EFEITO DA GESTAÇÃO E AMAMENTAÇÃO EM MÃES ESQUISTOSSOMÓTICAS NOS CAMUNDONGOS DESCENDENTES PORTADORES DE ASCITE DE EHRLICH: Avaliação das Células Supressoras Derivadas de Mieloides e Metabolismo lipídico dos macrófagos
esquistossomose; amamentação; gestação, carcinoma de ehrlich; ascite
Estudos mostraram que a gestação e amamentação em mães esquistossomóticas podem alterar a resposta imune da prole, para antígeno heterólogos, na vida adulta. No contexto tumoral, os macrófagos M1 apresentam perfil pró-inflamatório e antitumoral, enquanto os M2 estão associados à imunossupressão e progressão do tumor. A análise do acúmulo de lipídios é uma ferramenta importante para compreender as características metabólicas que sustentam esses fenótipos no desenvolvimento tumoral. Quanto as células supressoras derivadas de mieloides (MDSCs), essas exercem um papel crucial na promoção da imunossupressão tumoral, favorecendo a progressão do câncer. Assim, neste estudo, foi avaliado se a infecção materna de camundongos pelo Schistosoma mansoni altera a frequência das populações das MDSCs, M1 e M2 bem como o metabolismo lipídico destes últimos. Para isto, camundongos (Swiss webster) fêmeas foram infectadas com 20 cercárias e acasaladas no 60o dia de infecção. Após o nascimento, parte dos filhotes tiveram suas mães trocadas, formando os grupos experimentais AI (amamentados por mães infectadas), MI (nascidos de mães infectadas), outra parte foi amamentada em suas próprias mães infectadas e não infectadas, MIAI e CONTROLE, respectivamente. Quando adultos, foi implantado no peritônio, células do Carcinoma de Ehrlich. Após 10 dias, os animais foram pesados e o líquido ascítico coletado e avaliado quanto à presença de células MDSCs (CD11b+ Ly6G Ly6C+), M1 (CD16/CD32+/NOS-2+), M2 (CD206+), e perfil lipídico com as sondas Bodipy 493/503 e Bodipy C16. Houve menor ganho de peso dos animais nos descendentes previamente amamentados. Comparado ao grupo CONTROLE, a frequência das MDSCs foi semelhante nos grupos experimentais. Os grupos AI, MI e MIAI apresentaram menor frequência de M1 Bodipy 493/503+, enquanto o grupo AI apresentou menor frequência de M2 e o MIAI apresentou maior frequência de M2 Bodipy 493/503+. Então, no tumor, a gestação e amamentação em mães esquistossomóticas resultou em menor presença de macrófagos M1 lipídicos, porém esta última levou também à redução da frequência de macrófagos M2 que pode favorecer o menor peso corpóreo. Por outro lado, a associação da gestação e de amamentação revelou
que a diminuição de M2 não se manteve e promoveu maior acúmulo lipídico nesta célula, indicando um perfil
imunossupressor e potencialmente favorável à progressão tumoral.