"INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PRODUÇÃO MUSICAL PERIFÉRICA: transformações tecnológicas no brega pernambucano
nteligência artificial; música popular; brega pernambucano; autenticidade; tecnodiversidade; produção musical.
Esta pesquisa investiga os impactos do uso de inteligência artificial (IA) na produção musical periférica, com foco no brega pernambucano. A partir de uma abordagem teórico-empírica, o estudo analisa como artistas e produtores musicais locais percebem e utilizam ferramentas de IA em seus processos criativos e técnicos, bem como as implicações culturais, estéticas e éticas dessas práticas. A fundamentação teórica discute conceitos de autenticidade, identidade cultural e reprodutibilidade técnica (Benjamin, Adorno e Horkheimer), articulados a reflexões contemporâneas sobre computacionalização da cultura (Manovich), tecnodiversidade (Hui) e práticas de mediação musical. O trabalho também aborda a trajetória do brega pernambucano como expressão cultural popular e tecnicamente inventiva, marcada pela apropriação de recursos acessíveis e pela constante negociação entre técnica e afeto. A pesquisa utiliza metodologia mista, combinando análise qualitativa e quantitativa a partir de um questionário aplicado a produtores musicais, majoritariamente atuantes em Pernambuco. Os resultados indicam que, embora a maioria dos participantes utilize ferramentas baseadas em IA — sobretudo em etapas técnicas como mixagem, masterização, afinação e isolamento de faixas —, ainda há desconfiança quanto à capacidade dessas tecnologias de reproduzir a expressividade vocal, o sotaque e os afetos que caracterizam o brega. As respostas revelam que a IA é vista menos como substituta da criatividade humana e mais como ferramenta de apoio ou experimentação, cuja eficácia depende do contexto e da sensibilidade cultural de seus usuários. Conclui-se que a presença da IA na produção musical periférica reflete tanto o potencial democratizador quanto os riscos de homogeneização estética e apagamento cultural. O desafio contemporâneo consiste, portanto, em desenvolver formas de apropriação crítica e localizada da tecnologia, capazes de fortalecer a diversidade sonora e simbólica das expressões musicais populares.