PPGCO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO - CAC DEPARTAMENTO DE COMUNICACAO SOCIAL - CAC Teléfono/Ramal: No informado

Banca de QUALIFICAÇÃO: NAYWÁ MOURA CARVALHO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: NAYWÁ MOURA CARVALHO
DATA : 31/08/2026
LOCAL: Sala 01 do PPGCOM (formato presencial)
TÍTULO:

CORPOREIDADES FUMÍGENAS: feitiçaria das travestilidades em contra-ataque


PALAVRAS-CHAVES:

Metodologia Fumígena; Travestilidades; Transcestralidade; Memória.


PÁGINAS: 48
RESUMO:

O que insiste quando o fogo pretende incinerar? Esta pesquisa investiga a fumaça como figura conceitual e epistemológica para pensar as relações entre memória, corpo e travestilidades. Ao identificar uma “ecologia do apagamento”, na qual o fogo vem à tona como tecnologia histórica de dominação narrativa, intrínseca aos arquivos inquisitoriais e CIScoloniais (Vergueiro, 2016), evidencia-se a produção intencional de lacunas, silenciamentos e invisibilização da memória. Em contrapartida, o incêndio produz inversamente a fumaça, que corrompe justamente a pretensa estabilidade, fixidez, transparência e regime de verdade do arquivo moderno. A partir desse paradoxo apresenta-se a metodologia fumígena, uma proposição epistemo-metodológica indisciplinada que privilegia contágio, inapreenssão e a incomensurabilidade como condições de produção de conhecimento e formulação de uma atmosfera memorialística incorporada e relacional. É baseada numa abordagem implicada e experimental, no interstício entre pesquisa bibliográfica, análise crítica de arquivos e produções artísticas, políticas e comunicacionais, sobretudo nos campos da performance, fotografia, cinema e pintura. O corpus se estabelece como uma possibilidade de aplicação da metodologia proposta. Reúne, portanto, obras de artistas travestis contemporâneas, incluindo Uýra, Castiel, a própria autora, além de produções relacionadas à Xica Manicongo, como o desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti no carnaval de 2025. Evocada como figura limite, transcentral e corporeidade fumígena, é em torno de Xica que se articulam as noções de feitiçaria travesti, tecnologias das travestilidades e contra-ataque, que encorpam fumígena como método. Ao seguir os rastros produzidos entre fogo e fumaça como operações da reminiscência, a pesquisa sustenta que determinadas produções travestis não operam apenas denunciando regimes históricos de apagamento e dominação, mas elaboram outras formas de transmissão, convocação e incorporação, produzindo um regime de memória que exorbita a lógica do arquivo moderno e fabulam possibilidades radicais de remembrança e existência para além dos cativeiros CIScoloniais. Assim, fumígena é compreendida como potência capaz de fissurar, contaminar, desorientar e intoxicar os dispositivos de cristalização narrativa, portanto, do poder, instaurando zonas enfumaçadas e nebulosas nas quais coreografamos outras formas de experienciar a ancestralidade da incomensurabilidade (Brasileiro, 2022), a história, a lembrança, a vida, a morte, o tempo, a coletividade, o território e as relações.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1241843 - FERNANDA CAPIBARIBE LEITE
Interna - 1025436 - CATARINA AMORIM DE OLIVEIRA ANDRADE
Externa à Instituição - DAYANNA LOUISE LEANDRO DOS SANTOS - UFS
Notícia cadastrada em: 26/08/2026 09:27
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