IMAGENS-SINTOMA NO CINEMA BRASILEIRO: RESPOSTAS ESTÉTICAS À EMERGÊNCIA DO BOLSONARISMO
cinema brasileiro; bolsonarismo; estética; política; levante
Esta dissertação pretende compreender um conjunto de filmes recentes do cinema brasileiro em sua relação com o surgimento do movimento Bolsonarista e o avanço de políticas de extrema-direita no país. Para tanto, a ideia de imagem-sintoma desenvolvida por Georges Didi-Huberman (2013; 2015) será usada como ponte metodológica para nortear a análise fílmica a fim de observar as inquietudes e desejos expressos pelas imagens. Sob essa ótica, a princípio, desenvolvo um panorama histórico do Bolsonarismo com o intuito de analisar o seu projeto estético, nos termos de Jacques Rancière (2009), e as disputas que se instauram no centro do campo cultural brasileiro, para, posteriormente, me debruçar sobre as obras. Assim, analiso Mate-me por favor (Anita Rocha da Silveira, 2014), Aquarius (Kleber Mendonça Filho, 2016), Era uma vez Brasília (Adirley Queirós, 2017), Bacurau (Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, 2019), Medusa (Anita Rocha da Silveira, 2023) e Mato seco em chamas (Adirley Queirós e Joana Pimenta, 2023) com o objetivo de observar a maneira como, na filmografia deste conjunto de cineastas, ocorre uma inflexão estética que parte de uma absorção melancólica, e em certa medida conservadora, dos impactos políticos para a expressão de um desejo de levante coletivo, ecoando as ideias desenvolvidas por Butler (2017) acerca da política de alianças e a teoria performativa de assembleia.