VOZ, MOTRICIDADE OROFACIAL E QUALIDADE DO SONO EM CRIANÇAS COM EXCESSO DE PESO
Obesidade infantil, Fonoaudiologia, Voz, Qualidade do Sono.
O excesso de peso infantil tem se destacado como um problema de saúde pública global, associando-se a alterações metabólicas, respiratórias, comportamentais e estomatognáticas. Considerando que o excesso de adiposidade corporal interfere no tônus muscular orofacial, afetando funções como mastigação, fonoarticulação, respiração e sono, este estudo teve como objetivo investigar a associação entre aspectos vocais, motricidade orofacial e qualidade do sono de crianças com peso adequado e excesso de peso. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, descritivo e transversal, realizado com escolares, de ambos os sexos, com faixa etária de 7 a 12 anos. A amostra foi composta por 11 participantes, divididos em Grupo A (peso adequado) e Grupo B (sobrepeso/obesidade), classificados por parâmetros antropométricos como o índice de Massa Corporal (IMC), circunferências, dobras cutâneas (tricipital e subescapular) e relação cintura-estatura (RCEst). A coleta incluiu protocolos de sono, avaliação miofuncional orofacial, exame otorrinolaringológico, ultrassonografia da língua e análise vocal. Para testar a associação entre o excesso de peso e as demais variáveis, foi aplicado o teste U de Mann-Whitney. O nível de significância estatística foi no valor de p<0,05. Correlações significativas foram observadas entre IMC e o primeiro formante (F1) da vogal /a/ e entre IMC e o terceiro formante (F3) da vogal /e/ mostrando que indicadores de adiposidade podem influenciar frequências formânticas. A ultrassonografia revelou diferenças significativas na altura da língua nas vistas sagital e coronal, sugerindo alterações estruturais relacionadas ao excesso de peso. No aspecto miofuncional orofacial, crianças com obesidade apresentaram pior desempenho em provas específicas de funções orais. Os achados reforçam a inter-relação entre obesidade, parâmetros vocais, alterações respiratórias e, piora no desempenho orofacial, destacando a importância da atuação integrada entre Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia e Nutrição para qualificação do cuidado relativo ao excesso de peso na infância. O estudo contribui ao fornecer evidências sobre como o excesso de peso pode influenciar funções essenciais do sistema estomatognático e da comunicação humana.