos 60 anos, os índices de pesca global têm reportado um aumento de sete ordens de magnitude na captura de dourados, indo de 25 mil toneladas anuais no primeiro reporte a 255 mil toneladas no mais recente feito no ano de 2014. Nos últimos 10 anos diversos pesquisadores ao longo do mundo têm buscado elevar o conhecimento quanto à diversidade e estrutura genética deste importante recurso pesqueiro utilizando geralmente o marcador molecular mitocondrial NADH1 (Nad Desidrogenase Sub-unidade 1). Apesar de figurar como um importante recurso pesqueiro a nível global, não há um panorama sobre a diversidade (potencial evolutivo) e estrutura genética de Coryphaena hippurus na costa brasileira. Além disso, é desconhecido o papel histórico de conexão do estoque brasileiro frente aos estoques genéticos de outras já bem conhecidas bacias oceânicas mundo afora. De maneira geral, nossos resultados revelaram valores de diversidade genética variando de moderados a altos, sugerindo que a espécie não reflete os possíveis efeitos deletérios causados pela atividade pesqueira, possivelmente atenuados pela sua fisiologia. Além disso, as variações na temperatura da água e nível do mar durante o Pleistoceno parecem ter tido papel de destaque na distribuição e conectividade das populações de dourados em toda a sua amplitude geográfica. Ademais, nossos dados apontam para a presença de uma população panmítica de C. hippurus em toda a costa brasileira, e que esta representa um estoque único e geneticamente distinto de outras populações da espécie situadas na porção superior do Oceano Atlântico, Pacífico e Mediterrâneo, sendo este último o mais divergente. Perante um cenário de aumento da exploração da espécie, tais informações poderão ser utilizadas como norteadoras de programas de exploração sustentável a nível nacional e mundial deste importante recurso.

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  • Além do fluxo gênico, a composição genética (em termos de diversidade e estrutura) de populações de peixes marinhos podem ser influenciadas também pela pesca, cujas reduções populacionais podem intensificar processos como endogamia, deriva genética, e perda de plasticidade fenotípica pela diminuição do potencial evolutivo. Coryphaena hippurus (dourado) é uma espécie de peixe que possui características biológicas interessantes como o fato de ser excelente migradora,e ser predadora de topo. A espécie tem ainda importância econômica, figurando como um importante recurso pesqueiro a nível mundial. Nos últimos 60 anos, os índices de pesca global têm reportado um aumento de sete ordens de magnitude na captura de dourados, indo de 25 mil toneladas anuais no primeiro reporte a 255 mil toneladas no mais recente feito no ano de 2014. Nos últimos 10 anos diversos pesquisadores ao longo do mundo têm buscado elevar o conhecimento quanto à diversidade e estrutura genética deste importante recurso pesqueiro utilizando geralmente o marcador molecular mitocondrial NADH1 (Nad Desidrogenase Sub-unidade 1). Apesar de figurar como um importante recurso pesqueiro a nível global, não há um panorama sobre a diversidade (potencial evolutivo) e estrutura genética de Coryphaena hippurus na costa brasileira. Além disso, é desconhecido o papel histórico de conexão do estoque brasileiro frente aos estoques genéticos de outras já bem conhecidas bacias oceânicas mundo afora. De maneira geral, nossos resultados revelaram valores de diversidade genética variando de moderados a altos, sugerindo que a espécie não reflete os possíveis efeitos deletérios causados pela atividade pesqueira, possivelmente atenuados pela sua fisiologia. Além disso, as variações na temperatura da água e nível do mar durante o Pleistoceno parecem ter tido papel de destaque na distribuição e conectividade das populações de dourados em toda a sua amplitude geográfica. Ademais, nossos dados apontam para a presença de uma população panmítica de C. hippurus em toda a costa brasileira, e que esta representa um estoque único e geneticamente distinto de outras populações da espécie situadas na porção superior do Oceano Atlântico, Pacífico e Mediterrâneo, sendo este último o mais divergente. Perante um cenário de aumento da exploração da espécie, tais informações poderão ser utilizadas como norteadoras de programas de exploração sustentável a nível nacional e mundial deste importante recurso.
5
  • FRANCISCO DAS CHAGAS SILVA NETO
  • Evolução e diversificação morfológica na mandíbula de marsupiais didelfídeos

  • Orientador : DIEGO ASTUA DE MORAES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • RAFAELA VELLOSO MISSAGIA
  • DIEGO ASTUA DE MORAES
  • Data: 23/02/2022

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  • Os marsupiais didelfídeos são considerados um grupo morfologicamente não especializado com uma dieta generalista, que inclui vertebrados, invertebrados e matéria vegetal. Enquanto a variação da forma do crânio e da escápula na família já foi analisada em estudos anteriores, a variação da forma da mandíbula, por vezes associada à dieta ou filogenia em outros grupos de mamíferos, não foi devidamente avaliada em Didelphidae. Nós avaliamos a variação da forma e tamanho da mandíbula dos didelfídeos (2429 espécimes pertencentes a 79 espécies) utilizando morfometria geométrica 2D. Classificamos a dieta dos didelfídeos em quatro categorias: (1) majoritariamente carnívoro, (2) majoritariamente frugívoro, (3) majoritariamente insetívoro e (4) onívoro, para avaliar se a ordenação do morfoespaço tem influência dos hábitos alimentares. O tamanho e a forma da mandíbula foram mapeados numa filogenia para 69 táxons selecionados e o tamanho e formas ancestrais foram reconstruídos por parcimônia. Encontramos variações na morfologia da mandíbula entre os grupos de didelfídeos e nossos resultados apontam que estas variações apresentam um sinal filogenético significativo. Não foram encontrados efeitos importantes de tamanho nos dois primeiros PCs, indicando que a alometria não desempenha um papel importante na formação da diversidade morfológica sobre a mandíbula dos didelfídeos. Nossos resultados indicam que a forma e o tamanho da mandíbula ancestral dos didelfídeos seria similar a dos atuais espécimes do gênero Marmosa, isso indica que muito possivelmente a preferência alimentar o ancestral dos didelfídeos seria majoritariamente insetívora.


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  • Os marsupiais didelfídeos são considerados um grupo morfologicamente não especializado com uma dieta generalista, que inclui vertebrados, invertebrados e matéria vegetal. Enquanto a variação da forma do crânio e da escápula na família já foi analisada em estudos anteriores, a variação da forma da mandíbula, por vezes associada à dieta ou filogenia em outros grupos de mamíferos, não foi devidamente avaliada em Didelphidae. Nós avaliamos a variação da forma e tamanho da mandíbula dos didelfídeos (2429 espécimes pertencentes a 79 espécies) utilizando morfometria geométrica 2D. Classificamos a dieta dos didelfídeos em quatro categorias: (1) majoritariamente carnívoro, (2) majoritariamente frugívoro, (3) majoritariamente insetívoro e (4) onívoro, para avaliar se a ordenação do morfoespaço tem influência dos hábitos alimentares. O tamanho e a forma da mandíbula foram mapeados numa filogenia para 69 táxons selecionados e o tamanho e formas ancestrais foram reconstruídos por parcimônia. Encontramos variações na morfologia da mandíbula entre os grupos de didelfídeos e nossos resultados apontam que estas variações apresentam um sinal filogenético significativo. Não foram encontrados efeitos importantes de tamanho nos dois primeiros PCs, indicando que a alometria não desempenha um papel importante na formação da diversidade morfológica sobre a mandíbula dos didelfídeos. Nossos resultados indicam que a forma e o tamanho da mandíbula ancestral dos didelfídeos seria similar a dos atuais espécimes do gênero Marmosa, isso indica que muito possivelmente a preferência alimentar o ancestral dos didelfídeos seria majoritariamente insetívora.

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  • LETICIA FRANCO DE ALMEIDA COSTA
  • Respostas da comunidade de formigas (Hymenoptera: Formicidae) à agricultura de corte-e-queima na Caatinga

  • Orientador : INARA ROBERTA LEAL
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BRUNO KAROL CORDEIRO FILGUEIRAS
  • FELIPE FERNANDO DA SILVA SIQUEIRA
  • INARA ROBERTA LEAL
  • LUCIANA IANNUZZI
  • Data: 25/02/2022

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  • As perturbações antrópicas como agricultura de corte-e-queima são a principal causa da atual destruição dos ecossistemas naturais e perda de biodiversidade. Aqui, avaliamos como a agricultura de corte e queima afeta a comunidade de formigas em uma área de Caatinga no Parque Nacional do Catimbau, PE. Para examinar os efeitos da perturbação na abundância de formigas, riqueza e composição de espécies da comunidade e dos grupos generalistas e especialistas, adotamos a abordagem experimental aplicada a seis parcelas de 20 x 50m divididas em três blocos, nos quais uma parcela foi mantida como controle e outra foi submetida a agricultura de corte e queima. A comunidade de formigas foi amostrada uma vez nas parcelas antes da aplicação da agricultura e três vezes após. Foram coletadas 39 espécies de formigas pertencentes a 20 gêneros e cinco subfamílias, sendo 37 espécies de formigas nas parcelas de floresta e 31 nas parcelas com agricultura. No nível da comunidade, a fauna de formigas foi pouco sensível a agricultura após o corte e queima e ao longo de dois anos, sendo a maioria das mudanças detectadas no nível de espécie e grupos funcionais. Não houve aumento geral na proporção de generalistas para especialistas com a agricultura de corte e queima, mas a proporção diferiu com o tempo. A agricultura de corte e queima favoreceu consideravelmente algumas poucas espécies adaptadas a ambientes abertos e quentes, e prejudicou outras espécies conhecidamente adaptadas à perturbação. Nossos resultados sugerem uma alta resiliência da fauna de formigas da Caatinga a agricultura de corte e queima e apontam para a importância de considerar o papel do comportamento das espécies de formigas nas respostas à essa perturbação.


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  • As perturbações antrópicas como agricultura de corte-e-queima são a principal causa da atual destruição dos ecossistemas naturais e perda de biodiversidade. Aqui, avaliamos como a agricultura de corte e queima afeta a comunidade de formigas em uma área de Caatinga no Parque Nacional do Catimbau, PE. Para examinar os efeitos da perturbação na abundância de formigas, riqueza e composição de espécies da comunidade e dos grupos generalistas e especialistas, adotamos a abordagem experimental aplicada a seis parcelas de 20 x 50m divididas em três blocos, nos quais uma parcela foi mantida como controle e outra foi submetida a agricultura de corte e queima. A comunidade de formigas foi amostrada uma vez nas parcelas antes da aplicação da agricultura e três vezes após. Foram coletadas 39 espécies de formigas pertencentes a 20 gêneros e cinco subfamílias, sendo 37 espécies de formigas nas parcelas de floresta e 31 nas parcelas com agricultura. No nível da comunidade, a fauna de formigas foi pouco sensível a agricultura após o corte e queima e ao longo de dois anos, sendo a maioria das mudanças detectadas no nível de espécie e grupos funcionais. Não houve aumento geral na proporção de generalistas para especialistas com a agricultura de corte e queima, mas a proporção diferiu com o tempo. A agricultura de corte e queima favoreceu consideravelmente algumas poucas espécies adaptadas a ambientes abertos e quentes, e prejudicou outras espécies conhecidamente adaptadas à perturbação. Nossos resultados sugerem uma alta resiliência da fauna de formigas da Caatinga a agricultura de corte e queima e apontam para a importância de considerar o papel do comportamento das espécies de formigas nas respostas à essa perturbação.

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  • GABRIELA STREPPEL STEINDORFF
  • Aspectos ecológicos e comportamentais de Mesembrinellidae (Diptera) em fragmento de Mata Atlântica em Pernambuco: implicações para validação de seu potencial forense 

  • Orientador : SIMAO DIAS DE VASCONCELOS FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE ROBERTO PEREIRA DE SOUSA
  • ARTUR CAMPOS DALIA MAIA
  • SIMAO DIAS DE VASCONCELOS FILHO
  • WELINTON RIBAMAR LOPES
  • Data: 22/06/2022

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  • Mesembrinellidae é um grupo de dípteros de distribuição exclusivamente neotropical, sobre o qual se têm poucas informações precisas da ecologia e comportamento. Os indivíduos desta família são geralmente encontrados em florestas úmidas e possuem hábito assinantrópico, sendo sensíveis a perturbações ambientais. Seus hábitos nutritivos e reprodutivos carecem de maior comprovação científica. Esta dissertação está organizada em três partes. O primeiro capítulo traz uma revisão bibliográfica sobre o estado da arte de Mesembrinellidae, contextualizando a distribuição biogeográfica, bionomia e técnicas de coleta do táxon e suas espécies. Já no segundo capítulo, apresento o experimento realizado em novembro de 2021, na Mata do Curado (Recife, Pernambuco), um fragmento urbano de Mata Atlântica com 50 anos de regeneração, demarcado como Refúgio de Vida Silvestre. Também foi amostrada uma área urbanizada da UFPE para controle. Utilizando conjuntos de armadilhas iscadas com substratos de peixe, porco e banana, em quatro distâncias ao longo da mata, foram coletados 3091 indivíduos de Mesembrinella bicolor. Estes dados possibilitaram inferir sobre o comportamento e ecologia da espécie em relação à preferência alimentar, estrutura reprodutiva e resposta ao efeito de borda. Os resultados indicaram que a distância na mata e variáveis abióticas (como temperatura, umidade e luminosidade) não afetaram significativamente a abundância da espécie. Por outro lado, as iscas animais atraíram 96% da abundância total de M. bicolor, demonstrando uma preferência pela origem, mas sem diferenciação significativa entre porco e peixe. Em relação à estrutura reprodutiva, foi observada uma clara maioria de fêmeas, com razão sexual de 0,8 em substratos animais e 0,5 em banana. Em relação ao estágio reprodutivo, foi observado que tanto na borda quanto no centro cerca de 85% das fêmeas estavam fecundadas. Na borda houve um equilíbrio entre a porcentagem de ovos e larvas, mas no centro observou-se 30% a mais de ovos. Estes dados possibilitaram as seguintes conclusões: i) Aparentemente, fragmentos bem conservados, apesar de pequenos, são capazes de manter uma população homogênea de M. bicolor; ii) A espécie não ocorreu em meio urbano e foi menos abundante na borda, apoiando a hipótese de comportamento assinantrópico; iii) O hábito alimentar parece ser necrófago, com uso de frutas como recurso adicional; iv) O efeito de borda não afeta os aspectos reprodutivos da espécie.


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  • Mesembrinellidae é um grupo de dípteros de distribuição exclusivamente neotropical, sobre o qual se têm poucas informações precisas da ecologia e comportamento. Os indivíduos desta família são geralmente encontrados em florestas úmidas e possuem hábito assinantrópico, sendo sensíveis a perturbações ambientais. Seus hábitos nutritivos e reprodutivos carecem de maior comprovação científica. Esta dissertação está organizada em três partes. O primeiro capítulo traz uma revisão bibliográfica sobre o estado da arte de Mesembrinellidae, contextualizando a distribuição biogeográfica, bionomia e técnicas de coleta do táxon e suas espécies. Já no segundo capítulo, apresento o experimento realizado em novembro de 2021, na Mata do Curado (Recife, Pernambuco), um fragmento urbano de Mata Atlântica com 50 anos de regeneração, demarcado como Refúgio de Vida Silvestre. Também foi amostrada uma área urbanizada da UFPE para controle. Utilizando conjuntos de armadilhas iscadas com substratos de peixe, porco e banana, em quatro distâncias ao longo da mata, foram coletados 3091 indivíduos de Mesembrinella bicolor. Estes dados possibilitaram inferir sobre o comportamento e ecologia da espécie em relação à preferência alimentar, estrutura reprodutiva e resposta ao efeito de borda. Os resultados indicaram que a distância na mata e variáveis abióticas (como temperatura, umidade e luminosidade) não afetaram significativamente a abundância da espécie. Por outro lado, as iscas animais atraíram 96% da abundância total de M. bicolor, demonstrando uma preferência pela origem, mas sem diferenciação significativa entre porco e peixe. Em relação à estrutura reprodutiva, foi observada uma clara maioria de fêmeas, com razão sexual de 0,8 em substratos animais e 0,5 em banana. Em relação ao estágio reprodutivo, foi observado que tanto na borda quanto no centro cerca de 85% das fêmeas estavam fecundadas. Na borda houve um equilíbrio entre a porcentagem de ovos e larvas, mas no centro observou-se 30% a mais de ovos. Estes dados possibilitaram as seguintes conclusões: i) Aparentemente, fragmentos bem conservados, apesar de pequenos, são capazes de manter uma população homogênea de M. bicolor; ii) A espécie não ocorreu em meio urbano e foi menos abundante na borda, apoiando a hipótese de comportamento assinantrópico; iii) O hábito alimentar parece ser necrófago, com uso de frutas como recurso adicional; iv) O efeito de borda não afeta os aspectos reprodutivos da espécie.

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  • DEBORAH MARIA SOARES RAMOS
  • O papel do cão doméstico sobre a comunidade de mamíferos terrestres em unidades de conservação do nordeste brasileiro

  • Orientador : JOÃO PEDRO SOUZA ALVES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANO PEREIRA PAGLIA
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • JOÃO PEDRO SOUZA ALVES
  • Data: 30/06/2022

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  • A presença do cão doméstico (Canis lupus familiaris) em áreas florestadas pode levar à redução da fauna nativa através da predação e transmissão de doenças. Além disso, pode ocasionar uma modificação no padrão comportamental das espécies a fim de evitar a predação. Visando entender sobre o potencial de invasão do cão doméstico, este estudo tem como objetivo avaliar os efeitos da sua presença sobre a mastofauna terrestre de médio e grande porte (>1000g) em Unidades de Conservação no Nordeste brasileiro. Para verificar a abundância relativa, riqueza, e também para analisar o padrão de atividade e sobreposição de hora de atividade do cão doméstico sobre a comunidade de mamíferos terrestres foram utilizadas armadilhas fotográficas (ativas durante 45 dias). O número de armadilhas variou de acordo com o tamanho de cada fragmento dentro das áreas buscando obter uma distância mínima de 500 m entre elas. Registramos um total de 13 espécies de mamíferos terrestres nativos (5-10 espécies). As Ordens com um maior número de representantes foram Carnivora (6 spp.), Rodentia (2 spp.), e Cingulata (2 spp.) Além do cão doméstico, que esteve presente na Reserva Biológica Guaribas (ReBio Guaribas), Estação Ecológica de Tapacurá (EsEc Tapacurá) e Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra D’antas (RPPN Pedra D’antas). A cutia (Dasyprocta iacki) foi registrada como uma das espécies mais abundante em todas as áreas. O timbu (Didelphis albiventris) também apresentou um elevado número de registros na ReBio Guaribas, enquanto o quati (Nasua nasua) foi mais recorrente na EsEc Tapacurá; já a paca (Cuniculus paca) e mão-pelada (Procyon cancrivorus) foram altamente frequentes no Refúgio da Vida Silvestre Mata do Junco, e a paca (Cuniculus paca) foi a segunda espécie de mamífero nativo mais abundante na RPPN Pedra D’antas. A cutia apresentou um padrão de atividade diurno em todas as áreas. O cão doméstico também apresentou um padrão de atividade diurno, porém na ReBio Guaribas foram parcialmente catemerais. O timbu foi categorizado como noturno na ReBio Guaribas devido a elevada frequência de registros no período escuro. Já o quati na EsEc Tapacurá, apresentou um padrão de atividade diurno. O coeficiente de sobreposição de atividade entre os cães domésticos e mamíferos terrestres foi moderado (≅ 50%). Além disso, observamos uma baixa sobreposição espacial entre cães e mamíferos de vida livre, exceto para a cutia na ReBio Guaribas. Esses dados vão ajudar a entender o papel do cão doméstico sobre os mamíferos terrestres. Ademais, este estudo visa obter uma base para melhorar as estratégias de conservação e manejo das unidades de conservação, visando a manutenção das espécies nativas.


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  • A presença do cão doméstico (Canis lupus familiaris) em áreas florestadas pode levar à redução da fauna nativa através da predação e transmissão de doenças. Além disso, pode ocasionar uma modificação no padrão comportamental das espécies a fim de evitar a predação. Visando entender sobre o potencial de invasão do cão doméstico, este estudo tem como objetivo avaliar os efeitos da sua presença sobre a mastofauna terrestre de médio e grande porte (>1000g) em Unidades de Conservação no Nordeste brasileiro. Para verificar a abundância relativa, riqueza, e também para analisar o padrão de atividade e sobreposição de hora de atividade do cão doméstico sobre a comunidade de mamíferos terrestres foram utilizadas armadilhas fotográficas (ativas durante 45 dias). O número de armadilhas variou de acordo com o tamanho de cada fragmento dentro das áreas buscando obter uma distância mínima de 500 m entre elas. Registramos um total de 13 espécies de mamíferos terrestres nativos (5-10 espécies). As Ordens com um maior número de representantes foram Carnivora (6 spp.), Rodentia (2 spp.), e Cingulata (2 spp.) Além do cão doméstico, que esteve presente na Reserva Biológica Guaribas (ReBio Guaribas), Estação Ecológica de Tapacurá (EsEc Tapacurá) e Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra D’antas (RPPN Pedra D’antas). A cutia (Dasyprocta iacki) foi registrada como uma das espécies mais abundante em todas as áreas. O timbu (Didelphis albiventris) também apresentou um elevado número de registros na ReBio Guaribas, enquanto o quati (Nasua nasua) foi mais recorrente na EsEc Tapacurá; já a paca (Cuniculus paca) e mão-pelada (Procyon cancrivorus) foram altamente frequentes no Refúgio da Vida Silvestre Mata do Junco, e a paca (Cuniculus paca) foi a segunda espécie de mamífero nativo mais abundante na RPPN Pedra D’antas. A cutia apresentou um padrão de atividade diurno em todas as áreas. O cão doméstico também apresentou um padrão de atividade diurno, porém na ReBio Guaribas foram parcialmente catemerais. O timbu foi categorizado como noturno na ReBio Guaribas devido a elevada frequência de registros no período escuro. Já o quati na EsEc Tapacurá, apresentou um padrão de atividade diurno. O coeficiente de sobreposição de atividade entre os cães domésticos e mamíferos terrestres foi moderado (≅ 50%). Além disso, observamos uma baixa sobreposição espacial entre cães e mamíferos de vida livre, exceto para a cutia na ReBio Guaribas. Esses dados vão ajudar a entender o papel do cão doméstico sobre os mamíferos terrestres. Ademais, este estudo visa obter uma base para melhorar as estratégias de conservação e manejo das unidades de conservação, visando a manutenção das espécies nativas.

Teses
1
  • PATRICIA PILATTI ALVES
  • Variação morfológica e distribuição geográfica em morcegos nectarívoros dos gêneros Xeronycteris Lonchophylla (Chiroptera: Phyllostomidae: Lonchophyllinae) com ocorrência no Brasil

  • Orientador : DIEGO ASTUA DE MORAES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANIELA DIAS
  • DANIELA MUNHOZ ROSSONI
  • GUILHERME SINICIATO TERRA GARBINO
  • ANA CAROLINA D'OLIVEIRA PAVAN
  • DIEGO ASTUA DE MORAES
  • Data: 16/05/2022

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  • Devido aos serviços ecológicos que oferecem enquanto polinizadores, os morcegos nectarívoros ocupam um lugar-chave na reprodução de espécies vegetais, contribuindo para a manutenção das formações vegetais e dos ambientes em que ocorrem. Na região Neotropical, ocorrem pelo menos duas linhagens evolutivas distintas destes morcegos, classificados em duas subfamílias da família Phyllostomidae: Glossophaginae e Lonchophyllinae, representadas no Brasil por nove espécies cada. No presente trabalho, exploro a variação morfológica em espécies de Lonchophyllinae de ocorrência no Brasil como etapa inicial no estudo da diversidade do gênero, com o objetivo de contribuir para delinear os limites taxonômicos e geográficos das espécies, com foco no gênero Lonchophylla. No primeiro capítulo, apresento uma breve revisão histórica da construção do conhecimento acerca da diversidade de morcegos, partindo desde as primeiras classificações sistemáticas, passando pelas primeiras discussões sobre a classificação dos morcegos nectarívoros, até o estado da arte atual para este grupo taxonômico, detalhando por fim os objetivos específicos da presente pesquisa. No segundo capítulo, apresento um estudo aprofundado da variação morfológica no gênero monotípico loncofilíneo Xeronycteris, com atualizações na distribuição geográfica de Xeronycteris vieirai, colocando em perspectiva a sua relação com espécies simpátricas de Lonchophylla e discutindo questões sobre endemismo a áreas secas do Brasil. No terceiro capítulo, apresento o estudo da variação morfológica das espécies de Lonchophylla com ocorrência no Brasil, contextualizando tanto a posição do gênero Lonchophylla em relação aos demais gêneros da subfamília, como a variação encontrada dentro do gênero. Discuto a existência de uma descontinuidade morfológica entre as espécies brasileiras, comparo a variação entre elas, apresento evidências que sugerem a existência de táxons não descritos pela ciência entre as populações estudadas, e aponto as questões que ainda exigem estudos e métodos adicionais para o preenchimento das lacunas no conhecimento do grupo. Nos apêndices 1 e 2, incluo dados e informações obtidos no levantamento de espécimes, indicando coleções que contém o material estudado e/ou consultado nesta pesquisa. No apêndice 3, incluo as listas sinonímicas das espécies de Lonchophylla válidas atualmente. No apêndice 4, incluo novos registros para o gênero Hsunycteris no Brasil.


  • Mostrar Abstract
  • Xeronycteris é um gênero monotípico da subfamília Lonchophyllinae, com Xeronycteris vieirai como espécie-tipo, sendo endêmico do Brasil. A partir de 38 espécimes depositados em coleções científicas, incluindo os exemplares da série-tipo, usamos ferramentas de morfometria tradicional e geométrica para acessar e descrever a variação morfológica da maior amostra de Xeronycteris reunida até o momento. Comparamos a morfologia craniana ao longo de sua distribuição geográfica, indicando caracteres úteis na diagnose da espécie em campo comparando-a com outra espécie de ocorrência simpátrica. Atualizamos a distribuição geográfica da espécie, incluindo registros nos biomas do Cerrado e da Caatinga não publicados anteriormente, e atualmente Xeronycteris tem registros em 14 localidades no Brasil, confirmados a partir de 50 espécimes disponíveis em coleções científicas. Apresenta uma substancial variação morfológica nas diferentes regiões do crânio estudadas, principalmente face, caixa craniana e articulação temporomandibular. Apresentou ainda uma diferenciação nesses caracteres entre os exemplares estudados do Cerrado e da Caatinga. Discutimos o endemismo da espécie aos biomas estudados e aspectos funcionais da variação morfológica encontrada, contextualizando Xeronycteris tanto dentro da família Phyllostomidae quanto em relação aos demais morcegos nectarívoros. Por fim, indicamos os aspectos cranianos que podem ser mais úteis em pesquisas futuras a respeito do desenvolvimento e evolução desta espécie.

2
  • JENNIFER DE SOUSA BARROS PEREIRA
  • Seleção e uso de cavernas por morcegos e suas implicações para a classificação de relevância destes ambientes

  • Orientador : ENRICO BERNARD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • AIDA OTALORA-ARDILA
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • DIEGO DE MEDEIROS BENTO
  • ENRICO BERNARD
  • RODRIGO LOPES FERREIRA
  • Data: 20/06/2022

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  • Cavernas estão entre os abrigos mais importantes para centenas de espécies de morcegos, sendo possível encontrar cavernas com alta riqueza, atingindo até mais de 20 espécies. Entretanto, cavernas podem ser formadas em diferentes litologias (e.g. carbonáticas, ferruginosas, quartizíticas ou areníticas) e suas características físicas e estruturais podem influenciar a preferência de diferentes espécies, sendo, inclusive, possível diferenciar as espécies de acordo com seu nível de uso das cavernas. Essa preferência e relação com a
    caverna pode ser mais ou menos forte, sendo que para algumas espécies chega a ser restrita, como o caso de espécies que formam grandes colônias e dependem das cavernas para manter suas populações. Entretanto, as cavernas são consideradas um dos ecossistemas menos conhecidos e mais vulneráveis, sendo altamente ameaçados por atividades antrópicas, como a mineração. No Brasil, essa situação não é diferente, e a legislação estabelece que cavernas localizadas em áreas de empreendimentos devem ser classificadas quanto sua relevância. Entretanto, considerando o interesse na proteção dos morcegos, as diretrizes para essa classificação carecem de melhorias e atualizações. O país conta com 73 espécies de morcegos já registrada em cavernas, incluindo espécies nacionalmente ameaçadas, e outras espécies que formam grandes colônias em cavernas. Considerando que a conservação dos morcegos bem como de seus abrigos, é necessária, a presente tese tem dois objetivos principais: No primeiro, ecológico, avaliei como as características físicas e ambientais de cavernas influenciam na riqueza, elevada abundância e seleção de habitat em diferentes espécies de morcegos em colônias com milhares de indivíduos. A partir de análises ecológicas, verifiquei a relação direta de espécies do gênero Pteronotus influenciando a variação de temperatura nas cavernas, que por sua vez foi associada a riquezas maiores. Assim, constatei uma influência indireta de Pteronotus na riqueza das cavernas, destacando a importância de proteger essas espécies e as cavernas que lhes servem de abrigo, beneficiando também as outras espécies de morcegos. No segundo objetivo desta tese, meu foco foi na conservação de morcegos e cavernas, por meio de proposições para melhorias de políticas públicas que tratam do licenciamento ambiental
    envolvendo ambientes cársticos no Brasil. Nesta parte da tese, meus objetivos foram: i) identificar as falhas e lacunas existentes na legislação brasileira espeleológica sob a perspectiva da conservação dos morcegos; ii) propor soluções para os problemas encontrados, através de um protocolo de classificação de relevância de cavernas; e iii) preencher lacunas, através de análises complementares em relação a riqueza, raridade e abundância de morcegos em cavernas no Brasil, visando gerar subsídios para tomadores-de-decisão e estratégias de conservação. Assim, incialmente revisei os critérios utilizados para classificar a relevância de cavernas no processo de licenciamento ambiental, com ênfase nos morcegos, e identifiquei diversos pontos que poderiam ser atualizados. Com base em estudos internacionais de priorização de cavernas, elaborei uma primeira versão de um protocolo para classificação de cavernas, considerando os morcegos como grupo focal. Essa versão foi enviada para especialistas para apreciação e, após feedback, foi novamente revisada, sendo a versão atualizada a apresentada nesta tese. As análises complementares por mim realizadas, demostraram que a riqueza de espécies de morcegos nas cavernas responde à diferentes litologias. Mais além, a raridade de espécies de morcegos em cavernas deve ser avaliada, considerando também o tipo de uso que as espécies fazem das cavernas. Proponho ainda que abundâncias excepcionais, um critério indicado na normativa, devem ser consideradas aquelas com valores iguais ou superiores a cinco vezes a média de abundância da espécie em determinada região. Finalizo propondo o uso e padronização de metodologias essenciais para o estudo de morcegos em ambientes cársticos. Tais soluções suportam os critérios definidos no protocolo de classificação de relevância de cavernas proposto, que, se aplicado no licenciamento ambiental, poderá contribuir para uma análise de relevância mais precisa, ao menos no que tange a proteção dos morcegos e as cavernas por eles utilizadas.


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  • Morcegos selecionam seus abrigos de maneira espécie-específica, e as características ideais para essa seleção podem estar relacionadas às diferentes necessidades fisiológicas e adaptativas de cada espécie. Para espécies que formam colônias com abundâncias excepcionais a escolha dos abrigos é ainda mais importante e necessária para que consigam manter suas populações. Dessa forma, avaliamos como as características físicas e ambientais de cavernas no Nordeste do Brasil influenciam a formação de colônias excepcionais de espécies do gênero Pteronotus, bem como também a riqueza e a composição nessas cavernas. Foram coletados dados de tamanho, estabilidade e características do teto das cavernas, bem como dados de temperatura e umidade. A riqueza e composição de espécies foram estimadas por meio de captura e bioacústica e a abundância por meio de filmagens com câmeras termais infravermelhas. Pteronotus spp. foram positivamente relacionados ao tamanho e estabilidade das cavernas, e com características do teto e influenciaram a variação de temperatura dentro das cavernas. A riqueza foi influenciada também pelo tamanho e estabilidade das cavernas, além disso pela amplitude de temperatura. As demais espécies demonstraram preferência por diferentes características climáticas e do teto combinadas. Assim, evidenciamos uma influência indireta da abundância excepcional das espécies de Pteronotus sobre a riqueza e ocupação das outras espécies no interior das cavernas, e que as cavernas favorecem uma coexistência aprimorada das espécies, uma vez que oferecem uma maior amplitude de microambientes disponíveis, reduzindo a sobreposição de nichos em seu interior. Além disso, destacamos o papel como espécie-chave para os ecossistemas e como potencial espécie guarda-chuva de P. gymnonotus e P. personatus, de forma que estratégias conservacionistas para sua proteção e de seus abrigos devem ser realizadas no Brasil.

3
  • ANTONIO MORAES DA SILVA
  • Revisão das espécies de dorso verde estriado do gênero Helicops Wagler, 1828 (Serpentes: Xenodontinae)

  • Orientador : PEDRO MURILO SALES NUNES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CHRISTINE STRUSSMANN
  • DANIELA CRISTINA FERREIRA
  • DANIEL FERNANDES DA SILVA
  • PAULO GUSTAVO HOMEM PASSOS
  • PEDRO MURILO SALES NUNES
  • Data: 14/07/2022

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  • O gênero Helicops Wagler, 1828 compreende uma linhagem monofilética de serpentes aquáticas, distribuídas na América do Sul Cis e Trans-Andina, e Ilha de Trinidad. Atualmente são conhecidas 21 espécies para o gênero, facilmente diagnosticadas pela presença de quilhas nas escamas dorsais. Devido ao forte polimorfismo de coloração, diversas espécies apresentam limites taxonômicos imprecisos, as quais merecem investigação criteriosa. Nesse sentido, as espécies de dorso verde estriado atreladas aos nomes H. carinicaudus (Wied, 1825), H. infrataeniatus Jan, 1865, H. modestus Günther, 1861 e H. trivitattus (Gray, 1849), são exemplos de táxons com variações significativas nos aspectos de coloração ventral e nos parâmetros de folidose, que reflete na instabilidade nomenclatural das espécies. Além disso, filogenias baseadas em dados moleculares e morfológicos sugerem que algumas das espécies de Helicops de dorso verde estriado (i.e., Helicops infrataeniatus e H. modestus) são filogeneticamente próximas a H. leopardinus (Schlegel, 1837), uma espécie que exibe manchas negras dorsais ao longo do corpo. As relações de parentesco entre essas espécies ainda são pouco compreendidas, o que faz desse grupo de espécies importante para uma abordagem que explore a evolução da coloração dorsal estriada no gênero. Diante desse cenário, esta proposta realizou uma ampla revisão das populações pertencentes ao grupo de espécies de dorso verde estriado, empregando uma abordagem integrativa (i.e., dados morfológicos, moleculares e geográficos). Para dar suporte a nossas decisões, foram utilizados dados morfológicos (coloração, folidose, morfometria e hemipênis) de 1273 espécimes e 146 amostras de tecidos de representantes das espécies alvo. Adicionalmente, as séries tipo de cada espécie nominal foram cuidadosamente revisadas, onde confrontarmos as diagnoses originais, com os novos dados acessados, com a finalidade de garantir estabilidade nomenclatural dos táxons. Em síntese, a revisão taxonômica integrativa permitiu reafirmar a identidade de Helicops trivittatus como espécie válida, a qual exibe características morfológicas plenamente compatíveis com a descrição original. Os resultados das análises morfológicas e moleculares evidenciaram relações conflitantes entre H. infrataeniatus, H. modestus e H. leopardinus, as quais compartilham ampla sobreposição de caracteres merísticos e morfométricos e baixa divergência genética entre os terminais. Portanto, diante da existência de diagnose morfológica consistente com suas respectivas descrições originais, suportada por padrões geográficos, decidimos pela manutenção dos nomes tradicionalmente utilizados na taxonomia vigente. Supreendentemente, o nome H. carinicaudus congrega um complexo com três espécies crípticas, virtualmente distribuídas nas áreas de endemismos da Serra do Mar e do sul da Bahia, restrita à faixa litorânea da Mata Atlântica. As populações do complexo distribuídas na área de endemismo do Sul da Bahia, apresentam características morfológicas correspondente àquelas encontradas no holótipo de H. carinicaudus (Wied, 1824) e na descrição original, ficando, portanto, atreladas à espécie nominal. Por outro lado, as duas populações distribuídas na área de endemismo da Serra do Mar, são alopátricas (litoral sul do Rio de Janeiro e litoral de São Paulo até norte do Rio Grande do Sul) e aparecem geograficamente isoladas pelas cadeias de montanhas da Serra do Mar e Serra da Bocaina. Para essas duas últimas populações não há nomes disponíveis na literatura, devendo ser descritas como espécies novas. Finalmente, as análises moleculares revelam que o padrão dorsal verde estriado aparece como uma simplesiomorfia duvidosa no gênero Helicops.


  • Mostrar Abstract
  • We describe a new watersnake species of the genus Helicops from the left bank of the upper Madeira River, southwestern Amazonia, Brazil. Due to its spotted dorsal pattern, it resembles the sympatric species H. hagmanni, H. leopardinus, and H. polylepis, but a combination of features including, scale counts, prominence of dorsal keels, and hemipenial morphology allows its unequivocal recognition. The new species also exhibits oviparous reproduction, representing the fourth egg-laying lineage reported in the genus. The evolution of viviparity among the lineages of Helicops comprises an important debate in the field of the natural history of reptiles, especially regarding the highly unlikely possibilities of reversals from viviparity to oviparity due to constraints of genetic, ecological, and physiological nature. Based on such premises, we reconstructed the reproductive modes within the genus using a preconceived topology and discussed hypothetical scenarios for the emergence of viviparity depending on three possible positions of the new taxon. Finally, we also provide considerations on the apparent restriction of this snake to the left bank of the upper Madeira in the light of classic biogeographic evidence that points to the potential role of this major river as a vicariant element between faunas on its opposite margins.

2021
Dissertações
1
  • NARJARA TERCIA PIMENTEL
  • A contribuição dos morcegos no input de energia na forma de guano para bat caves no semiárido nordestino

  • Orientador : ENRICO BERNARD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ENRICO BERNARD
  • JOÃO PEDRO SOUZA ALVES
  • RODRIGO LOPES FERREIRA
  • JUAN CARLOS VARGAS MENA
  • Data: 22/02/2021

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  • Cavernas são abrigos essenciais para centenas de espécies de morcegos e, frequentemente, desde espécies nectarívoras até frugívoras, insetívoras e hematófagas são encontradas em uma mesma caverna. As cavernas, de forma geral, apresentam elevada estabilidade ambiental e essa estabilidade é desejável para um abrigo em potencial, pois suas características microclimáticas são muitas vezes importantes para a seleção pelos morcegos. Além da diversidade de espécies, algumas cavernas também podem abrigar populações excepcionalmente grandes, de dezenas de milhares até milhões de indivíduos. Estas são as chamadas bat caves ou hot caves. O guano trazido diariamente por morcegos para dentro das cavernas é identificado como essencial para a manutenção de ecossistemas inteiros, pois representa em alguns casos o único ou principal input de energia para centenas de outras espécies da biota cavernícola que não são capazes de saírem destes ambientes. Apesar de relevante, poucos estudos se propuseram a abordar o aporte de guano dos morcegos em ambientes cavernícolas sob o ponto de vista quantitativo, e menos ainda na região Neotropical. Assim, o presente estudo visou avaliar as contribuições dos morcegos no input de guano em cinco bat caves no Nordeste do Brasil (caverna Meu Rei e Furna do Morcego, ambas em Pernambuco; Casa de Pedra e Caverna do Urubu, ambas em Sergipe; e a Furna do Urubu, no Rio Grande do Norte), levando em consideração a riqueza e o tamanho da populações de morcegos nessas cavernas, identificando e estimando os depósitos de guano e suas taxas de acumulação por caverna, e também estimando o input trazido para dentro das cavernas pelos morcegos insetívoros. Para a coleta de dados foram realizados: i) censos populacionais automatizados, ii) resgate do registro de dados da temperatura da caverna, iii) captura e pesagem dos morcegos para estimar o consumo de insetos por noite, iv) instalação de coletores de guano por 96 horas e medidores graduados no piso da caverna para estimar o acúmulo e velocidade de deposição do guano, respectivamente, e v) montagem de grids regulares para estimar a profundidade e o volume de guano em alguns setores da caverna. Esse estudo mostrou que a riqueza e a abundância de morcegos nessas bat caves varia bastante inter- e intra-cavernas, indicando abrigos com alto dinamismo de ocupação. Variações também foram observadas na quantidade de insetos ingeridos pelos morcegos por noite, o que resultou em um aporte de guano espacial e temporalmente heterogêneos nas cavernas. Ainda assim, todas as cavernas amostradas continham depósitos de guano volumosos em seus interiores, confirmando e reforçando o papel dos morcegos como agentes do input de energia – na forma de guano – nestes ambientes. Os resultados apontam ainda que as variações na temperatura da caverna são influenciadas pela quantidade de morcegos em seu interior, permitindo que o monitoramento da temperatura seja usado na reconstrução de padrões de uso dos abrigos pelos morcegos.Este estudo fornece dados quantitativos sobre as contribuições ambientais prestadas pelos morcegos, que estão entre as prioridades para a conservação de morcegos no Brasil, além de contribuir com informações sobre a interação morcego-guano-caverna, demonstrando que todo esse input de energia, além de fornecer microhabitats e fonte de alimento para uma fauna altamente especializada, também contribui para alterações morfológicas nessas bat caves, através de processos altamente complexos.


  • Mostrar Abstract
  • Cavernas são abrigos essenciais para centenas de espécies de morcegos e, frequentemente, desde espécies nectarívoras até frugívoras, insetívoras e hematófagas são encontradas em uma mesma caverna. As cavernas, de forma geral, apresentam elevada estabilidade ambiental e essa estabilidade é desejável para um abrigo em potencial, pois suas características microclimáticas são muitas vezes importantes para a seleção pelos morcegos. Além da diversidade de espécies, algumas cavernas também podem abrigar populações excepcionalmente grandes, de dezenas de milhares até milhões de indivíduos. Estas são as chamadas bat caves ou hot caves. O guano trazido diariamente por morcegos para dentro das cavernas é identificado como essencial para a manutenção de ecossistemas inteiros, pois representa em alguns casos o único ou principal input de energia para centenas de outras espécies da biota cavernícola que não são capazes de saírem destes ambientes. Apesar de relevante, poucos estudos se propuseram a abordar o aporte de guano dos morcegos em ambientes cavernícolas sob o ponto de vista quantitativo, e menos ainda na região Neotropical. Assim, o presente estudo visou avaliar as contribuições dos morcegos no input de guano em cinco bat caves no Nordeste do Brasil (caverna Meu Rei e Furna do Morcego, ambas em Pernambuco; Casa de Pedra e Caverna do Urubu, ambas em Sergipe; e a Furna do Urubu, no Rio Grande do Norte), levando em consideração a riqueza e o tamanho da populações de morcegos nessas cavernas, identificando e estimando os depósitos de guano e suas taxas de acumulação por caverna, e também estimando o input trazido para dentro das cavernas pelos morcegos insetívoros. Para a coleta de dados foram realizados: i) censos populacionais automatizados, ii) resgate do registro de dados da temperatura da caverna, iii) captura e pesagem dos morcegos para estimar o consumo de insetos por noite, iv) instalação de coletores de guano por 96 horas e medidores graduados no piso da caverna para estimar o acúmulo e velocidade de deposição do guano, respectivamente, e v) montagem de grids regulares para estimar a profundidade e o volume de guano em alguns setores da caverna. Esse estudo mostrou que a riqueza e a abundância de morcegos nessas bat caves varia bastante inter- e intra-cavernas, indicando abrigos com alto dinamismo de ocupação. Variações também foram observadas na quantidade de insetos ingeridos pelos morcegos por noite, o que resultou em um aporte de guano espacial e temporalmente heterogêneos nas cavernas. Ainda assim, todas as cavernas amostradas continham depósitos de guano volumosos em seus interiores, confirmando e reforçando o papel dos morcegos como agentes do input de energia – na forma de guano – nestes ambientes. Os resultados apontam ainda que as variações na temperatura da caverna são influenciadas pela quantidade de morcegos em seu interior, permitindo que o monitoramento da temperatura seja usado na reconstrução de padrões de uso dos abrigos pelos morcegos.Este estudo fornece dados quantitativos sobre as contribuições ambientais prestadas pelos morcegos, que estão entre as prioridades para a conservação de morcegos no Brasil, além de contribuir com informações sobre a interação morcego-guano-caverna, demonstrando que todo esse input de energia, além de fornecer microhabitats e fonte de alimento para uma fauna altamente especializada, também contribui para alterações morfológicas nessas bat caves, através de processos altamente complexos.

2
  • HUGO RODRIGO BARBOSA DA SILVA
  • HIDROCARBONETOS CUTICULARES COMO INTERMEDIADORES DO RECONHECIMENTO E COMPORTAMENTO SEXUAL DO ESCORPIÃO Tityus pusillus (POCOCK, 1893)

  • Orientador : ARTUR CAMPOS DALIA MAIA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DEBORA BARBOSA DE LIMA MELO
  • LUCIANA IANNUZZI
  • ARTUR CAMPOS DALIA MAIA
  • Data: 31/05/2021

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  • Os hidrocarbonetos cuticulares (HCs) tem como principal função o controle da perda de água do corpo para o ambiente e mostram-se como importante fator na dinâmica comportamental de muitas espécies de artrópodes, influenciando o reconhecimento sexual. Uma vez que há uma corte realizada que envolve contato direto entre o macho e a fêmea de Tityus pusillus e que machos tem apresentado modificação comportamental pré-copulatória em substratos sobre os quais fêmeas estiveram, levantou-se a hipótese que o reconhecimento sexual possa ser mediado por HCs. Esta dissertação teve como objetivo conhecer a composição dos HCs característicos à espécie de escorpião T. pusillus e observar sua influência no reconhecimento intraspecífico, além do efeito de compostos químicos liberados no substrato pelas fêmeas no comportamento sexual dos machos coespecíficos. Para conhecer a composição dos HCs, foram analisados os extratos cuticulares de fêmeas e machos através de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM). Afim de verificar os efeitos dos HCs sobre o comportamento sexual, foram realizados experimentos em arenas circulares (placas de petri forradas com papel de filtro), nas quais foram analisados os comportamentos de machos focais expostos à presença de fêmeas inertes (mortas por congelamento rápido) em duas situações: i) arena forrada com papel de filtro previamente ocupada por fêmeas coespecíficas durante 24hrs; ii) arena forrada com papel de filtro limpo. Além disso observou-se o comportamento de um macho focal frente machos e fêmeas cujos HCs foram removidos após lavagem com hexano. A composição dos hidrocarbonetos cuticulares de fêmeas e machos mostrou diferenças pontuais em sua constituição geral, sendo principalmente caracterizada por uma série contínua de alcanos lineares (C24 – C33; > 65% total relativo nas amostras), além de ácidos graxos e aldeídos lineares saturados. Em amostras de fêmeas, caracterizaram-se adicionalmente 2 – 6 picos cromatógraficos cujos espectros de massa foram preliminarmente atribuídos a derivados de esterol. Os machos de T. pusillus mostraram-se estimulados sexualmente quando em contato com o substrato previamente ocupado por fêmeas coespecíficas, realizando comportamentos sexuais com as fêmeas inertes. Eles também demonstraram seu interesse sexual por fêmeas coespecíficas lavadas em hexano (sem HCs), mas predominantemente ignoraram a presença de machos lavados. Nossos resultados demonstram que o reconhecimento coespecífico por parte dos machos de T. pusillus não parece ser mediado por semioquímicos HCs, mas que pistas químicas deixadas no substrato por fêmeas da espécie podem atuar como afrodisíacos. Hipotetiza-se que esta função pode estar associada aos derivados de esterol exclusivos às lavagens cuticulares de fêmeas de T. pusillus, que por isso devem ser investigados com maior detalhe.


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  • Os hidrocarbonetos cuticulares (HCs) tem como principal função o controle da perda de água do corpo para o ambiente e mostram-se como importante fator na dinâmica comportamental de muitas espécies de artrópodes, influenciando o reconhecimento sexual. Uma vez que há uma corte realizada que envolve contato direto entre o macho e a fêmea de Tityus pusillus e que machos tem apresentado modificação comportamental pré-copulatória em substratos sobre os quais fêmeas estiveram, levantou-se a hipótese que o reconhecimento sexual possa ser mediado por HCs. Esta dissertação teve como objetivo conhecer a composição dos HCs característicos à espécie de escorpião T. pusillus e observar sua influência no reconhecimento intraspecífico, além do efeito de compostos químicos liberados no substrato pelas fêmeas no comportamento sexual dos machos coespecíficos. Para conhecer a composição dos HCs, foram analisados os extratos cuticulares de fêmeas e machos através de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM). Afim de verificar os efeitos dos HCs sobre o comportamento sexual, foram realizados experimentos em arenas circulares (placas de petri forradas com papel de filtro), nas quais foram analisados os comportamentos de machos focais expostos à presença de fêmeas inertes (mortas por congelamento rápido) em duas situações: i) arena forrada com papel de filtro previamente ocupada por fêmeas coespecíficas durante 24hrs; ii) arena forrada com papel de filtro limpo. Além disso observou-se o comportamento de um macho focal frente machos e fêmeas cujos HCs foram removidos após lavagem com hexano. A composição dos hidrocarbonetos cuticulares de fêmeas e machos mostrou diferenças pontuais em sua constituição geral, sendo principalmente caracterizada por uma série contínua de alcanos lineares (C24 – C33; > 65% total relativo nas amostras), além de ácidos graxos e aldeídos lineares saturados. Em amostras de fêmeas, caracterizaram-se adicionalmente 2 – 6 picos cromatógraficos cujos espectros de massa foram preliminarmente atribuídos a derivados de esterol. Os machos de T. pusillus mostraram-se estimulados sexualmente quando em contato com o substrato previamente ocupado por fêmeas coespecíficas, realizando comportamentos sexuais com as fêmeas inertes. Eles também demonstraram seu interesse sexual por fêmeas coespecíficas lavadas em hexano (sem HCs), mas predominantemente ignoraram a presença de machos lavados. Nossos resultados demonstram que o reconhecimento coespecífico por parte dos machos de T. pusillus não parece ser mediado por semioquímicos HCs, mas que pistas químicas deixadas no substrato por fêmeas da espécie podem atuar como afrodisíacos. Hipotetiza-se que esta função pode estar associada aos derivados de esterol exclusivos às lavagens cuticulares de fêmeas de T. pusillus, que por isso devem ser investigados com maior detalhe.

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  • MICHELLY CORREIA DE FREITAS LIRA
  • Substratos artificiais em obras de proteção costeira enquanto estruturas de eco engenharia: avaliação experimental da comunidade incrustante recifal

  • Orientador : PAULO JORGE PARREIRA DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CAROLINA DE SOUSA DE ALMEIDA
  • ANDRE MORGADO ESTEVES
  • PAULA BRAGA GOMES
  • PAULO JORGE PARREIRA DOS SANTOS
  • Data: 17/06/2021

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  • As pressões antrópicas exercidas nas zonas costeiras, somadas às alterações climáticas e ao aumento acelerado do nível do mar, resultam em perda de habitats naturais. Simultaneamente, o número de estruturas de proteção e defesa costeira vem aumentando consideravelmente, podendo se tornar o habitat dominante das regiões de mediolitoral. Assim, os objetivos deste trabalho foram: identificar através de uma revisão bibliométrica, padrões de colonização de substratos artificiais e eventuais lacunas a serem preenchidas; e, caracterizar a comunidade epibentônica em obras de engenharia para proteção costeira e em substratos artificiais encontrados sobre os recifes costeiros da praia de Serrambi/Pernambuco. A partir do levantamento bibliográfico, 147 publicações foram analisadas. Com a categorização das variáveis foi possível observar padrões referentes à frequência com a qual os grupos biológicos aparecem como dominantes nos substratos artificiais. Em campo, 45 substratos artificiais (granito também usado nas obras de engenharia) foram mapeados, medidos, fotografados e alguns táxons epibentônicos coletados e identificados. No geral, os substratos apresentaram alta cobertura por macroalgas e áreas extensas não colonizadas, porém, quanto mais próximos do recife natural maior a riqueza taxonômica. Nossos resultados também apontam que o fator que melhor explica a colonização dos substratos é a cobertura do seu entorno, desta forma, nos substratos que tiveram uma área sedimentar circundante muito extensa, poucos organismos puderam se estabelecer e desenvolver.


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  • As pressões antrópicas exercidas nas zonas costeiras, somadas às alterações climáticas e ao aumento acelerado do nível do mar, resultam em perda de habitats naturais. Simultaneamente, o número de estruturas de proteção e defesa costeira vem aumentando consideravelmente, podendo se tornar o habitat dominante das regiões de mediolitoral. Assim, os objetivos deste trabalho foram: identificar através de uma revisão bibliométrica, padrões de colonização de substratos artificiais e eventuais lacunas a serem preenchidas; e, caracterizar a comunidade epibentônica em obras de engenharia para proteção costeira e em substratos artificiais encontrados sobre os recifes costeiros da praia de Serrambi/Pernambuco. A partir do levantamento bibliográfico, 147 publicações foram analisadas. Com a categorização das variáveis foi possível observar padrões referentes à frequência com a qual os grupos biológicos aparecem como dominantes nos substratos artificiais. Em campo, 45 substratos artificiais (granito também usado nas obras de engenharia) foram mapeados, medidos, fotografados e alguns táxons epibentônicos coletados e identificados. No geral, os substratos apresentaram alta cobertura por macroalgas e áreas extensas não colonizadas, porém, quanto mais próximos do recife natural maior a riqueza taxonômica. Nossos resultados também apontam que o fator que melhor explica a colonização dos substratos é a cobertura do seu entorno, desta forma, nos substratos que tiveram uma área sedimentar circundante muito extensa, poucos organismos puderam se estabelecer e desenvolver.

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  • FERNANDA SILVA DE BARROS
  • Planos de ação nacional para conservação da fauna brasileira: caracterização de ameaças e especificidade de ações.

  • Orientador : ENRICO BERNARD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BARBARA LINS CALDAS DE MORAES
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • DIEGO ASTUA DE MORAES
  • ENRICO BERNARD
  • Data: 30/07/2021

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  • A crescente expansão das atividades humanas levou a grandes pressões sobre a biodiversidade e se tornaram as principais causas dos declínios de populações vegetais e animais. O Brasil é detentor de uma das maiores diversidades faunística, com cerca de 130 mil espécies de invertebrados e aproximadamente 9.000 vertebrados, dentre eles, 732 mamíferos, 1.979 aves, 732 répteis e 973 anfíbios. Os fatores que promovem as pressões sobre populações não humanas são os drivers de ameaças, que se resumem a ameaças diretas e/ou indiretas, e que levam a diferentes impactos e declínio sob populações. Uma ferramenta muito importante e difundida no processo de conservação da biodiversidade, são os Planos de Ação para Conservação de Espécies. Os PANs correspondem a um dos passos necessários para se alcançar metas e objetivos traçados para se atingir proteção, recuperação e manutenção de espécies e ambientes, através da organização e priorização das ações estabelecidas. Os objetivos, metas e ações propostos por PANs devem ser transparentes e condizentes com as necessidades das espécies, para que resulte em conservação efetiva. Assim, o objetivo principal deste estudo foi categorizar as ameaças descritas para as espécies contempladas nos PANs para espécies da fauna brasileira, e identificar a especificidade das ações estabelecidas para enfrentamento desses impactos. Os resultados apontam para atividades do agronegócio e a sobre-exploração de recursos naturais como os principais impulsionadores de declínios de populações das espécies contempladas, determinando que esses devem ser os drivers para onde se deve voltar maior atenção, e que devem ser priorizados no planejamento para conservação, visto que beneficiará a maior parte das espécies. Também apontam uma baixa especificidade das ações elaboradas nos PANs. Essa baixa especificidade pode estar sendo refletida no baixo número de espécies que tiveram seus status de ameaça revertidos nos últimos trinta anos, e no pouco sucesso na reversão dos impactos apontados.


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  • A crescente expansão das atividades humanas levou a grandes pressões sobre a biodiversidade e se tornaram as principais causas dos declínios de populações vegetais e animais. O Brasil é detentor de uma das maiores diversidades faunística, com cerca de 130 mil espécies de invertebrados e aproximadamente 9.000 vertebrados, dentre eles, 732 mamíferos, 1.979 aves, 732 répteis e 973 anfíbios. Os fatores que promovem as pressões sobre populações não humanas são os drivers de ameaças, que se resumem a ameaças diretas e/ou indiretas, e que levam a diferentes impactos e declínio sob populações. Uma ferramenta muito importante e difundida no processo de conservação da biodiversidade, são os Planos de Ação para Conservação de Espécies. Os PANs correspondem a um dos passos necessários para se alcançar metas e objetivos traçados para se atingir proteção, recuperação e manutenção de espécies e ambientes, através da organização e priorização das ações estabelecidas. Os objetivos, metas e ações propostos por PANs devem ser transparentes e condizentes com as necessidades das espécies, para que resulte em conservação efetiva. Assim, o objetivo principal deste estudo foi categorizar as ameaças descritas para as espécies contempladas nos PANs para espécies da fauna brasileira, e identificar a especificidade das ações estabelecidas para enfrentamento desses impactos. Os resultados apontam para atividades do agronegócio e a sobre-exploração de recursos naturais como os principais impulsionadores de declínios de populações das espécies contempladas, determinando que esses devem ser os drivers para onde se deve voltar maior atenção, e que devem ser priorizados no planejamento para conservação, visto que beneficiará a maior parte das espécies. Também apontam uma baixa especificidade das ações elaboradas nos PANs. Essa baixa especificidade pode estar sendo refletida no baixo número de espécies que tiveram seus status de ameaça revertidos nos últimos trinta anos, e no pouco sucesso na reversão dos impactos apontados.

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  • DENIZE WGLIANA GERVASIO DE OLIVEIRA
  • Efeitos da estrutura e composição de paisagem sobre a comunidade de Chrysomeloidea (Coleoptera) da Caatinga

  • Orientador : LUCIANA IANNUZZI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LETICIA MARIA VIEIRA
  • INARA ROBERTA LEAL
  • LUCIANA IANNUZZI
  • SIMAO DIAS DE VASCONCELOS FILHO
  • Data: 30/08/2021

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  • Apesar dos consideráveis esforços de pesquisa, existem lacunas sobre os efeitos de mudanças das paisagens na biodiversidade em Florestas Tropicais Sazonalmente Secas. Neste sentido, avaliamos como a estrutura e a composição da paisagem afetam a estrutura da comunidade de Chrysomeloidea na Caatinga. O estudo foi realizado nos estados de Sergipe e Alagoas. Os besouros foram coletados de março a setembro de 2000, em 10 unidades de paisagem, com armadilhas Malaise. O software FRAGSTATS version v4.2 foi empregado para estimativa das variáveis preditoras, com buffer de 1 km2 de cada unidade de paisagem. As comunidades de besouros foram avaliadas em duas escalas taxonômicas: superfamília (Chrysomeloidea) e família (Chrysomelidae e Cerambycidae). Foram utilizadas diversidade total de espécies (Dγ), diversidade dentro das amostras e a (Dα) e a heterogeneidade das comunidades (Dβ). Os componentes da diversidade foram obtidos usando números de Hill com ordem q = 0, q = 1 e q = 2. Avaliamos os efeitos através de modelos lineares generalizados (GLM) com distribuição de erro Gaussiana e Poisson. As análises estatísticas foram conduzidas no programa R versão 4.0.1. Nossos resultados mostram que a fragmentação de habitat afeta negativamente a comunidade de Chrysomeloidea, principalmente a de Cerambycidae; que o efeito de borda é positivo sobre a comunidade de Chrysomelidae; que há influência contrastante da distribuição dos fragmentos (i.e., diversidade de Simpson) sobre as comunidades de Chrysomeloidea e Chrysomelidae. Fornecemos um novo patamar sobre as interações ecológicas desse grupo com a Caatinga e concluímos que a estrutura e composição da paisagem afetam diretamente as comunidades de Chrysomeloidea.


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  • Apesar dos consideráveis esforços de pesquisa, existem lacunas sobre os efeitos de mudanças das paisagens na biodiversidade em Florestas Tropicais Sazonalmente Secas. Neste sentido, avaliamos como a estrutura e a composição da paisagem afetam a estrutura da comunidade de Chrysomeloidea na Caatinga. O estudo foi realizado nos estados de Sergipe e Alagoas. Os besouros foram coletados de março a setembro de 2000, em 10 unidades de paisagem, com armadilhas Malaise. O software FRAGSTATS version v4.2 foi empregado para estimativa das variáveis preditoras, com buffer de 1 km2 de cada unidade de paisagem. As comunidades de besouros foram avaliadas em duas escalas taxonômicas: superfamília (Chrysomeloidea) e família (Chrysomelidae e Cerambycidae). Foram utilizadas diversidade total de espécies (Dγ), diversidade dentro das amostras e a (Dα) e a heterogeneidade das comunidades (Dβ). Os componentes da diversidade foram obtidos usando números de Hill com ordem q = 0, q = 1 e q = 2. Avaliamos os efeitos através de modelos lineares generalizados (GLM) com distribuição de erro Gaussiana e Poisson. As análises estatísticas foram conduzidas no programa R versão 4.0.1. Nossos resultados mostram que a fragmentação de habitat afeta negativamente a comunidade de Chrysomeloidea, principalmente a de Cerambycidae; que o efeito de borda é positivo sobre a comunidade de Chrysomelidae; que há influência contrastante da distribuição dos fragmentos (i.e., diversidade de Simpson) sobre as comunidades de Chrysomeloidea e Chrysomelidae. Fornecemos um novo patamar sobre as interações ecológicas desse grupo com a Caatinga e concluímos que a estrutura e composição da paisagem afetam diretamente as comunidades de Chrysomeloidea.

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  • GABRIEL DE SOUZA GHEDIN
  • Padrões da comunidade de invertebrados associados a depósitos de guano de morcegos insetívoros em bat caves do semiárido brasileiro

  • Orientador : LUCIANA IANNUZZI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DEBORA BARBOSA DE LIMA MELO
  • EDER SILVA BARBIER
  • LUCIANA IANNUZZI
  • RENATO PORTELA SALOMAO
  • Data: 14/10/2021

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  • Apesar do avanço gradativo do conhecimento sobre as cavernas, existem lacunas do conhecimento sobre os padrões das comunidades de invertebrados cavernícolas. Invertebrados associados a guano de morcegos insetívoros em cavernas do semiárido brasileiro foram caracterizados e buscou-se compreender padrões de distribuição dessas comunidades de acordo com a latitude, características físicas e microclimáticas das cavernas e dos depósitos de guano. Procurou-se determinar a ocupação de nicho das espécies mais abundantes no guano. Foi realizado um evento amostral em sete bat caves, sendo duas delas hot caves. Amostras de guano foram coletadas e medidas de temperatura e umidade dos depósitos e das câmaras, além de latitude, projeção horizontal e índice de estabilidade ambiental das cavernas foram tomadas. Foram coletados 15265 invertebrados de 169 espécies e Ornithodoros rodoniensis foi registrada pela primeira vez na Caatinga. A composição de espécies não variou entre hot e não hot caves. A riqueza de espécies foi melhor explicada pela temperatura da câmara e umidade do guano. Quatro espécies de Acari apresentaram hábitos generalistas e duas foram mais especialistas. Os resultados desse estudo permitem uma melhor compreensão de padrões de uso do guano de morcegos insetívoros por invertebrados cavernícolas, podendo auxiliar na proposição de boas estratégias para a conservação de cavernas da Caatinga brasileira.


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  • Apesar do avanço gradativo do conhecimento sobre as cavernas, existem lacunas do conhecimento sobre os padrões das comunidades de invertebrados cavernícolas. Invertebrados associados a guano de morcegos insetívoros em cavernas do semiárido brasileiro foram caracterizados e buscou-se compreender padrões de distribuição dessas comunidades de acordo com a latitude, características físicas e microclimáticas das cavernas e dos depósitos de guano. Procurou-se determinar a ocupação de nicho das espécies mais abundantes no guano. Foi realizado um evento amostral em sete bat caves, sendo duas delas hot caves. Amostras de guano foram coletadas e medidas de temperatura e umidade dos depósitos e das câmaras, além de latitude, projeção horizontal e índice de estabilidade ambiental das cavernas foram tomadas. Foram coletados 15265 invertebrados de 169 espécies e Ornithodoros rodoniensis foi registrada pela primeira vez na Caatinga. A composição de espécies não variou entre hot e não hot caves. A riqueza de espécies foi melhor explicada pela temperatura da câmara e umidade do guano. Quatro espécies de Acari apresentaram hábitos generalistas e duas foram mais especialistas. Os resultados desse estudo permitem uma melhor compreensão de padrões de uso do guano de morcegos insetívoros por invertebrados cavernícolas, podendo auxiliar na proposição de boas estratégias para a conservação de cavernas da Caatinga brasileira.

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  • BRUNA MARCELA TEIXEIRA DE ANDRADE
  • Paisagem acústica em um fragmento de Mata Atlântica com diferentes anos de reflorestamento

  • Orientador : BRUNA MARTINS BEZERRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIAN PAUL ASHTON BARNETT
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • JOÃO PEDRO SOUZA ALVES
  • PEDRO IVO SIMOES
  • Data: 29/10/2021

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  • A mineração é uma das causas de mudanças na paisagem de florestas, essas modificações resultam em fragmentação, perda de hábitat e da biodiversidade. As armadilhas sonoras, são tecnologias emergentes que permitem amostrar as atividades acústicas de comunidades de animais e os sons das paisagens, auxiliando em monitoramentos da biodiversidade. O estudo foi realizado em um fragmento de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil, desmatado em partes para mineração, e posteriormente reflorestado. Os dados foram coletados por gravadores autônomos, instalados simultaneamente em cinco áreas com diferentes períodos de regeneração florestal (área “nativa”, áreas reflorestadas em 1989, 1999, 2009 e 2019). Realizamos gravações por 72 horas, 15 minutos por hora, em seis meses sendo três secos e três chuvoso. As gravações foram analisadas no Kaleidoscope, com contagens dos sonótipos através de clusters resultando em 366.700 morfoespécies acústicas de biofonia, 24.370 como geofonia e 8.158 de antropofonia no período seco e 386.339 morfoespécies acústicas de biofonia, 36.484 como geofonia e 5.850 de antropofonia. Calculamos sete índices acústicos: Índice de Complexidade Acústica (ACI), Índice de Diversidade Acústica (ADI), Índice de Regularidade Acústica (AEI), Índice Bioacústico (BIO), Entropia Total (H), Eventos por segundo (EVN) e Índice de paisagem sonora de diferença normalizada (NDSI) para aferir tanto a abundância como a diversidade acústica. Desses, os que apresentam melhor representação da configuração da paisagem foram NDSI, AEI e H.


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  • A mineração é uma das causas de mudanças na paisagem de florestas, essas modificações resultam em fragmentação, perda de hábitat e da biodiversidade. As armadilhas sonoras, são tecnologias emergentes que permitem amostrar as atividades acústicas de comunidades de animais e os sons das paisagens, auxiliando em monitoramentos da biodiversidade. O estudo foi realizado em um fragmento de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil, desmatado em partes para mineração, e posteriormente reflorestado. Os dados foram coletados por gravadores autônomos, instalados simultaneamente em cinco áreas com diferentes períodos de regeneração florestal (área “nativa”, áreas reflorestadas em 1989, 1999, 2009 e 2019). Realizamos gravações por 72 horas, 15 minutos por hora, em seis meses sendo três secos e três chuvoso. As gravações foram analisadas no Kaleidoscope, com contagens dos sonótipos através de clusters resultando em 366.700 morfoespécies acústicas de biofonia, 24.370 como geofonia e 8.158 de antropofonia no período seco e 386.339 morfoespécies acústicas de biofonia, 36.484 como geofonia e 5.850 de antropofonia. Calculamos sete índices acústicos: Índice de Complexidade Acústica (ACI), Índice de Diversidade Acústica (ADI), Índice de Regularidade Acústica (AEI), Índice Bioacústico (BIO), Entropia Total (H), Eventos por segundo (EVN) e Índice de paisagem sonora de diferença normalizada (NDSI) para aferir tanto a abundância como a diversidade acústica. Desses, os que apresentam melhor representação da configuração da paisagem foram NDSI, AEI e H.

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  • JOSE RODOLFO DE LIMA E SILVA
  • Sazonalidade de impacto ambiental decorrente do fluxo turístico em Porto de Galinhas – Ipojuca (PE), avaliada por danos genômicos em Abudefduf saxatilis

  • Orientador : MONICA LUCIA ADAM
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CHRISTINA BRASILEIRO VIDAL
  • MONICA LUCIA ADAM
  • PAULO JORGE PARREIRA DOS SANTOS
  • PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • Data: 29/10/2021

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  • A ocupação turística nos litorais é um processo que gera preocupação ao setor ambiental por ameaçar a estabilidade dos vários ecossistemas costeiros. Por esta razão é importante realizar monitoramentos ambientais que analisem e quantifiquem o impacto ambiental dos seus ecossistemas. A praia de Porto de Galinhas (Pernambuco - Brasil) possui uma das maiores demandas de visitação do Brasil e sofreu igualmente as restrições de mobilidade humana devido à pandemia do Covid 19. Tais restrições possibilitaram avaliar o impacto do turismo na praia de Porto de Galinhas e o efeito da desocupação turística durante o período de lockdown de 2020. Amostras de sangue da espécie Abudefduf saxatilis (Linnaeus, 1758) foram coletadas mensalmente, durante um ano e no trimestre de lockdown, para realização do Teste de Micronúcleo (MN), Alterações Morfológicas Nucleares (AMN) e de forma sazonal (período seco/chuvoso) do Ensaio Cometa. Como grupo controle, espécimes de A. saxatilis foram coletados em área de proteção ambiental na praia de Tamandaré (68Km de Porto de Galinhas). Os teste de MN e AMN mostraram a relação da maior freqüência de danos genômicos com o maior fluxo turístico. Em relação à sazonalidade pluviométrica, o ensaio cometa demonstrou uma maior incidência de danos genômicos no período seco o qual apresenta também maior migração turística, do que no chuvoso. O período de lockdown apresentou uma menor incidência de danos genotóxicos do que o período sem restrição de mobilidade humana e maior do que o controle o controle. Os resultados mostraram que o turismo vem causando significativo impacto ambiental na praia de Porto de Galinhas. As observações levantadas no período de lockdown mostraram como a ausência da movimentação humana resultou em mudanças favoráveis à recuperação ambiental, demonstrada pela menor freqüência de danos genômicos.


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  • A ocupação turística nos litorais é um processo que gera preocupação ao setor ambiental por ameaçar a estabilidade dos vários ecossistemas costeiros. Por esta razão é importante realizar monitoramentos ambientais que analisem e quantifiquem o impacto ambiental dos seus ecossistemas. A praia de Porto de Galinhas (Pernambuco - Brasil) possui uma das maiores demandas de visitação do Brasil e sofreu igualmente as restrições de mobilidade humana devido à pandemia do Covid 19. Tais restrições possibilitaram avaliar o impacto do turismo na praia de Porto de Galinhas e o efeito da desocupação turística durante o período de lockdown de 2020. Amostras de sangue da espécie Abudefduf saxatilis (Linnaeus, 1758) foram coletadas mensalmente, durante um ano e no trimestre de lockdown, para realização do Teste de Micronúcleo (MN), Alterações Morfológicas Nucleares (AMN) e de forma sazonal (período seco/chuvoso) do Ensaio Cometa. Como grupo controle, espécimes de A. saxatilis foram coletados em área de proteção ambiental na praia de Tamandaré (68Km de Porto de Galinhas). Os teste de MN e AMN mostraram a relação da maior freqüência de danos genômicos com o maior fluxo turístico. Em relação à sazonalidade pluviométrica, o ensaio cometa demonstrou uma maior incidência de danos genômicos no período seco o qual apresenta também maior migração turística, do que no chuvoso. O período de lockdown apresentou uma menor incidência de danos genotóxicos do que o período sem restrição de mobilidade humana e maior do que o controle o controle. Os resultados mostraram que o turismo vem causando significativo impacto ambiental na praia de Porto de Galinhas. As observações levantadas no período de lockdown mostraram como a ausência da movimentação humana resultou em mudanças favoráveis à recuperação ambiental, demonstrada pela menor freqüência de danos genômicos.

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  • PATRICIA MARQUES DO AMARAL OLIVEIRA
  • Nível de desidratação voluntária de dois lagartos de forrageamentos distintos em uma área de Caatinga do Estado de Pernambuco, Brasil

  • Orientador : PEDRO MURILO SALES NUNES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLA PIANTONI
  • LUISA MARIA DIELE VIEGAS COSTA SILVA
  • PEDRO IVO SIMOES
  • PEDRO MURILO SALES NUNES
  • Data: 29/10/2021

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  • Nesse estudo primeiramente buscamos caracterizar a dieta das espécies Ameivula ocellifera e Tropidurus cocorobensis na Caatinga. A composição de presas pode ser influenciada por diversos fatores, tais como: idade, fisiologia, disponibilidade alimentar, comportamento e modo de forrageamento. Este último pode funcionar como um importante preditor do tipo de presa a ser consumida. Concluímos que na dieta de A. ocellifera, o item mais frequente foi Isoptera e na dieta de T. cocorobensis, Formicidae. Este resultado é interessante porque coincide com o observado por Huey e Pianka (1974) acerca da influência do forrageio na dieta. O entendimento da dieta dessas espécies fornece base para discutirmos o segundo capítulo, onde calculamos a umidade do conteúdo estomacal. Observamos que A. ocellifera consome uma dieta mais úmida em comparação com T. cocorobensis, o que pode ser reflexo de uma estratégia para contornar a falta de água disponível no ambiente. Também testamos uma nova metodologia de mensuração do estado hídrico de lagartos. Resultados mostram que A. ocellifera estava em um déficit hídrico maior, o que pode refletir diversos aspectos fisiológicos, ecológicos, evolutivos. O estado de desidratação de T. cocorobensis está significativamente relacionado à temperatura do solo, talvez por uma estratégia visando reduzir a perda de água. Os resultados expostos são importantes para o entendimento de como a ecologia alimentar de lagartos pode estar relacionada a desidratação, trazendo novidades acerca da exposição de lagartos em ambientes secos.


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  • Nesse estudo primeiramente buscamos caracterizar a dieta das espécies Ameivula ocellifera e Tropidurus cocorobensis na Caatinga. A composição de presas pode ser influenciada por diversos fatores, tais como: idade, fisiologia, disponibilidade alimentar, comportamento e modo de forrageamento. Este último pode funcionar como um importante preditor do tipo de presa a ser consumida. Concluímos que na dieta de A. ocellifera, o item mais frequente foi Isoptera e na dieta de T. cocorobensis, Formicidae. Este resultado é interessante porque coincide com o observado por Huey e Pianka (1974) acerca da influência do forrageio na dieta. O entendimento da dieta dessas espécies fornece base para discutirmos o segundo capítulo, onde calculamos a umidade do conteúdo estomacal. Observamos que A. ocellifera consome uma dieta mais úmida em comparação com T. cocorobensis, o que pode ser reflexo de uma estratégia para contornar a falta de água disponível no ambiente. Também testamos uma nova metodologia de mensuração do estado hídrico de lagartos. Resultados mostram que A. ocellifera estava em um déficit hídrico maior, o que pode refletir diversos aspectos fisiológicos, ecológicos, evolutivos. O estado de desidratação de T. cocorobensis está significativamente relacionado à temperatura do solo, talvez por uma estratégia visando reduzir a perda de água. Os resultados expostos são importantes para o entendimento de como a ecologia alimentar de lagartos pode estar relacionada a desidratação, trazendo novidades acerca da exposição de lagartos em ambientes secos.

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  • SAFIRA NUBIA DIAS DE MELO
  • COMPARAÇÃO ACÚSTICA ENTRE NINHOS DE TARTARUGAS MARINHAS EM IPOJUCA, LITORAL SUL DE PERNAMBUCO

  • Orientador : BRUNA MARTINS BEZERRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • EDNILZA MARANHAO DOS SANTOS
  • PEDRO MURILO SALES NUNES
  • Data: 30/11/2021

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  • Tartarugas têm sido consideradas como um dos répteis viventes menos vocais. Entretanto, estudos recentes mostraram atividade vocal durante a incubação dos ovos e embaixo da água em espécies marinhas e dulcícolas.  Dos estudos com espécies marinhas, apenas um foi realizado no Brasil. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi descrever e comparar a produção de sinais acústicos em ninhos de Eretmochelys imbricata e Caretta caretta no município de Ipojuca no litoral sul do estado de Pernambuco no nordeste brasileiro. As praias do município de Ipojuca representam importante sítio reprodutivo para as espécies ocorrentes no Brasil. Esta dissertação trás três partes principais: 1- Um referencial teórico contextualizando o tema; 2 – Um capítulo detalhando as informações obtidas sobre a comunicação acústica das espécies-alvo in situ e; 3 – Uma finalização trazendo as principais conclusões no estudo. Foram monitorados 13km de linha costeira, compreendendo cinco praias de Ipojuca para registro dos ninhos. Foram realizadas gravações de cinco ninhos de cada uma das espécies-alvo durante a temporada reprodutiva de outubro 2020 a maio 2021. As gravações dos ninhos foram iniciadas a partir dos 45° dias de incubação e encerradas após a saída dos filhotes do ninho. Para três dos cinco ninhos de cada espécie, também realizamos registros acústicos dos filhotes durante a caminhada para o mar. Foram construídos espectrogramas das gravações através do software Raven Pro 1.5 para extração das características físicas dos sinais acústicos. Foram encontrados um total de 15 tipos de sinais acústicos, distribuídos entre os cinco contextos analisados (i.e. ovos, a eclosão, filhotes, emergência do ninho e caminhada para o mar) para Caretta caretta, e apenas cinco para Eretmochelys imbricata. Os sons encontrados nesta pesquisa, variaram de 0,61 kHz, até frequências ultrasônicas chegaram à 24 kHh. Considerando o tipo de vocalização mais representativo em ambas as espécies (vocalização tipo 1), foi possível verificar que a estrutura física das vocalizações variou entre os ninhos das espécies, evidenciando uma assinatura vocal. A estrutura física dessa vocalização também variou entre ninhos da espécie Caretta caretta, mas não entre ninhos da espécie Eretmochelys imbricata. Com relação ao padrão total de produção das vocalizações, houve ausência de diferenças na produção de vocalizações entre períodos diurno e noturno, e entre as espécies dentro do ninho e durante a caminhada para o mar. Não houve correlação entre a produção de vocalizações e a quantidade de filhotes vivos. Apesar da fama de silenciosas, o presente estudo mostra uma diversidade de vocalizações no repertório vocal de duas espécies de tartarugas marinhas no Brasil, indicando que comunicação acústica pode ter um papel crucial para coordenação dos filhotes nos ninhos até a chegada das tartarugas ao mar após a emergência.


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  • Tartarugas têm sido consideradas como um dos répteis viventes menos vocais. Entretanto, estudos recentes mostraram atividade vocal durante a incubação dos ovos e embaixo da água em espécies marinhas e dulcícolas.  Dos estudos com espécies marinhas, apenas um foi realizado no Brasil. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi descrever e comparar a produção de sinais acústicos em ninhos de Eretmochelys imbricata e Caretta caretta no município de Ipojuca no litoral sul do estado de Pernambuco no nordeste brasileiro. As praias do município de Ipojuca representam importante sítio reprodutivo para as espécies ocorrentes no Brasil. Esta dissertação trás três partes principais: 1- Um referencial teórico contextualizando o tema; 2 – Um capítulo detalhando as informações obtidas sobre a comunicação acústica das espécies-alvo in situ e; 3 – Uma finalização trazendo as principais conclusões no estudo. Foram monitorados 13km de linha costeira, compreendendo cinco praias de Ipojuca para registro dos ninhos. Foram realizadas gravações de cinco ninhos de cada uma das espécies-alvo durante a temporada reprodutiva de outubro 2020 a maio 2021. As gravações dos ninhos foram iniciadas a partir dos 45° dias de incubação e encerradas após a saída dos filhotes do ninho. Para três dos cinco ninhos de cada espécie, também realizamos registros acústicos dos filhotes durante a caminhada para o mar. Foram construídos espectrogramas das gravações através do software Raven Pro 1.5 para extração das características físicas dos sinais acústicos. Foram encontrados um total de 15 tipos de sinais acústicos, distribuídos entre os cinco contextos analisados (i.e. ovos, a eclosão, filhotes, emergência do ninho e caminhada para o mar) para Caretta caretta, e apenas cinco para Eretmochelys imbricata. Os sons encontrados nesta pesquisa, variaram de 0,61 kHz, até frequências ultrasônicas chegaram à 24 kHh. Considerando o tipo de vocalização mais representativo em ambas as espécies (vocalização tipo 1), foi possível verificar que a estrutura física das vocalizações variou entre os ninhos das espécies, evidenciando uma assinatura vocal. A estrutura física dessa vocalização também variou entre ninhos da espécie Caretta caretta, mas não entre ninhos da espécie Eretmochelys imbricata. Com relação ao padrão total de produção das vocalizações, houve ausência de diferenças na produção de vocalizações entre períodos diurno e noturno, e entre as espécies dentro do ninho e durante a caminhada para o mar. Não houve correlação entre a produção de vocalizações e a quantidade de filhotes vivos. Apesar da fama de silenciosas, o presente estudo mostra uma diversidade de vocalizações no repertório vocal de duas espécies de tartarugas marinhas no Brasil, indicando que comunicação acústica pode ter um papel crucial para coordenação dos filhotes nos ninhos até a chegada das tartarugas ao mar após a emergência.

Teses
1
  • EDSON SILVA BARBOSA LEAL
  • Potencial espeleológico, mobilidade e uso do habitat de grandes congregações de morcegos no carste arenítico do Parque Nacional do Catimbau e área de entorno, Nordeste do Brasil


  • Orientador : ENRICO BERNARD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JUAN CARLOS VARGAS MENA
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • ENRICO BERNARD
  • FILIPE MARTINS ALÉSSIO
  • LUIZ AUGUSTINHO MENEZES DA SILVA
  • MARTIN ALEJANDRO MONTES
  • Data: 27/07/2021

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  • Nesse estudo, foram analisados o potencial espeleológico do Parque Nacional do Catimbau, e entorno, situado no estado do Pernambuco, nordeste do Brasil, bem como a quiropterofauna associada às cavernas da área, e investigada a mobilidade de morcegos entre duas cavernas com grandes populações. Um mapa virtual com informações georreferenciadas e metadados de 252 cavidades registradas é apresentado. Destas, 53 cavernas possuem registros de 16 táxons, 13 gêneros e cinco famílias de morcegos. Populações de quatro espécies ameaçadas de morcegos foram encontradas. Dezessete campanhas de captura-marcação-recaptura de morcegos foram realizadas entre março de 2018 e janeiro de 2020 em duas cavernas e foram detectados movimentos entre as duas cavernas, distantes 15 km entre si, projetando um amplo uso da paisagem pelos morcegos. O estudo aponta que as populações destas cavernas utilizam múltiplos abrigos. Estas constatações devem ser consideradas nas discussões sobre a conservação de morcegos cavernícolas no Brasil, bem como nas discussões sobre as normativas que regem o licenciamento ambiental de áreas cársticas no país. Os dados apresnetados também podem ser úteis na elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional do Catimbau.


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  • No dia trinta (30) do mês de julho do ano de dois mil e vinte (30/07/2020), as dez horas (10h), através de videoconferência, foi aberta pelo Prof. Ulisses dos Santos Pinheiro, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco, a sessão  pública de Exame de Qualificação  para a apresentação e defesa do trabalho intitulado: “ A fauna de morcegos cavernícolas e o potencial espeleológico do Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, Brasil”, elaborado pelo doutorando Edson Silva Barbosa Leal, sob a orientação do Dr. Enrico Bernard (Depto. Zoologia/UFPE). A Banca Examinadora fora aprovada pelo Colegiado de Curso, em sessão realizada no dia 23/07/2020, composta pelos seguintes membros: Dra. Bruna Martins Bezerra, Dr. Pedro Murilo Sales Nunes (ambos vinculados ao Depto. Zoologia/UFPE) – membros internos, e Dr. Filipe Martins Aléssio (UPE) – membro externo. Dando continuidade, o presidente convocou os membros da Banca e os demais presentes para assistirem a apresentação do trabalho do candidato, informando que o mesmo dispunha de trinta (30) minutos para tal apresentação. Em seguida, o candidato foi arguido por cada examinador, sob forma de diálogo, tendo cada um, o prazo de quarenta (40) minutos para as perguntas e respostas. Após a apresentação e debate, a Banca Examinadora, deliberando em recinto fechado, resolveu, por unanimidade, aprovar o candidato em consonância com o Artigo 35 do Regimento Interno do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco. Nada mais havendo a tratar, eu, Manoel Oswaldo Guimarães Júnior, Assistente em Administração do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal/UFPE, lavrei a presente Ata, que assino juntamente com o candidato, a Banca Examinadora e com quem de direito.

2
  • RADHARANNE BRITO DE GARCIA RECINOS
  • TAXONOMIA DA FAMÍLIA RASPAILIIDAE NARDO, 1833 (PORIFERA: DEMOSPONGIAE) PARA A AMÉRICA DO SUL

  • Orientador : ULISSES DOS SANTOS PINHEIRO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDRE FELIPE BISPO DA SILVA
  • ALEXANDRE OLIVEIRA DE ALMEIDA
  • FERNANDA FERNANDES CAVALCANTI
  • GUILHERME RAMOS DA SILVA MURICY
  • RALF TARCISO SILVA CORDEIRO
  • ULISSES DOS SANTOS PINHEIRO
  • Data: 16/11/2021

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  • Raspailiidae é uma família muito diversa, com 277 espécies, distribuídas mundialmente. Na América do Sul, são conhecidas 32 espécies de Raspailiidae, o Brasil é o país com a maior diversidade, atualmente com 22 espécies, seguido pelo Suriname com quatro, Chile, Colômbia e Peru, com três espécies, Argentina com duas espécies, e Equador, Guiana, Uruguai e Venezuela, com uma espécie. O objetivo do trabalho foi revisar os espécimes da Família Raspailiidae para a costa da América do Sul, depositados nas coleções do Museu Nacional – UFRJ e da Universidade Federal de Pernambuco, identificando, descrevendo ou caracterizando esses espécimes. Foram triados 482 espécimes, totalizando 29 espécies descritas, dessas, dez são novas espécies, e três já foram publicadas: Eurypon hookeri, E. lacertus, Plocamione matarani, sete espécies ainda serão publicadas: Eurypon sp. nov., cinco novas espécies pertencentes ao subgênero Raspailia (Raspaxilla) e uma a R. (Parasyringella) sp. nov, sendo o primeiro registro do subgênero para o Brasil. Além disso, o holótipo de R. (Raspailia) tenuis foi redescrito e foram invalidados os registros de R. (Parasyringella) sp. e R. (Raspaxilla) phakellina. Foi proposto a mudança de gênero de Axinella crinita para Raspailia e foram descritos novos registros de Endectyon (Endectyon) xerampelina para a costa brasileira e foi proposto R. (Raspailia) johnhooperi como seu sinônimo júnior.


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  • No dia quatro (04) do mês de dezembro do ano de dois mil e dezoito (04/12/2018), às nove horas (9h), na sala de aula 04 do Centro de Biociências, foi aberta pelo Prof. Ulisses dos Santos Pinheiro, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal/UFPE, a sessão pública de Exame de Qualificação para a apresentação e defesa do trabalho intitulado: "A synopsis of Brazilian Raspailia Nardo, 1833 (Porifera: Demospongiae: Axinellida), with the description of four new species",elaborado pela doutoranda Radharanne Brito de Garcia Recinos,sob a orientação do Dr. Ulisses dos Santos Pinheiro (Depto. Zoologia/UFPE). A Banca Examinadora fora aprovada pelo respectivo Colegiado de Curso, em sessão realizada no dia 14/11/2018, composta pelos seguintes membros: Dra. Luciana Iannuzzi (Depto. Zoologia/UFPE), Dr. Carlos Daniel Pérez (CAV/UFPE) – membros internos, e Dr. Emílio Lanna(Instituto de Biologia/UFBA) – membro externo. Dando continuidade, o presidente convocou os membros da Banca e os demais presentes para assistirem a apresentação do trabalho da candidata, informando que a mesma dispunha de trinta (30) minutos para tal apresentação. Em seguida, a candidata foi argüida por cada examinador, sob forma de diálogo, tendo, cada um, o prazo de quarenta (40) minutos para as perguntas e respostas. Após a apresentação e debate, a Banca Examinadora, deliberando em recinto fechado, resolveu, por unanimidade, aprovar a candidata em consonância com o Artigo 35 do Regimento Interno do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco. Nada mais havendo a tratar, eu, Manoel Oswaldo Guimarães Júnior, secretário do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal/UFPE, lavrei a presente Ata, que assino juntamente com a candidata, a Banca Examinadora e com quem de direito. Recife, 04 de dezembro de 2018.

3
  • ROMULO NEPOMUCENO ALVES
  • Biomarcadores ecotoxicológicos em peixes para o monitoramento da poluição por petróleo em rios e estuários de Pernambuco

  • Orientador : PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • CRISTIANE MARIA VARELA DE ARAUJO DE CASTRO
  • JOAO LUCAS LEAO FEITOSA
  • LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
  • MONICA LUCIA ADAM
  • PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • Data: 26/11/2021

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  • Ecossistemas aquáticos são o principal destino de rejeitos das atividades urbanas, industriais e agrícolas, e estima-se que cerca de 100.000 moléculas orgânicas sejam lançadas nesses ambientes, diminuindo a qualidade da água e a saúde da biota. Os estágios iniciais de desenvolvimento de peixes são uma ferramenta importante para a detecção da toxicidade de sustâncias isoladas ou de misturas, e alterações nessa fase do desenvolvimento podem estar diretamente relacionadas à presença de contaminantes no ambiente. O presente estudo teve como objetivo investigar a ecotoxicidade das águas superficiais de onze bacias hidrográficas de Pernambuco para embriões e larvas do zebrafish (Danio rerio) através da análise de efeitos letais e subletais, das possíveis fontes de contaminantes, e avaliar correlação da toxicidade com os índices de qualidade da água (IQA) e de estado trófico (IET). Inicialmente os embriões de zebrafish foram expostos a amostras de águas superficiais de dez bacias hidrográficas de rios tropicais, totalizando 55 pontos de coleta. Posteriormente embriões foram expostos a amostras de 10 pontos de coleta do rio Capibaribe. Foram analisadas as taxas de letalidade, atrasos no desenvolvimento embriolarval e frequências de anomalias do desenvolvimento. Mortalidade significativa foi observada em 7 das 10 bacias analisadas, variando entre 10% e 40%. As maiores taxas de mortalidade de 40% e 30% foram detectadas nas bacias dos rios Goiana e Una, respectivamente. A análise dos efeitos subletais com base no General Morphology Score (GMS) indicou toxicidade significativa em 50% das amostras coletadas. As bacias dos rios Igarassu (grupo 1) e Pirapama (grupo 3), respectivamente ao norte e ao sul da região metropolitana de Recife (RMR), apresentaram a menor taxa de toxicidade subletal entre as bacias estudadas, com 29% dos pontos de coleta com toxicidade subletal estatisticamente significativa quando comparados com o controle. A maior toxicidade foi detectada nas bacias do Grupo 2, na região metropolitana de Recife, indicando que 61% das amostras apresentaram toxicidade subletal, com o GMS variando entre 14,1 e 17,6. Os grupos 1 e 3 apresentaram 41% e 47% das amostras com toxicidade subletal significativa, respectivamente, com GMS variando entre 15,4 e 17,7. As alterações de desenvolvimento mais frequentes incluíram o não insuflamento da bexiga natatória, atraso na eclosão, não protrusão da boca e estase sanguínea, com destaque para o não insuflamento da bexiga natatória, que apresentou frequência de 100% em algumas estações de coleta. Para a bacia do rio Capibaribe foi observado um padrão espacial de menor impacto, em termos de contaminação por esgoto doméstico, eutrofização ecotoxicidade, em áreas rurais (GMS médio 16,9), um impacto intermediário em locais com influência urbana e agrícola (GMS médio 16.4), e os maiores impactos em locais mais urbanizados (GMS médio 14,9). Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) foram detectados tanto em áreas rurais quanto urbanizadas do Rio Capibaribe, contribuindo para a toxicidade detectada. As anomalias de desenvolvimento mais frequentes incluíram não insuflamento da bexiga natatória, atraso na eclosão, não protrusão da boca, estase sanguínea e não desenvolvimento das nadadeiras peitorais. Em todo o estudo as maiores frequências de estase sanguínea foram detectadas em amostras com maiores concentrações de NH3, corroboradas por uma correlação positiva, sugerindo a existência de uma relação causal. Também foi detectada uma correlação entre GMS, Índice de Qualidade da Água (IQA), sensível à contaminação de esgoto doméstico, e Índice de Estado Trófico (IET), com foco na eutrofização. Este estudo demonstra o potencial dos estágios iniciais da vida do zebrafish como um modelo ecotoxicológico para avaliar a toxicidade de águas superficiais de rios tropicais, podendo assim contribuir para um melhor entendimento entre o potencial tóxico das fontes poluidoras e os efeitos adversos sofridos pela biota residente nesses ambientes.


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  • Spatial and temporal variation in contamination and toxicity of surface water along rural and urban regions of Capibaribe River in tropical northeastern Brazil

2017
Dissertações
1
  • FLAVIA ROBERTA SANTOS ANDRADE
  • ANÁLISE DA ESTRUTURA E DIVERSIDADE GENÉTICA DO TUBARÃO TIGRE (GALEOCERDO CUVIER, PÉRON & LESUEUR, 1822) NA COSTA DE PERNAMBUCO E NO ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA

  • Orientador : RODRIGO AUGUSTO TORRES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RODRIGO AUGUSTO TORRES
  • ROSANGELA PAULA TEIXEIRA LESSA
  • FLAVIA LUCENA FREDOU
  • SERGIO MAIA QUEIROZ LIMA
  • Data: 13/02/2017

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  • O conhecimento da estrutura dos estoques de uma espécie é de grande importância para o manejo e conservação, principalmente em tubarões. O tubarão tigre, Galeocerdo cuvier (Péron & Lesueur, 1822), é um dos principais protagonistas dos ataques de tubarão no Brasil e no Mundo. A estrutura genética do tubarão tigre foi investigada na costa da Região Metropolitana do Recife (Pernambuco, Brasil), no arquipélago oceânico de Fernando de Noronha e no Mundo. Os dados obtidos mostram índices de diversidade de moderado a alto, sendo possível argumentar em favor de que G. cuvier é uma espécie com boa resiliência em termos ecológicos. Os testes bayesianos e amova (0,02519 p > 0.05 p/ CR), indicam que Fernando de Noronha (FN) e a Região metropolitana do Recife (MRR) são geneticamente semelhantes, formando uma população coesa. Essa evidência é favorável as ações de mitigação dos ataques a humanos na MRR, uma vez que favorecem a manutenção de uma população historicamente consolidada. Os testes de estruturação confirmaram a distinção da espécie globalmente em duas linhagens (K = 2), sendo uma do Indo-pacífico e a outra do Atlântico Norte. E essas linhagens compartilham haplótipos com o Brasil (Atlântico Sul). Esses dados, são favoráveis a possibilidade do Atlântico Sul como uma zona de agregação de G. cuvier.


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  • O conhecimento da estrutura dos estoques de uma espécie é de grande importância para o manejo e conservação, principalmente em tubarões. O tubarão tigre, Galeocerdo cuvier (Péron & Lesueur, 1822), é um dos principais protagonistas dos ataques de tubarão no Brasil e no Mundo. A estrutura genética do tubarão tigre foi investigada na costa da Região Metropolitana do Recife (Pernambuco, Brasil), no arquipélago oceânico de Fernando de Noronha e no Mundo. Os dados obtidos mostram índices de diversidade de moderado a alto, sendo possível argumentar em favor de que G. cuvier é uma espécie com boa resiliência em termos ecológicos. Os testes bayesianos e amova (0,02519 p > 0.05 p/ CR), indicam que Fernando de Noronha (FN) e a Região metropolitana do Recife (MRR) são geneticamente semelhantes, formando uma população coesa. Essa evidência é favorável as ações de mitigação dos ataques a humanos na MRR, uma vez que favorecem a manutenção de uma população historicamente consolidada. Os testes de estruturação confirmaram a distinção da espécie globalmente em duas linhagens (K = 2), sendo uma do Indo-pacífico e a outra do Atlântico Norte. E essas linhagens compartilham haplótipos com o Brasil (Atlântico Sul). Esses dados, são favoráveis a possibilidade do Atlântico Sul como uma zona de agregação de G. cuvier.

2
  • RAFAEL ANTONIO BRANDÃO
  • ANÊMONAS-DO-MAR DA FAMÍLIA EDWARDSIIDAE DO BRASIL

  • Orientador : PAULA BRAGA GOMES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LEANDRO MANZONI VIEIRA
  • CARLOS DANIEL PEREZ
  • DEBORA DE OLIVEIRA PIRES
  • PAULA BRAGA GOMES
  • Data: 24/02/2017

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  • A família Edwardsiidae, atualmente com cerca de 75 espécies, ocorre em diferentes ambientes marinhos, desde as regiões tropicais até os polos. Apesar desta ampla distribuição pouco se sabe sobre a diversidade do grupo na porção sul do Oceano Atlântico, onde apenas cinco espécies são registradas. Destas, apenas duas são registradas oficialmente para o Brasil: Nematostella vectensis Stephenson, 1935, registrada em 2010 no estado de Pernambuco e Edwardsia migottoi Gusmão, Brandão & Daly, 2016, endêmica do país e ocorrendo nas costas dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo indicam alguns trabalhos, desde 1967 indivíduos do gênero Edwardsia são citados como parte da anemonofauna da costa brasileira, porém, nenhum destes registros oferece uma descrição detalhada nem identificação em nível de espécie e até o momento pouco da diversidade dessas anêmonas é conhecido. Assim, este trabalho é o primeiro a tratar a diversidade da Família Edwardsiidae na costa brasileira. Este estudo foi conduzido fazendo uso de material que se encontra depositado em coleções de diferentes instituições do país. Os exemplares obtidos foram dissecados sob estereomicroscópio e alguns foram submetidos ao processamento histológico. Foi realizado um inventário das cnidas que ocorrem nos diferentes tecidos destes indivíduos (cnidoma). São descritas neste trabalho cinco espécies, das quais três são novas, pertencentes à três gêneros: Edwardsia migottoi; Scolanthus sp. nov. 1; Scolanthus sp. nov. 2; Scolanthus sp. nov.3 e Nematostella vectensis. Estas espécies haviam sido coletadas na costa dos estados de Pernambuco (E. migottoi) Rio de Janeiro (Scolanthus sp. nov. 2; Scolanthus sp. nov.3), São Paulo (E. migottoi e Scolanthus sp. nov. 1) e Paraná (N. vectensis). Este é o primeiro registro do gênero Scolanthus para o Brasil. Com esses novos registros a família Edwardsiidae passa a ter três espécies novas e o número de espécies que ocorrem na porção sul do Oceano Atlântico sobre de cinco para oito.


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  • A família Edwardsiidae, atualmente com cerca de 75 espécies, ocorre em diferentes ambientes marinhos, desde as regiões tropicais até os polos. Apesar desta ampla distribuição pouco se sabe sobre a diversidade do grupo na porção sul do Oceano Atlântico, onde apenas cinco espécies são registradas. Destas, apenas duas são registradas oficialmente para o Brasil: Nematostella vectensis Stephenson, 1935, registrada em 2010 no estado de Pernambuco e Edwardsia migottoi Gusmão, Brandão & Daly, 2016, endêmica do país e ocorrendo nas costas dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo indicam alguns trabalhos, desde 1967 indivíduos do gênero Edwardsia são citados como parte da anemonofauna da costa brasileira, porém, nenhum destes registros oferece uma descrição detalhada nem identificação em nível de espécie e até o momento pouco da diversidade dessas anêmonas é conhecido. Assim, este trabalho é o primeiro a tratar a diversidade da Família Edwardsiidae na costa brasileira. Este estudo foi conduzido fazendo uso de material que se encontra depositado em coleções de diferentes instituições do país. Os exemplares obtidos foram dissecados sob estereomicroscópio e alguns foram submetidos ao processamento histológico. Foi realizado um inventário das cnidas que ocorrem nos diferentes tecidos destes indivíduos (cnidoma). São descritas neste trabalho cinco espécies, das quais três são novas, pertencentes à três gêneros: Edwardsia migottoi; Scolanthus sp. nov. 1; Scolanthus sp. nov. 2; Scolanthus sp. nov.3 e Nematostella vectensis. Estas espécies haviam sido coletadas na costa dos estados de Pernambuco (E. migottoi) Rio de Janeiro (Scolanthus sp. nov. 2; Scolanthus sp. nov.3), São Paulo (E. migottoi e Scolanthus sp. nov. 1) e Paraná (N. vectensis). Este é o primeiro registro do gênero Scolanthus para o Brasil. Com esses novos registros a família Edwardsiidae passa a ter três espécies novas e o número de espécies que ocorrem na porção sul do Oceano Atlântico sobre de cinco para oito.

2016
Dissertações
1
  • LAURA ESTELA DE MELO
  • Parâmetros comportamentais e reprodutivos para utilização como biomarcadores de desregulação endócrina em Poecilia vivipara

  • Orientador : PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • ANTONIO DA SILVA SOUTO
  • ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • CRISTIANE MARIA VARELA DE ARAUJO DE CASTRO
  • Data: 31/05/2016

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  • Compostos desreguladores endócrinos (CDEs) contaminamecossistemas aquáticos esão capazes de imitar a ação de hormônios endógenos em peixes. Diante disso, este trabalho avaliouprimeiramente os efeitos da exposição de machos adultos de Poecilia viviparaa uma mistura ambiental de contaminantes com atividade estrogênica e ao CDE 17 α-etinilestradiol (EE2), envolvendo a análise química de moléculas estrogênicas na mistura ambiental, e de parâmetros bioquímicos, comportamentais e reprodutivos. Moléculas com atividade estrogênica foram quantificadas por cromatografia líquida com espectrometria de massas nas águasda Lagoa do Araçá (LA), do rio Capibaribe (RC) e no Complexo estuarino da Bacia do Pina (CEBP), região metropolitana de Recife. Machos adultos de P. vivipara cultivados em laboratório foram expostos por 14 dias a água limpa controle (EECT), ea 10ngEE2 L-1 (EE10) e 100 ngEE2 L-1 (EE100).Em paralelo, machos adultos residentes no CEBP foram coletados em LA, e trazidos ao laboratório. Machos expostos ao EE2 em laboratório e residentes no CEBP foram colocados em contato com fêmeas adultas cultivadas no laboratório, e os casais foram monitorados por um sistema de vídeo, com posterior avaliação quantitativa do comportamento sexual pelo software de análise comportamental Smart. Os parâmetros avaliados foram:número de contatos entre machos e fêmeas (NC); duração média dos contatos em segundos(YACUBIAN-FERNANDES et al.); distância média entre machos e fêmeas durante os contatos (DiC). O número de tentativas de cópula dos machos (TC) foi avaliado por observação humana dos vídeos, e a velocidade natatória dos machos isolados foi também quantificada pelo software Smart. Após a interação entre os casais, fêmeas pareadas com machos controle e LA foram mantidas isoladas em aquários por 90 dias para quantificação do sucesso de impregnação (SI) e do número de juvenis produzidos (NJP). Machos dos tratamentos EECT, EE10, EE100 e LA foram sacrificados e a quantidade de vitelogenina no fígado foi avaliada indiretamente por método histoquímico para coloração de fosfoproteínas. As análises cromatográficas indicaram a presença dos estrogênios estriol (E3), estrona (E1), EE2 e estradiol (E2), e de bisfenol A (BPA) nas concentrações médias de 31,8; 19,5; 11,9; 8,6; e 4,2 ng L-1 , respectivamente, nas águas do CEBP, típicas de áreas urbanas contaminadas por esgotos domésticos. Machos expostos ao EE2 e provenientes da Lagoa do Araçá apresentaram indução de vitelogenina (p < 0,05). O número de contatos entre machos e fêmeas, e número de tentativas de cópula dos machos diminuiu nos casais em EE100 e LA (p < 0,05). A distância média entre machos e fêmeas durante os contatos aumentou em EE100 e LA (p < 0,05). Machos isolados expostos a EE10 e EE100 apresentaram hiperatividade natatória, enquanto machos provenientes de LA apresentaram hipoatividade natatória comparado aos controles. Machos de LA impregnaram 55% das fêmeas, enquanto machos controle impregnaram 88% das fêmeas. Fêmeas pareadas com machos controle (FeCt) produziram 7,1 juvenis em média, enquanto fêmeas pareadas com machos de LA (FeLA) produziram 2,7 juvenis (p = 0,019), totalizando 57 juvenis produzidos por FeCt versus 14 juvenis produzidos por FeLA, o que representa uma redução de 75% na geração de potenciais recrutas para a população. No segundo tema deste trabalho, machos e fêmeas adultos cultivados no laboratório foram mantidos isolados e ambos machos e fêmeas foram expostos por 30 dias ao herbicida atrazina nas concentrações 0 (controle-ATCT), 0,5µgL-1 (AT0,5); 5µgL-1 (AT5) e 50 µgL-1 (AT50). Após a exposição, casais foram formados para cada tratamento, e o comportamento sexual foi analisado para o parâmetro TC por observador humano. A atividade natatória de machos e fêmeas mantidos isolados também foi avaliada. Após a exposição e pareamento dos casais, fêmeas de cada tratamento foram mantidas isoladas em aquários por 90 dias, para quantificação do número de ovócitos maduros (NO), e dos índices gonadossomático (IGS) e hepatossomático (Webb and Weihs). Os parâmetros NO, IGS e IHS para as fêmeas não foram alterados significativamente. Nos casais expostos a atrazina foi observada uma redução em TC na concentração de 5 (p > 0,05) e 50 µgL-1 (p < 0,05). Hiperatividade natatória foi detectada nas fêmeas expostas a todas concentrações, e em machos expostos a 5 (p > 0,05) e 50 µg L-1 (p < 0,05). Este estudo quantifica pela primeira vez CDEs estrogênicos em águas da região metropolitana de Recife, e demonstra o efeito de desreguladores endócrinos como o EE2 em laboratório, bem como os efeitos de uma mistura ambiental de contaminantes incluindo CDEs estrogênicos, em biomarcadores bioquímicos, comportamentais e reprodutivos de Poecilia vivipara, que podem afetar a viabilidade populacional em situações ambientalmente realistas.


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  • Compostos desreguladores endócrinos (CDEs) contaminamecossistemas aquáticos esão capazes de imitar a ação de hormônios endógenos em peixes. Diante disso, este trabalho avaliouprimeiramente os efeitos da exposição de machos adultos de Poecilia viviparaa uma mistura ambiental de contaminantes com atividade estrogênica e ao CDE 17 α-etinilestradiol (EE2), envolvendo a análise química de moléculas estrogênicas na mistura ambiental, e de parâmetros bioquímicos, comportamentais e reprodutivos. Moléculas com atividade estrogênica foram quantificadas por cromatografia líquida com espectrometria de massas nas águasda Lagoa do Araçá (LA), do rio Capibaribe (RC) e no Complexo estuarino da Bacia do Pina (CEBP), região metropolitana de Recife. Machos adultos de P. vivipara cultivados em laboratório foram expostos por 14 dias a água limpa controle (EECT), ea 10ngEE2 L-1 (EE10) e 100 ngEE2 L-1 (EE100).Em paralelo, machos adultos residentes no CEBP foram coletados em LA, e trazidos ao laboratório. Machos expostos ao EE2 em laboratório e residentes no CEBP foram colocados em contato com fêmeas adultas cultivadas no laboratório, e os casais foram monitorados por um sistema de vídeo, com posterior avaliação quantitativa do comportamento sexual pelo software de análise comportamental Smart. Os parâmetros avaliados foram:número de contatos entre machos e fêmeas (NC); duração média dos contatos em segundos(YACUBIAN-FERNANDES et al.); distância média entre machos e fêmeas durante os contatos (DiC). O número de tentativas de cópula dos machos (TC) foi avaliado por observação humana dos vídeos, e a velocidade natatória dos machos isolados foi também quantificada pelo software Smart. Após a interação entre os casais, fêmeas pareadas com machos controle e LA foram mantidas isoladas em aquários por 90 dias para quantificação do sucesso de impregnação (SI) e do número de juvenis produzidos (NJP). Machos dos tratamentos EECT, EE10, EE100 e LA foram sacrificados e a quantidade de vitelogenina no fígado foi avaliada indiretamente por método histoquímico para coloração de fosfoproteínas. As análises cromatográficas indicaram a presença dos estrogênios estriol (E3), estrona (E1), EE2 e estradiol (E2), e de bisfenol A (BPA) nas concentrações médias de 31,8; 19,5; 11,9; 8,6; e 4,2 ng L-1 , respectivamente, nas águas do CEBP, típicas de áreas urbanas contaminadas por esgotos domésticos. Machos expostos ao EE2 e provenientes da Lagoa do Araçá apresentaram indução de vitelogenina (p < 0,05). O número de contatos entre machos e fêmeas, e número de tentativas de cópula dos machos diminuiu nos casais em EE100 e LA (p < 0,05). A distância média entre machos e fêmeas durante os contatos aumentou em EE100 e LA (p < 0,05). Machos isolados expostos a EE10 e EE100 apresentaram hiperatividade natatória, enquanto machos provenientes de LA apresentaram hipoatividade natatória comparado aos controles. Machos de LA impregnaram 55% das fêmeas, enquanto machos controle impregnaram 88% das fêmeas. Fêmeas pareadas com machos controle (FeCt) produziram 7,1 juvenis em média, enquanto fêmeas pareadas com machos de LA (FeLA) produziram 2,7 juvenis (p = 0,019), totalizando 57 juvenis produzidos por FeCt versus 14 juvenis produzidos por FeLA, o que representa uma redução de 75% na geração de potenciais recrutas para a população. No segundo tema deste trabalho, machos e fêmeas adultos cultivados no laboratório foram mantidos isolados e ambos machos e fêmeas foram expostos por 30 dias ao herbicida atrazina nas concentrações 0 (controle-ATCT), 0,5µgL-1 (AT0,5); 5µgL-1 (AT5) e 50 µgL-1 (AT50). Após a exposição, casais foram formados para cada tratamento, e o comportamento sexual foi analisado para o parâmetro TC por observador humano. A atividade natatória de machos e fêmeas mantidos isolados também foi avaliada. Após a exposição e pareamento dos casais, fêmeas de cada tratamento foram mantidas isoladas em aquários por 90 dias, para quantificação do número de ovócitos maduros (NO), e dos índices gonadossomático (IGS) e hepatossomático (Webb and Weihs). Os parâmetros NO, IGS e IHS para as fêmeas não foram alterados significativamente. Nos casais expostos a atrazina foi observada uma redução em TC na concentração de 5 (p > 0,05) e 50 µgL-1 (p < 0,05). Hiperatividade natatória foi detectada nas fêmeas expostas a todas concentrações, e em machos expostos a 5 (p > 0,05) e 50 µg L-1 (p < 0,05). Este estudo quantifica pela primeira vez CDEs estrogênicos em águas da região metropolitana de Recife, e demonstra o efeito de desreguladores endócrinos como o EE2 em laboratório, bem como os efeitos de uma mistura ambiental de contaminantes incluindo CDEs estrogênicos, em biomarcadores bioquímicos, comportamentais e reprodutivos de Poecilia vivipara, que podem afetar a viabilidade populacional em situações ambientalmente realistas.

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