EM BUSCA DA DONZELA: GÊNERO, MEMÓRIA E VISIBILIDADE EM VESTIDAS DE AZUL (1983-2023)
Gênero; audiovisual; regimes de visibilidade.
Esta pesquisa busca analisar a trajetória transmidiática da obra Vestidas de Azul (1983-2023), investigando como seus processos de apagamento, resgate e reinterpretação evidenciam disputas em torno da memória e da visibilidade de mulheres trans e travestis no campo do audiovisual. O estudo parte do anseio em compreender de que maneira as diferentes materialidades da obra, constituídas pelo documentário, pelo livro e pela minissérie, revelam deslocamentos, permanências e tensões relacionadas aos discursos imagéticos sobre corpos dissidentes de gênero e sexualidade. O objetivo consiste em analisar essa trajetória, identificando como as transformações presentes na obra refletem mudanças históricas nos regimes de visibilidade e nas formas de reconhecimento de identidades trans e travestis. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e análise discursiva de artefatos audiovisuais, articulando as contribuições dos estudos de gênero, da teoria queer e dos estudos culturais sobre cinema e educação. O corpus é composto pelo documentário Vestidas de Azul (1983) e sua minissérie homônima, além do livro publicado por Valeria Vegas em 2019, examinados de forma comparativa para identificar permanências, deslocamentos e reconfigurações narrativas. As análises desenvolvidas até o momento indicam que a trajetória da obra revela processos de apagamento e posterior reinscrição da obra na memória de mulheres trans e travestis, demonstrando que a circulação de discursos imagéticos está diretamente relacionada às disputas políticas e culturais em torno da inteligibilidade e da legitimidade dessas existências. De forma provisória, conclui-se que a recuperação e reinterpretação da obra contribui para a ampliação de debates sobre memória, gênero e visibilidade, compreendendo o audiovisual como um dispositivo de produção de saberes e de subjetividades, capaz tanto de reiterar quanto de tensionar as normas de gênero e sexualidade.