RISCOS ERGONÔMICOS COGNITIVOS E SUA INFLUÊNCIA NA EXECUÇÃO DA TAREFA PRESCRITA/REAL DOS ENFERMEIROS NO SETOR DE HEMODIÁLISE
Ergonomia, Carga Mental, Hemodiálise, Enfermagem, NASA-TLX, Análise Ergonômica da Tarefa (AET).
As ações de segurança no trabalho visam à proteção biopsicossocial dos trabalhadores da saúde.
Tais ações são fundamentais para o desenvolvimento de normas que minimizem os riscos
ocupacionais enfrentados pelos enfermeiros. No setor de hemodiálise, esses riscos, associados à
organização do trabalho e à própria natureza das atividades, têm contribuído para o aumento da
carga mental dos enfermeiros, especialmente devido a fatores ergonômicos cognitivos. Assim, o
estudo teve como objetivo geral analisar a ergonomia da tarefa e os riscos ergonômicos cognitivos
que interferem nas atividades dos enfermeiros no setor de Hemodiálise do Hospital das Clínicas
de Pernambuco/EBSERH. A pesquisa foi de abordagem quanti-qualitativa, descritiva com
população censitária. A análise das tarefas foi realizada com o método de Análise Ergonômica da
Tarefa (AET), e a carga mental por meio do instrumento NASA-TLX. Entre os principais
achados, 81,8% dos enfermeiros relataram que o número de funcionários no setor é insuficiente,
impactando diretamente suas atividades. Além disso, 63,6% afirmaram frequentemente realizar
tarefas fora de suas atribuições, e 54,5% mencionaram dificuldades em completar as tarefas
prescritas durante o turno de trabalho. Foram destacados fatores ambientais e organizacionais que
interferem na execução das atividades laborais e contribuem para a sobrecarga mental.
Evidenciou-se que a inadequação do mobiliário e das condições de trabalho, como poltronas
muito baixas, dificultam a assistência aos pacientes em emergências e espaços apertados entre
máquinas e cadeiras, comprometem a postura física dos profissionais, gerando desconforto e
possíveis danos à saúde. As cobranças excessivas por atividades burocráticas, frequentemente
delegadas aos enfermeiros, também foram apontadas como fonte significativa de sobrecarga
mental. Falhas na comunicação com outros setores e períodos de ausência de profissionalmédico,
para suporte, em momentos críticos. As limitações estruturais, como lapsos de insumos
adequados, equipamentos em mau estado de conservação e a insuficiência de vagas para atender
a demanda, intensificam a pressão sobre os profissionais e elevam o nível de exigência mental
necessário para o desempenho das funções. Ressalta-se a necessidade de intervenções
ergonômicas e organizacionais para promover melhores condições de trabalho, reduzir a
sobrecarga mental dos enfermeiros e garantir a qualidade da assistência prestada no setor de
hemodiálise.