AS DIMENSÕES DA INFORMAÇÃO NA ARTE: a obra de Cícero Dias como documento iconográfico memorialístico imagético da cidade de Recife dos anos 1920.
Cícero Dias;Eu Vi o Mundo… Ele Começava no Recife; modernismo regionalista; memória coletiva; informação estética.
O estudo investiga a pintura Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife (1926-1929), de Cícero Dias, sob a perspectiva da Ciência da Informação. A pesquisa é motivada pela problemática de compreender como a informação estética, para além de sua função visual, opera como registro social e histórico, indagando especificamente de que maneira a obra de Dias contribui para a compreensão da dimensão informacional, dos modos e dos costumes do Recife na década de 1920. Nesse sentido, o objetivo principal do estudo é analisar a pintura como um documento iconográfico memorialístico imagético, investigando como as suas representações visuais documentam as transformações urbanas e as tensões identitárias da vida recifense naquele período. O trabalho inicia-se estabelecendo as bases teóricas que entrelaçam Informação, Arte e Memória, defendendo a obra de arte não apenas como objeto estético, mas como um registro informacional institucionalizado e uma interface de exomemória capaz de disputar narrativas coletivas. Em seguida, situa-se o objeto de estudo em seu contexto histórico-social, examinando o impacto das reformas urbanas do governo Sérgio Loreto e o ambiente de efervescência cultural marcado pelo embate entre o modernismo e o regionalismo - elementos que forjaram o olhar “rurbano” de Dias, numa síntese entre a memória agrária dos engenhos e a vivência cosmopolita da capital. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa baseada na triangulação de três eixos analíticos: a Teoria da Intencionalidade Informacional de Miranda - que tem como base os estudos fenomenológicos de Searle -, para compreender a consciência do artista e a direcionalidade da informação; o Método Iconográfico de Panofsky, para decodificar as camadas simbólicas da imagem; e a análise do Cronotopo bakhtiniano, para investigar a fusão indissociável entre tempo e espaço na narrativa pictórica. A aplicação dessa metodologia revela como a obra opera uma síntese fenomenológica, onde tradição e modernidade, o real e o onírico, coexistem em tensão dialética. O estudo aborda ainda a mutilação física sofrida pela pintura em 1931, interpretando-a como um “vazio informacional” que evidencia as disputas de poder e a censura sobre a memória social. Conclui-se que a obra de Cícero Dias transcende a ilustração histórica, atuando como um dispositivo que documenta, codifica e preserva a memória coletiva imagética de um Recife polifônico e em permanente construção.