A construção da identidade profissional do pedagoga no contexto jurídico: análise documental das práticas institucionais no Tribunal de Justiça de Pernambuco.
Palavras-chave: Identidade profissional. pedagoga. Contexto jurídico. Tribunal de Justiça
Este estudo analisa a construção da identidade profissional das pedagogas no contexto
jurídico, tomando como objeto de investigação as práticas institucionais documentadas no
Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). A pesquisa ancora-se em um arcabouço
teórico que discute a identidade profissional como um processo sócio-histórico em
constante mutação, enfatizando a expansão da educação para espaços não escolares e a
interface entre educação e direito. O objetivo central é investigar a constituição dessa
identidade a partir da articulação entre trajetória formativa e práticas cotidianas no
Judiciário. O trabalho problematiza o conceito de identidade, o papel da memória coletiva e
individual na subjetividade do profissional e os impasses enfrentados para a afirmação do
pedagoga em um campo historicamente dominado por lógicas jurídicas e psicossociais.
Metodologicamente, fundamenta-se em uma abordagem qualitativa de caráter documental,
descritivo e analítico. O corpus documental compreende normativas internas, editais de
concursos, portarias e diretrizes institucionais que regulam a função pedagógica no
Tribunal. Os dados foram submetidos à técnica de análise de conteúdo, permitindo a
emersão de categorias temáticas como: delimitação de funções, autonomia técnica e
relações de interdisciplinaridade. Os resultados revelam que a identidade das pedagogas
no Judiciário encontra-se em um estágio de transição e resistência, marcado por tensões
entre a herança escolar tradicional e as novas exigências de assessoramento técnico à
justiça. A análise evidencia avanços no reconhecimento da importância da pedagogia, mas
aponta desafios críticos quanto à legitimidade institucional e à definição clara de fronteiras
profissionais. Conclui-se que a consolidação dessa identidade demanda o fortalecimento
de marcos normativos, a ampliação do diálogo com outras áreas do saber e uma maior
visibilidade política e acadêmica das contribuições pedagógicas na garantia de direitos no
âmbito do Judiciário.