Educação de Terreiros: Uma Prática Educativa Afrocentrada
Afrocentricidade. Prática Docente. Relações Étnico- Raciais. Ensino Superior. Afronografia
As práticas educativas afrocentradas desenvolvidas em escolas de terreiro evidenciam formas outras de produzir, organizar e transmitir o conhecimento, ancoradas na ancestralidade, na oralidade e nas vivências comunitárias. Nesse sentido, torna-se necessário analisar de que modo essas práticas educativas centralizam a comunidade escolar e viabilizam a construção de uma educação afrocentrada. Os questionamentos que orientam esta pesquisa são: de que modo as práticas educativas da escola de terreiro centralizam a comunidade escolar? E como tais práticas contribuem para a efetivação de uma educação afrocentrada? Dessa forma, o trabalho objetiva analisar como as práticas educativas da Escola Eugênia Anna dos Santos, na Bahia, contribuem para a centralização da comunidade escolar e para a construção de uma educação afrocentrada. Defendemos que esta pesquisa se justifica diante da necessidade de compreender práticas educativas que tensionam o modelo eurocêntrico de educação, especialmente em um contexto histórico marcado pela permanência de estruturas coloniais que invisibilizam saberes afro-diaspóricos. Para tanto, o arcabouço teórico está fundamentado na teoria da afrocentricidade. A pesquisa adota como metodologia a história oral temática, compreendendo que os saberes produzidos no contexto da escola de terreiro emergem das experiências, das narrativas e das relações estabelecidas no cotidiano. Como procedimento de análise, emprega-se a análise de conteúdo, orientada pelas lentes da afrocentricidade. Os resultados evidenciam um movimento de desmemorização das práticas educativas eurocêntricas, conduzindo ao desfazimento de raízes coloniais e à reconfiguração dos modos de ser, saber, existir e reexistir. Nesse contexto, a prática educativa da escola de terreiro não apenas resiste às formas coloniais de ensinar, mas afirma uma epistemologia enraizada na ancestralidade, na oralidade, no corpo e nas vivências sócio-históricas, consolidando-se como um espaço de produção de conhecimento comprometido com a comunidade e com a dignidade dos saberes da diáspora africana.