AVALIACAO AGRONOMICA DO DIGESTATO DE ESTERCO BOVINO E NANOMOLECULAS DE CARBONO NO CULTIVO DE CULTURA BIOENERGETICA
Digestão anaeróbia; Fertilizante orgânico; C-Dots; cultura bioenergética
O Brasil se apresenta hoje em quarto lugar dentre os principais produtores de grãos mundiais. Um dos fatores que pode afetar esse cenário, diminuindo a produção agrícola, é a escassez de fertilizantes, devido à demanda crescente mundial e anual, e aos conflitos políticos que podem dificultar a importação ou exportação dos commodities. Hoje no Brasil, são gerados milhões de toneladas de resíduos orgânicos diariamente, onde, quando manejado corretamente, ocorre o aproveitamento químico e energético. Um processo cada vez mais utilizado é a digestão anaeróbia, que tem como resultado o biogás, e o subproduto da digestão, o digestato, um efluente com elevados teores de nutrientes e que pode ser usado como adubo orgânico. Os estudos sobre os impactos do uso dos digestatos em cultivos agrícolas para as diferentes condições edafoclimáticas no Brasil ainda são limitados . A presente pesquisa teve como objetivo avaliar o desempenho do digestato , oriundo da digestão anaeróbia de esterco bovino, e de nanomoléculas de carbono (C-dots) no cultivo de milho visando o enriquecimento energético da cultura do milho em solo arenoso. O experimento foi conduzido na casa de vegetação do Departamento de Energia Nuclear (DEN) da Universidade Federal de Pernambuco, utilizando delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições. Os tratamentos testados foram: T1:controle (sem fertilização); T2: fertilização mineral; T3: fertilização com digestato, parcelado em duas aplicações, um dia antes da semeadura e 15 dias após a semeadura); T4: fertilização com a nanomolécula C–Dot: Arbolina; T5: fertilização com a nanomolécula C–Dot: 702010; T6: combinação da fertilização mineral + nanomolécula C–Dot: Arbolina; T7: combinação da fertilização mineral + nanomolécula C–Dot: 702010; T8: combinação da fertilização com digestato + nanomolécula C–Dot: Arbolina; T9: combinação da fertilização com digestato + nanomolécula C–Dot: 702010. Foram cultivados 3 ciclos de milho por 45 dias cada. Ao final de cada cultivo, o diâmetro do caule, altura da última folha, biomassa seca das plantas e teores de macronutrientes (NPK) nos tecidos vegetais foram avaliados. Os resultados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Os resultados indicam melhores desempenhos de desenvolvimento vegetal entre os tratamentos com uso de digestato, os acúmulos de nutrientes também obtiveram melhores resultados nos tratamentos com digestato. O fertilizante orgânico demonstrou potencial como fertilizante alternativo, contribuindo para o aumento da biomassa do milho e apresentando desempenho equivalente e em alguns casos melhor em comparação ao fertilizante químico convencional.