POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS CORTICAIS POR MEIO DO ESTÍMULO DE FALA /MA/ E /DA/ EM BEBÊS COM INDICADORES DE RISCO PARA DEFICIÊNCIA AUDITIVA
bebês; crianças; córtex auditivo; eletrofisiologia; potenciais evocados auditivos; fonoaudiologia; percepção de fala.
Introdução: Os Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência são respostas das atividades elétricas relacionadas a um evento auditivo no córtex. O estudo do complexo P1-N1-P2 fornece informações sobre os processos neurais que são responsáveis pela percepção da fala, sendo caracterizado como um marcador clínico dos aspectos auditivos e linguísticos. Diante disso, o registro e análise desses potenciais podem ser eliciados através de diferentes tipos de estímulo, dentre eles o estímulo de fala. O uso do estímulo de fala busca compreender os processos subjacentes à codificação e decodificação da fala no sistema auditivo central. No entanto, a sílaba /ma/ é considerada especialmente interessante por seu contexto de aprendizagem na primeira infância. Objetivo: Comparar as respostas eletrofisiológicas corticais com o estímulo de fala /ma/ e /da/ em bebês com indicadores de risco para deficiência auditiva. Método: O presente estudo teve caráter transversal, observacional e analítico, com amostra composta por 16 participantes bebês, ambos os sexos, com idade entre 2 e 11 meses, apresentando idade média de 6,1 meses (± 3,1 meses), todos com Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva. Foram realizados os testes de potencial cortical auditivo evocados com os estímulos de fala /da/ x /ma/, com vozes femininas fluidas naturais, apresentados de modo aleatório, monoaural e randômica, na proporção de 50% para os dois estímulos apresentados, em um total de 150 estímulos, na intensidade de 70 dB NPS. Resultados: O estímulo de fala /ma/ eliciou latências significativamente menores nos componentes corticais P1, N1 e P2, em comparação ao estímulo /da/, enquanto que, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas amplitudes desses componentes. Discussão: Esse achado reforça que as latências dos Potenciais Evocados Auditivo Cortical constituem um marcador sensível das mudanças maturacionais iniciais do sistema auditivo central, especialmente em bebês, enquanto as amplitudes tendem a apresentar maior variabilidade interindividual. A vantagem temporal do estímulo /ma/ pode ser atribuída às suas propriedades fonético-acústicas, que favorecem a codificação cortical em sistemas auditivos ainda em maturação. Os dados obtidos contribuem para ampliar a compreensão do processamento auditivo cortical nessa população, indicando que respostas corticais organizadas podem estar presentes mesmo em contextos de risco. Conclusão: É possível caracterizar os potenciais evocados auditivos corticais em bebês de 0 a 12 meses utilizando os estímulos de fala /ma/ e /da/. As comparações entre os estímulos revelaram diferenças estatisticamente significativas nas latências de todos os componentes quando eliciados pelo /ma/. Indicando que este estímulo provoca resposta mais rápida quando comparado ao estímulo /da/. Não foram observadas diferenças estatísticas nas amplitudes. Tais achados reforçam a necessidade de valores normativos específicos para essa faixa etária e de estudos adicionais comparando diferentes estímulos de fala para aprofundar o conhecimento sobre maturação auditiva cortical no primeiro ano de vida.