Educação em direitos humanos e forma jurídica do capital: contradições de uma política educacional na ordem neoliberal
Forma jurídica; sujeito jurídico; forma mercadoria; direitos humanos (DH); educação em direitos humanos (EDH).
Esta pesquisa tem por objetivo geral analisar as contradições da educação em direitos humanos (EDH) como política pública educacional que surge no contexto da reestruturação neoliberal global da sociabilidade capitalista, à luz do conceito de forma jurídica de Pachukanis (1988), a partir do qual, busca-se produzir resultados para a seguinte problemática: quais as contradições que atravessam a educação em direitos humanos e suas relações com a dinâmica social capitalista contemporânea? A investigação foi desenvolvida em sede de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGEdu/UFPE) e conduzida teórica e metodologicamente pelo materialismo histórico-dialético. Trata-se de uma pesquisa teórica, tendo em Pachukanis (1988) o seu autor de base, em diálogo com as construções de Batista (2013, 2019), Biondi (2019) e Kashiura (2009, 2022) no campo do direito e dos direitos humanos, Candau; Sacavino (2013) da educação em direitos humanos, Algebaile (2009), Catini (2013, 2016, 2018, 2019), Freitas (2012, 2018) e Saviani (1999, 2008, 2015, 2021 e 2025) da educação e Frigotto (2018), Kosik (1976), Marx (1946, 2007, 2008, 2010, 2013) e Shiroma; Campos; Garcia (2005) no desenho ontometodológico. A análise permite apontar que a EDH surge no contexto da reestruturação neoliberal do capital, como forma de legitimação ideológica das reformas do Estado, que no caso dos direitos humanos (DH) passam pela deslegitimação e desregulamentação das políticas sociais. Permite identificar ainda, a EDH com a pedagogia da responsabilização no campo das reformas empresariais da educação. A transformação da defesa dos DH para a defesa de uma cultura de direitos humanos ou da formação para a cidadania sinaliza o avanço da EDH na relativização, alienabilidade e divisibilidade desses direitos, assim como o desvelamento de que a personalidade sujeito jurídico – tributário dos direitos humanos – construída para que o indivíduo possa participar da troca de equivalente, espelha a forma mercadoria, evidencia a inserção dos DH e da EDH nas formas de legitimação e sustentação da sociedade organizada pela valorização do valor.