EMPODERAMENTO E ACESSO À REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR: FATORES PSICOSSOCIAIS, INOVAÇÃO DIGITAL E CUIDADO INDIVIDUALIZADO
Palavras-chave: Reabilitação Cardíaca; Doenças Cardiovasculares; Empoderamento para a
Saúde; Telerreabilitação; Depressão; Tecnologia Digital.
A reabilitação cardiovascular (RCV) constitui uma estratégia de prevenção secundária voltada à recuperação funcional, ao controle dos fatores de risco e à melhora da qualidade de vida de indivíduos com doenças cardiovasculares. No contexto contemporâneo do cuidado centrado no paciente, o empoderamento assume relevância ao envolver o desenvolvimento de conhecimentos, autonomia e competências que favoreçam maior participação do indivíduo no gerenciamento da própria condição de saúde. Entretanto, fatores psicossociais, barreiras de acesso e limitações relacionadas à oferta dos serviços podem comprometer a participação, a autonomia e a continuidade do cuidado. Esta tese teve como objetivo investigar, sob a perspectiva do empoderamento e da ampliação do acesso à RCV, diferentes dimensões clínicas, psicossociais e tecnológicas, contemplando a associação entre sintomas depressivos e capacidade funcional, o desenvolvimento e a avaliação de uma plataforma digital para telerreabilitação e a elaboração e avaliação preliminar de um protocolo individualizado e de baixo custo para RCV presencial e por telerreabilitação. A tese foi estruturada em quatro estudos complementares. O primeiro consistiu em análise transversal secundária de dados prospectivamente coletados, incluindo 52 pacientes com cardiopatia crônica, para investigar a associação entre sintomas depressivos e medidas de capacidade funcional. O segundo foi um estudo metodológico destinado ao desenvolvimento, à validação de conteúdo e à avaliação da usabilidade de uma plataforma digital gratuita de telerreabilitação cardíaca, estruturada segundo princípios de design centrado no usuário. O terceiro correspondeu à elaboração de um protocolo de ensaio clínico randomizado e controlado para avaliação de um programa individualizado e de baixo custo de RCV presencial e por telerreabilitação. O quarto compreendeu um estudo piloto destinado à avaliação da viabilidade desse protocolo. No estudo transversal, os modelos de regressão múltipla ajustados demonstraram associação negativa e estatisticamente significativa entre sintomas depressivos e as três medidas de capacidade funcional avaliadas. A plataforma digital foi avaliada por 12 profissionais e 10 pacientes, apresentando coeficientes e índices de validade de conteúdo superiores a 0,90 e elevada usabilidade, com escore System Usability Scale de 95,8 ± 5,4 entre profissionais e 85,7 ± 12,1 entre pacientes. O protocolo de RCV foi estruturado em 24 sessões, distribuídas ao longo de oito semanas, incorporando exercício aeróbico, treinamento resistido, educação em saúde e estratégias de monitorização. O estudo piloto encontra-se em fase de coleta de dados, não sendo possível apresentar conclusões sobre sua viabilidade neste momento. Em conjunto, os achados reforçam a relevância da integração de aspectos psicossociais, funcionais e tecnológicos à RCV e demonstram a possibilidade de desenvolver ferramentas digitais gratuitas, acessíveis e centradas no usuário. Sob a perspectiva do empoderamento, esses produtos podem favorecer condições para maior autonomia, participação e envolvimento do paciente no cuidado, além de contribuir para a redução de barreiras de acesso à RCV; entretanto, seus efeitos diretos sobre empoderamento, adesão e equidade deverão ser estabelecidos em estudos subsequentes.