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Banca de DEFESA: GEDALIAS FERREIRA CORREIA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GEDALIAS FERREIRA CORREIA
DATA : 26/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Online
TÍTULO:

O que os homossexuais têm a ensinar sobre a ditadura civil militar em Pernambuco (1964-1985)?


PALAVRAS-CHAVES:

Moral e bons costumes; homossexualidade; regime civil-militar brasileiro; Pernambuco.


PÁGINAS: 183
RESUMO:

Durante os anos de ditadura no Brasil, o estado implementou um complexo aparato repressor para perseguir, normalizar e regular sujeitos dissidentes da heteronormatividade de sexo-gênero. Em nome de valores conservadores, da moral e dos bons costumes, discursos religiosos, médicos e jurídicos, amplamente difundidos e reiterados pela imprensa, tornaram-se instrumentos centrais de disciplinamento, restringindo sociabilidades, dificultando a organização coletiva e reduzindo pessoas homoafetivas à imagem do escândalo ou da anormalidade. Diante desse contexto, como forma de contribuir com a historiografia da educação e, sobretudo, com a discussão acerca desse contexto político autoritário a partir de pessoas consideradas as margens, este estudo têm como problema de pesquisa: Em que medida os espaços de sociabilidade frequentados por travestis, homossexuais e outros grupos sociais constituíam instâncias informais de formação e socialização e como a repressão e a vigilância estatal atuavam como práticas educativas de normatização dos corpos e das sexualidades durante a ditadura civil-militar? A hipótese aqui defendida foi a de que em Pernambuco, durante esse período da história, homossexuais não apenas sofreram marginalização e repressão, mas também desenvolveram táticas de resistência por meio de movimentos políticos culturais e grupos organizados. O objeto de estudo foram experiências homoafetivas e educacionais de grupos de homossexuais durante a ditadura civil-militar em Pernambuco. O objetivo geral desta pesquisa consistiu-se em compreender a relação entre autoritarismo, homossexualidade e sua dimensão educativa a partir da ditadura civil militar em Pernambuco. Para tanto, foram necessários perseguir os seguintes objetivos específicos: mapear experiências político culturais e educativas de homossexuais na ditadura civil militar; identificar as experiências que se configuraram educacionais e de resistência de homossexuais durante a ditadura civil militar em Pernambuco e analisar as pautas da homossexualidade a partir dos relatos orais e de documentos do período. Para jogar luz às vivências e experiências dos homossexuais em Pernambuco, dialogamos com o conceito de “Tática” proposto por Michel de Certeau (1998). Isso porque, o autor nos permite entender como, por meio de práticas ordinárias, sujeitos criavam e performaram maneiras de ação para ocupar e ressignificar os sistemas que os cercavam. Por meio do conceito de tática, analisamos tanto as atividades de militância e resistência, quanto às práticas educativas realizadas por homossexuais, consideradas, neste período, como atividades subversivas. A noção de representação a luz de Roger Chartier (2002), por sua vez, permitiu analisar como a homossexualidade foi narrada, significada e classificada pela imprensa. Além disso, dialogamos com campo da História das Sensibilidades, a partir dos estudos de Pesavento (2005; 2007), uma vez que, segundo a autora, recuperar sensibilidades não é sentir da mesma forma, mas buscar compreender e explicar como foram as experiências sensíveis de outros tempos. Para além da pesquisa bibliográfica, e da metodologia da História Oral segundo Alberti (2005), também foi utilizada a pesquisa documental a partir do jornal Diário da Manhã, Diário da Noite, Diário de Pernambuco, Lampião da Esquina e o boletim o Gatho. Sendo assim, por meio do método da investigação histórica, constatamos que, em Pernambuco, homossexuais elaboraram formas alternativas de existência que lhes permitiram sobreviver diante das políticas de controle que buscavam erradicar práticas consideradas desviantes. Ao elaborarem, por meio de táticas, modos próprios de ensinar e aprender, estes sujeitos nos permitem compreender que as ruas, esquinas, pensões e outros espaços alternativos funcionaram não apenas como locais destinados à performances, mas também lugares de afeto, solidariedade e, sobretudo, de trocas de experiências. Eram nesses espaços e por meio da lida cotidiana que pessoas não heteronormativas forjavam identidades e se politizaram para enfrentar a repressão. Tais experiências revelam que, assim como a homossexualidade não estava restrita a classes ou condições sociais, as práticas de controle também atravessavam distintos corpos e territórios. Sendo assim, durante os anos do Regime civil-militar, ao fazerem o uso de indumentárias consideradas inadequadas ou ao participarem de eventos à luz do dia, homossexuais nos ensinaram que eles e elas não apenas inscreviam outros modos de existir no espaço urbano, senão os heteronormativos, mas, sobretudo, evidenciaram que eram sujeitos produtores de cultura, de novas formas de existência e que a ditadura não foi suficiente para inibir suas existências, seu convívio social e a construção de saberes políticos, culturais e educativos alternativos.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - AZEMAR DOS SANTOS SOARES JÚNIOR
Externa à Instituição - FABIANA SENA
Presidente - 3101060 - RAYLANE ANDREZA DIAS NAVARRO BARRETO
Notícia cadastrada em: 26/01/2026 13:37
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