O CANOEIRO QUE HABITA EM MIM: narrativas de uma educadora na travessia do Rio Pajeú pelo chão da escola à Universidade Federal.
Autobiografia. Educação no Sertão. Memória. Políticas Públicas. Sociologia Configuracional.
Esta tese, intitulada "O Canoeiro que Habita em Mim: Narrativas de Uma Educadora na Travessia do Rio Pajeú Pelo o Chão da Escola à Universidade Federal", apresenta uma investigação autobiográfica que articula a minha trajetória pessoal e profissional com as transformações socioeconômicas e educacionais do Sertão do Pajeú, Pernambuco. O objetivo central é analisar como as configurações sociais e as políticas públicas educacionais influenciaram a minha formação, desde as raízes familiares — marcadas pela figura do meu pai canoeiro e pelas adversidades econômicas da região — até a minha atuação como docente, sindicalista e gestora pública. A pesquisa utiliza a metodologia do construto "Eu-Fonte" (Souza, 2019) e a análise narrativa de textos (auto)biográficos como dispositivos de formação e investigação. O arcabouço teórico dialoga com a sociologia configuracional de Norbert Elias, as noções de lugares de memória de Pierre Nora, a memória coletiva de Maurice Halbwachs e a pedagogia crítica de Paulo Freire e os autores da autobiografia e escrita de si de Momberg, Josso e Ferrarotti. A tese problematiza a não neutralidade da educação, evidenciando as dinâmicas de exclusão histórica no acesso ao conhecimento e a importância da formação sindical na construção do sujeito político e da identidade docente.