A política do nome social na rede estadual de ensino de Pernambuco: direitos, sentidos e processos de subjetivação.
Nome social; teoria política do discurso; hegemonia; subjetivação; política curricular.
Este projeto de tese investiga a política do nome social na rede estadual de ensino de Pernambuco, compreendendo-a como uma prática discursiva atravessada por disputas hegemônicas em torno de reconhecimento, cidadania e inteligibilidade de vidas trans no espaço escolar. Fundamentada na Teoria Política do Discurso, a pesquisa parte do pressuposto de que o “nome social” opera como significante vazio capaz de articular cadeias de equivalência entre demandas heterogêneas — como dignidade, inclusão e não discriminação — ao mesmo tempo em que se constitui como ponto nodal de antagonismos mobilizados por discursos neoconservadores que evocam valores como ordem, neutralidade e proteção da infância. O problema de pesquisa consiste em compreender como essa política foi produzida, disputada e (re)significada no contexto pernambucano, bem como analisar de que modo as lógicas sociais, políticas e fantasmáticas incidem nos processos de subjetivação de estudantes trans. O estudo adota abordagem pós-estruturalista, orientada pela analítica das lógicas (políticas, sociais e fantasmáticas), articulando análise documental, investigação de dispositivos técnico-administrativos, entrevistas com atores institucionais e acompanhamento de processos de subjetivação. O corpus inclui normativas legais, sistemas de gestão educacional, materiais institucionais, produções midiáticas e narrativas de estudantes. Ao conceber o currículo como prática discursiva e espaço de tradução política, a pesquisa busca evidenciar como a política do nome social se materializa em rotinas escolares, produzindo condições de aparição, reconhecimento e contestação. Como contribuição, pretende-se oferecer uma leitura crítica das articulações hegemônicas que sustentam essa política, destacando sua natureza contingente e precária, bem como suas implicações para a radicalização democrática e para a ampliação das condições de existência de pessoas trans no campo educacional.