VELOCIDADE DE MARCHA E INDEPENDÊNCIA PARA ATIVIDADES AVANÇADAS DA VIDA DIÁRIA EM PESSOAS IDOSAS RESIDENTES EM COMUNIDADE.
Atenção básica; Estado Funcional; Gerontologia; Velocidade de marcha.
O presente estudo fundamenta-se no contexto do envelhecimento populacional acelerado, um fenômeno global que demanda estratégias de saúde pública alinhadas à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O foco central da investigação reside na manutenção da habilidade funcional da pessoa idosa, compreendida como a interação entre a capacidade intrínseca do indivíduo e o ambiente. A literatura aponta que o declínio funcional ocorre de maneira hierárquica, iniciando-se pelas atividades mais complexas, denominadas Atividades Avançadas de Vida Diária (AAVDs), que envolvem participação social, produtiva e de lazer, antes de afetar as atividades instrumentais e básicas. Nesse cenário, a velocidade de marcha destaca-se como um biomarcador de saúde e um "sinal vital" funcional, sendo um preditor robusto de fragilidade, quedas, institucionalização e mortalidade. A justificativa para esta pesquisa reside na necessidade de identificar precocemente alterações na funcionalidade de idosos residentes na comunidade, utilizando a velocidade de marcha como indicador potencial de independência nas AAVDs. Desta forma, o objetivo geral deste trabalho é analisar a associação entre a velocidade de marcha e a independência para a realização de Atividades Avançadas de Vida Diária em pessoas idosas residentes na comunidade, testando a hipótese de que maior velocidade de marcha está correlacionada a uma maior preservação da autonomia em atividades complexas. Trata-se de um estudo observacional de corte transversal e caráter analítico, vinculado ao macroprojeto "ICOPE no Sistema Único de Saúde". A pesquisa será conduzida na Unidade de Saúde da Família (USF) Vila Arraes, no Recife-PE, abrangendo uma população idosa adscrita estimada em 1.000 indivíduos. O cálculo amostral definiu um mínimo de 202 participantes, selecionados por amostragem aleatória simples a partir dos cadastros da unidade. Serão incluídos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos com capacidade de deslocamento (com ou sem auxílio) até o local da coleta. Serão excluídos idosos com transtornos cognitivos graves que impeçam a comunicação ou aqueles impossibilitados de comparecer à unidade. A coleta de dados seguirá um protocolo estruturado. Inicialmente, serão aplicados questionários para caracterização sociodemográfica e clínica (incluindo o Índice de Charlson para comorbidades). A avaliação funcional será realizada por meio da Escala de Atividades Avançadas de Vida Diária (AAVD), validada por Dias et al. (2019), que pontua a participação em atividades sociais, produtivas e de lazer. A capacidade física será mensurada pelo Teste de Velocidade de Marcha Usual em um percurso de 6 metros (considerando-se os 4 metros centrais para cronometragem), adotando-se o ponto de corte de <0,8 m/s para indicar mobilidade reduzida. Para a análise dos dados, será utilizado o software SPSS (v. 25.0), empregando estatística descritiva e regressão logística binária para verificar a associação entre as variáveis, com nível de significância de 5%. O estudo respeitará integralmente os preceitos da Resolução 466/12 do CNS. Todos os participantes assinarão o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Estão previstos protocolos para minimização de riscos, especialmente quanto à prevenção de quedas durante o teste de marcha, e garantia de sigilo e anonimato dos dados.