Comunicação popular em saúde: análise do discurso dos coletivos Fruto de Favela e Livroteca Brincante do Pina durante a pandemia de covid-19
comunicação popular; educomunicação; divulgação científica; cultura periférica; covid-19.
A presente dissertação analisa de que maneira os coletivos de comunicação popular Fruto de Favela e Livroteca Brincante do Pina, ambos atuantes no estado de Pernambuco, desempenharam sua função social por meio de formas alternativas de divulgação científica durante a pandemia de covid-19, investigando as relações entre cultura periférica, comunicação popular e promoção da saúde. Como abordagem metodológica, a pesquisa articula a Análise de Conteúdo (AC) e a Análise Crítica do Discurso (ACD). O estudo fundamenta-se em autores que compreendem a comunicação como um processo democrático, participativo e transformador, capaz de promover a circulação de saberes, fortalecer a cidadania e enfrentar desigualdades sociais. Para a análise da comunicação popular, da divulgação científica e das relações entre território, cultura e saúde, a pesquisa dialoga, entre outros, com as contribuições de Cicilia Peruzzo (1999, 2005, 2015), Grada Kilomba (2019), Leda Maria Martins (2021) e Ildeu Moreira (2006). Como principais resultados, a pesquisa revelou que os coletivos desenvolveram estratégias comunicacionais de midiativismo capazes de traduzir recomendações científicas em linguagens acessíveis, culturalmente situadas e próximas do cotidiano das periferias. A recorrência de temas relacionados à prevenção da covid-19 evidencia um alinhamento dos conteúdos às orientações sanitárias vigentes em cada fase da pandemia, adaptadas às realidades dos territórios. Além disso, as análises revelam que a comunicação popular exerceu um papel relevante na democratização da informação, no enfrentamento da desinformação e na promoção da saúde, fortalecendo vínculos comunitários e contribuindo para reduzir desigualdades no acesso ao conhecimento científico. Desse modo, a dissertação reafirma o potencial da comunicação popular como prática libertadora e transformadora, na qual a própria comunidade assume o papel de protagonista na produção, circulação e apropriação dos saberes.