Tecnopolíticas e poéticas da Casa de Sal
Tecnopolítica; Ambiente; Resíduos; Plataformas digitais;
Transdisciplinaridade.
Esta pesquisa investiga de maneira exploratória as tecnopolíticas e poéticas que envolvem a Casa de Sal, uma “ecoconstrução” localizada na Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá em Pernambuco. Criada por Edna Dantas e Maria Gabrielly Dantas, mãe e filha, a casa foi construída com milhares de garrafas de vidro dispostas verticalmente e recuperadas de praias, mangues e terrenos. No perfil @casadesal.eco no Instagram, plataforma digital de propriedade da Meta, elas reivindicam moradia e ecologia popular. Para mapear as relações entre o território, a casa e sua face digital, desenvolvi uma metodologia a qual estou chamando de cartografia tecnoambiental. Assim, a investigação combina diferentes métodos e conjuntos de dados com o objetivo de dar a ver a invenção de um outro mundo. O material inscrito nesta análise é baseado em três gestos: um trabalho de campo realizado durante 13 meses; duas entrevistas em profundidade; e, por fim, um acervo com 138 imagens correspondentes às publicações do perfil @casadesal.eco. Nesse percurso, proponho a noção de tecnobiointeração como a especificidade de um modo de relação de um arranjo sociotécnico no qual seres humanos e mais-que-humanos, objetos técnicos e recursos naturais, espaço situado e espaço planetário, local e global, digital e analógico interagem de modo complexo tendo como eixo central a noção de “vida”. A interação é assumida como um circuito cujos elementos funcionam em continuidade e procura descrever uma experiência na qual a tecnologia é constitutiva da vida. A Casa de Sal enquanto uma experiência de tecnobiointeração assume, por isso, uma forma particularmente comunicacional e estética.