TRAJETÓRIAS DE FORMAÇÃO POLÍTICA DE PROFESSORAS RURAIS MILITANTES DE ESQUERDA EM PERNAMBUCO NO REGIME CIVIL-MILITAR BRASILEIRO (1964-1985)
Palavras-chave: Mulheres Professoras e Militantes. Educação Popular. Educação em meio Rural. História Cultural. Regime Civil-Militar.
Neste trabalho, busquei compreender a relação entre a formação política e o habitus pedagógico de três professoras primárias rurais, politicamente à esquerda, presas e perseguidas pelo regime civil-militar brasileiro. Para tanto, tive como objeto de análise as práticas de militância política de Lúcia Emília Carvalho de Araújo (1940-1969), Maria Aída Bezerra Costa e Maria Alaécia Morais e Silva (1934), professoras no interior do estado de Pernambuco e vinculadas a movimentos de educação e cultura popular. A questão central deste estudo é entender quais foram as práticas que constituíram seus habitus pedagógicos, e como estas se apresentam no engajamento político que tiveram contra o governo ditatorial no estado. Parti da hipótese de que o perfil dessas mulheres une docência e militância de forma indissociável, fruto de uma sensibilidade política forjada na educação no meio rural pernambucano durante o período político autoritário. Para tanto, são objetivos específicos: examinar como se constituiu a formação docente durante o governo ditatorial; analisar as trajetórias das três professoras militantes e, por fim, interpretar as motivações, posicionamentos, atuação e participação delas em movimentos de educação, cultura popular e agremiações políticas. As fontes utilizadas foram as fichas criminais, os processos de anistia, os relatórios produzidos pelas Comissões Nacional e Estadual da Verdade e as entrevistas e relatos de memória de/sobre estas mulheres, encontrados durante o levantamento bibliográfico/documental, guardadas, sobretudo, no Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. A pesquisa fundamenta-se teoricamente na História Cultural, a partir de Roger Chartier e Sandra Pesavento, uma vez que esta prioriza o estudo de como os indivíduos e/ou grupos sociais dão sentido ao mundo, rompendo com o rigor factual ou econômico para privilegiar a história sob a ótica dos sujeitos. Mediante tal perspectiva é que busquei compreender as práticas de oposição ao regime autoritário, sob o olhar das professoras militantes. Metodologicamente, o trabalho tem abordagem qualitativa, de cunho documental, bibliográfico e biográfico. A perspectiva é que o trabalho contribua para a construção de um novo imaginário feminino a partir dessas professoras que transcenda a imagem da mulher posta apenas como vítima para reafirmá-la como sujeita ativa contra o regime ditatorial em Pernambuco.
Palavras-chave: Mulheres Professoras e Militantes. Educação Popular. Educação em meio Rural. História Cultural. Regime Civil-Militar.