AVALIAÇÃO INTEGRADA IN SILICO, IN VITRO E IN VIVO DE INIBIDORES BASEADOS EM COMPLEXOS METÁLICOS DIRECIONADOS À MPRO DO SARS-COV-2
Antiviral. Paládio. Ancoragem Molecular. Calu-3. Caenorhabditis elegans.
A pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade urgente de terapias antivirais robustas. Embora a protease principal (Mpro) seja um alvo conservado e estratégico, o inibidor clínico atual, Paxlovid, apresenta limitações como resistência viral, interações medicamentosas e farmacocinética inadequada. Neste contexto, complexos metálicos de paládio, níquel e cobre emergem como alternativas promissoras, capazes de explorar interações moleculares distintas das moléculas orgânicas convencionais. Este estudo tem como objetivo avaliar o potencial inibitório de seis complexos metálicos contra o SARS-CoV-2 através de uma abordagem metodológica integrada. A estratégia combina simulações de ancoragem molecular in silico — visando a Mpro de SARS-CoV-2, SARS-CoV e MERS-CoV — com ensaios de infectividade celular in vitro. Adicionalmente, avalia-se a segurança toxicológica utilizando o modelo Caenorhabditis elegans. Esta investigação visa identificar candidatos a fármacos eficazes e seguros, contribuindo para o desenvolvimento de novas opções terapêuticas de amplo espectro. As análises de ancoragem molecular demonstraram que o composto apresenta alta afinidade pelos sítios ativos da Mpro do SARS-CoV-2, SARS-CoV e MERS-CoV, com GoldScores competitivas em relação ao inibidor Bofutrelvir. O modo de ligação caracteriza-se por uma interação não-covalente do tipo π-Enxofre com o resíduo catalítico Cys145, sugerindo um bloqueio eficaz da atividade enzimática sem os riscos de toxicidade associados a inibidores covalentes irreversíveis. Os ensaios em células Calu-3 revelaram que o complexo Pd(HL1)2 inibe potentemente a replicação do SARS-CoV-2 (IC50 de 3,0 μM), demonstrando eficácia equiparável ao antiviral clínico Molnupiravir e ausência de citotoxicidade nas concentrações avaliadas. Nos ensaios in vivo utilizando o modelo Caenorhabditis elegans, o complexo exibiu um perfil de biocompatibilidade robusto. Não foi observada letalidade aguda, neurotoxicidade ou comprometimento reprodutivo nas concentrações de 4-64,3 μM. A investigação mecanística revelou que doses acima de 16 μM induzem a translocação nuclear do fator de transcrição DAF-16, ativando uma resposta protetora de mitohormese, enquanto as doses 4 e 8 μM não deflagram estresse celular. Em conclusão, o Pd(HL1)2 reúne propriedades promissoras como candidato antiviral, combinando seletividade estrutural pelo alvo viral com segurança fisiológica no modelo animal testado, justificando avanços para outras etapas pré-clínicas em mamíferos.