“Nós te invocamos... SE LIBERTE!”: o folk horror no cinema brasileiro
cinema de horror; folk horror; cinema brasileiro; folclore
Esta tese investiga a presença e as configurações do folk horror no cinema brasileiro, propondo que este seja compreendido não como um subgênero de regras fixas, mas como uma ferramenta narrativa fluida e difusa. O trabalho questiona a aplicabilidade universal da "Cadeia de Folk Horror" de Adam Scovell — baseada no contexto britânico — e busca identificar como o cinema nacional ressignifica elementos como a ruralidade, o paganismo e o folclore a partir da tríade discursiva de Mikel J. Koven. A pesquisa analisa seis filmes divididos em dois marcos temporais: a Trilogia Precursora (década de 1970), composta por Quem tem medo de lobisomem? (Reginaldo Faria, 1975), As Filhas do Fogo (Walter Hugo Khouri, 1978) e A Força dos Sentidos (Jean Garrett, 1978); e a Trilogia Contemporânea (década de 2010), que inclui A Antropóloga (Zeca Pires, 2011), O Diabo Mora Aqui (Rodrigo Gasparini e Dante Vescio, 2015) e Sem Seu Sangue (Alice Furtado, 2019). A análise busca demonstrar como o folk horror brasileiro se manifesta inicialmente como subtexto em obras híbridas para, no cenário contemporâneo, emergir como uma linguagem que reflete traumas sociais, resistências culturais e as instabilidades da modernidade no Brasil.