ANÁLISE CRÍTICA DE ATIVIDADES SOBRE EDUCAÇÃO FINANCEIRA ABORDADAS NA OBEF E NA OLITEF
Educação Financeira Escolar Crítica; Olimpíadas de Educação Financeira; OBEF; OLITEF.
Este projeto de dissertação propõe analisar, como a Educação Financeira Escolar é abordada nas questões da Olimpíada Brasileira de Educação Financeira (OBEF) e da Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (OLITEF), na perspectiva da Educação Matemática Crítica. Em termos específicos busca-se: quantificar e categorizar os conteúdos abordados nas atividades da OBEF e da OLITEF; identificar as temáticas presentes nas atividades da OBEF e da OLITEF que podem contribuir para a promoção da Educação Financeira Escolar Crítica; e analisar a relação entre a OBEF e a OLITEF na abordagem de atividades que auxiliem o desenvolvimento da conscientização financeira, integrando os princípios da Educação Financeira Escolar e da Educação Matemática Crítica. Considerando o contexto de expansão da Educação Financeira como tema transversal na educação básica, especialmente após a implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a pesquisa problematiza se a OBEF e a OLITEF contribuem para a formação de sujeitos críticos ou se reforçam uma abordagem instrumental e alinhada à lógica do mercado. Com base nas contribuições de Ole Skovsmose, no que se refere à concepção de Educação Matemática Crítica, defende-se uma Educação Financeira Escolar Crítica (EFEC) orientada para a reflexão, a autonomia e a justiça social. Nesse sentido, a Educação Financeira necessita ultrapassar o ensino de técnicas e cálculos, incorporando discussões sobre consumo, desigualdades, influências midiáticas e os impactos sociais das decisões econômicas. A pesquisa adota uma abordagem qualiquantitativa e caracteriza-se como documental. O corpus de análise é composto por 275 questões das provas da OBEF (2019–2026) e da OLITEF (2024–2026), com o foco nos anos finais do Ensino Fundamental. Para a organização e interpretação dos dados, utiliza-se o Ciclo de Codificação de Saldaña, com o apoio do software Atlas.ti, permitindo a identificação, categorização e análise das temáticas presentes nas atividades. A categorização engloba dimensões já consolidadas em estudos prévios, tais como: atitudes de compra, influência da mídia, gestão financeira, tomada de decisão, produtos financeiros e conceitos financeiros. Os resultados parciais evidenciam uma predominância de atividades centradas em conceitos financeiros e no uso de produtos financeiros, com menor incidência de propostas que estimulem a problematização crítica das situações apresentadas. Muitas questões apresentam uma tendência à abordagem técnica e descontextualizada, que pode limitar o desenvolvimento de uma consciência crítica pelos estudantes. Além disso, identificam-se possíveis influências de interesses mercadológicos, sobretudo no caso da OLITEF, cuja estrutura envolve parcerias com instituições financeiras. Os resultados parciais apontam que, embora as olimpíadas contribuam para a disseminação da Educação Financeira no país, ainda existem lacunas significativas no que diz respeito à promoção de uma formação crítica e emancipatória. Assim, reforça-se a necessidade de reorientar tais iniciativas à luz da Educação Matemática Crítica, de modo a favorecer práticas pedagógicas que promovam a reflexão, a participação ativa dos estudantes e a compreensão das dimensões sociais, políticas e econômicas que permeiam o uso do dinheiro.