AVALIACAO DE SISTEMAS HIBRIDOS EOLICO-SOLAR FV E OS DESAFIOS REGULATORIOS PARA COMERCIALIZACAO NO CONTEXTO DO SETOR ELETRICO BRASILEIRO
Centrais Geradoras Híbridas e Associadas; Energia Solar FV; Energia Eólica; Regulação do Setor Elétrico; Coeficiente de Correlação de Pearson; Complementaridade
Este trabalho avaliou a viabilidade técnica e regulatória da implantação de sistemas
híbridos eólico-solar fotovoltaico no Brasil, com foco na otimização do uso da
infraestrutura de transmissão frente aos desafios do atual cenário do setor elétrico
nacional. A partir de uma revisão abrangente da legislação e da experiência
internacional e nacional em hibridização, foi proposta uma metodologia que integra
análise de complementaridade entre recursos, disponibilidade de escoamento no
Sistema Interligado Nacional (SIN), e avaliação da potência instalada ótima com base
em simulações de operação.
O estudo de caso realizado para o município de Petrolina (PE) demonstrou elevado
potencial para geração híbrida, com destaque para a complementaridade entre os
recursos eólico e solar observada por meio do coeficiente de correlação de Pearson,
com valores negativos indicando forte compensação entre os recursos ao longo do
dia. Foram utilizadas séries temporais representativas (anos típicos) obtidas por meio
de dados satelitais processados com algoritmos desenvolvidos em Python.
As simulações de diferentes cenários de potência instalada permitiram identificar a
combinação ótima entre geração eólica e solar de modo a minimizar as
ultrapassagens do Montante de Uso do Sistema de Transmissão (MUST), reduzindo,
assim, o risco de penalidades contratuais. Os resultados indicam que a hibridização
proporciona maior previsibilidade na geração de energia, favorece a operação
integrada e representa uma solução viável para mitigar gargalos de escoamento no
sistema, sem a necessidade imediata de expansão da rede elétrica.
Apesar dos avanços regulatórios recentes, como as resoluções normativas da ANEEL
nº 954/2021 e nº 1.071/2023, o trabalho ressalta a necessidade de maior clareza e
previsibilidade regulatória para fomentar a expansão dessa modalidade. Conclui-se
que a hibridização é uma alternativa tecnicamente eficiente e reguladoramente
promissora, sendo estratégica para o crescimento sustentável da participação de
fontes renováveis na matriz elétrica brasileira.