EU VI A FOTOCRONICIDADE... ELA COMEÇAVA NO RECIFE: Francisco Rebello e a Revista da Cidade na produção e circulação de fotografias de aspectos “crônicos” na imprensa.
Fotocronicidade; Fotografia; Crônica; Francisco Rebello; Revista da Cidade; Recife.
Esta pesquisa investiga o conceito de "fotocronicidade" – compreendido como a articulação
formal entre a imagem fotográfica e a narrativa do cotidiano – e analisa as condições históricas,
editoriais e culturais que possibilitaram sua emergência como um dispositivo editorial na cidade
do Recife durante a década de 1920. O trabalho propõe a sistematização deste neologismo ao
traçar as relações históricas entre a crônica, enquanto gênero jornalístico-literário, e a imagem
na modernidade, partindo da figura do flâneur e perpassando pelas observações de cronistas do
início do século XX, com ênfase na obra de João do Rio. O objeto central de análise é a
produção do fotógrafo Francisco Rebello, cujos registros documentaram os cidadãos que
viviam à margem do desenvolvimento urbanístico recifense e circularam no periódico Revista
da Cidade entre os anos de 1926 e 1929. A investigação examina de que maneira a articulação
entre a fotografia e elementos textuais intrínsecos aos periódicos ilustrados – como títulos,
legendas e crédito de autoria – contribui para a construção de sentidos. Essa estrutura editorial
permite categorizar as imagens encontradas em fotocronicidades "plenas" ou, em sua ausência,
"atípicas" (latentes e tardias). Metodologicamente ancorada na proposição de análise e
interpretação empírica de fontes fotográficas de Boris Kossoy, a tese articula a emergência
dessas publicações à atmosfera modernista regionalista que movimentava a elite intelectual da
cidade do Recife na época. Por fim, o trabalho visa preencher uma lacuna na história da
fotografia brasileira ao reunir, sistematizar e analisar o acervo de Rebello na referida
publicação, oferecendo uma nova chave de leitura para a estética fotográfica do período.