REPRESENTAÇÕES FEMININAS EM CHABADABADÁ: processos criativos, afetos e observação participante da produção de uma série pernambucana
série televisiva; feminino; adaptação; processo criativo; observação participante
O presente estudo analisa a série Chabadabadá a partir da observação participante de seus processos criativos de pré-produção e produção, articulando-os à análise fílmica dos episódios. Inserida no contexto do audiovisual pernambucano contemporâneo, a pesquisa investiga como a obra mobiliza dinâmicas de colaboração entre direção, roteiro e produção, com destaque para a atuação de mulheres em funções centrais, como as diretoras Júlia Moraes e Tuca Siqueira. A pesquisa parte da hipótese de que a série atualiza formas de produção baseadas em redes de afeto e colaboração, mas reconfiguradas no contexto atual das séries televisivas, e influencia em diferentes representações femininas. Do ponto de vista teórico, a pesquisa articula contribuições de Sílvio Luiz Anaz (2018) sobre processos criativos no audiovisual, e de Jacques Rancière (2005; 2017), a partir da noção de “partilha do sensível”. Agregada a esse referencial está a discussão sobre gênero e representação em Judith Butler (2018), Laura Mulvey (1975) e bell hooks (2019), que permitem compreender como as narrativas articulam os olhares. O conceito de brodagem, desenvolvido por Amanda Nogueira (2009; 2014), também é central para compreender as redes de trabalho e afeto. Já os estudos de Robert Stam (2008) e Ismail Xavier (2003) embasam o olhar sobre o processo de adaptação de obra de Xico Sá para os roteiros da série. A pesquisa é estruturada nas metodologias da etnografia e da observação participante (Geertz, 2008; Malinowski, 1989; Angrosino, 2009), utilizando anotações de campo e documentos de produção, para acompanhar o fluxo de decisões criativas. A pesquisa se encerra com a análise dos episódios de Chabadabadá, revelando uma obra que amplia o repertório de representações de gênero ao apresentar personagens femininas complexas. Ao mesmo tempo, a série insere-se em um cenário de transformação, marcado por maior profissionalização, expansão de políticas de incentivo e diversificação de coletivos e práticas de produção. Assim, Chabadabadá articula estética, política e afeto em um regime de produção que reconfigura modos de ver, narrar e fazer audiovisual.