EFEITOS DA ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA CEREBELAR ASSOCIADA A TERAPIA DE LINGUAGEM EM INDIVÍDUOS COM AFASIA
Afasia. Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua. Terapia da Linguagem. Linguagem.
Objetivo: Verificar os efeitos da Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua Cerebelar (ctDCS) catódica associada à terapia de linguagem em indivíduos com afasia. Método: Ensaio clínico randomizado, controlado e triplo-cego, conduzido com 17 participantes alocados em grupo experimental (n = 9) e grupo controle (n = 8). Ambos os grupos realizaram 10 sessões consecutivas de terapia fonoaudiológica, associadas à ctDCS ativa (grupo experimental) ou sham (grupo controle). A estimulação foi aplicada a 2 mA por 20 minutos, com rampa de subida (fade-in) de 20 segundos no início, por meio de eletrodos em esponjas de 7 cm × 5 cm embebidas em solução salina, com o cátodo posicionado sobre o cerebelo direito. Em ambos os protocolos, o eletrodo de referência (ânodo) foi posicionado no deltóide direito. No protocolo sham, a corrente foi administrada apenas durante a rampa inicial e, em seguida, interrompida, mantendo-se os eletrodos no local até o término do tempo programado, de forma a mimetizar as sensações da estimulação ativa. As habilidades de compreensão oral, compreensão escrita, nomeação e repetição foram avaliadas pela Bateria Montreal–Toulouse (MTL-BR) nos momentos pré e pós-intervenção. A segurança foi monitorada por meio do Questionário de Efeitos Adversos de Brunoni. As análises incluíram testes de Wilcoxon (intragupo) e Mann–Whitney (intergrupos), com nível de significância de 5%, além do cálculo do tamanho de efeito e do Reliable Change Index (RCI). Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos experimental e controle na avaliação pós-intervenção (p > 0,05). Nas análises intragrupo, verificou-se aumento dos escores médios no pós-teste em todas as habilidades avaliadas. Houve melhora significativa na compreensão oral em ambos os grupos, na nomeação no grupo experimental e na repetição no grupo controle (p < 0,05). Os tamanhos de efeito variaram de moderado a grande, contudo, os valores de RCI não atingiram o limiar de mudança clinicamente confiável em nível individual. Não foram registrados eventos adversos relevantes, indicando boa tolerabilidade do protocolo. Conclusão: A associação entre ctDCS cerebelar catódica e terapia de linguagem foi segura e esteve relacionada a melhoras intragrupo em habilidades linguísticas específicas, entretanto, não demonstrou superioridade em relação à estimulação sham na comparação intergrupos. Os achados reforçam a importância da terapia intensiva e sugerem que a neuromodulação pode atuar como estratégia adjuvante, dependendo de características clínicas individuais. Estudos com amostras maiores, controle rigoroso de variáveis clínicas e protocolos mais longos são necessários para elucidar o papel da ctDCS cerebelar na reabilitação da afasia.