INSEGURANÇA ALIMENTAR EM PESSOAS IDOSAS RESIDENTES EM FAVELAS E COMUNIDADES URBANAS: ASSOCIAÇÃO COM FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS, ANTROPOMÉTRICOS, CLÍNICOS E DE QUALIDADE DE VIDA
Insegurança alimentar; Pessoa idosa; Áreas de pobreza; Envelhecimento; Vulnerabilidade social.
O envelhecimento populacional representa um dos principais desafios contemporâneos para os sistemas de saúde, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade social. Pessoas idosas residentes em favelas e comunidades urbanas estão mais expostas a condições desfavoráveis relacionadas à renda, alimentação, moradia, acesso aos serviços de saúde e suporte social, fatores que podem comprometer a segurança alimentar e nutricional. O objetivo deste estudo foi avaliar a situação de segurança alimentar de pessoas idosas residentes nas favelas e comunidades urbanas do Coque, Coelhos e Cabanga, em Recife-PE, bem como identificar fatores associados à insegurança alimentar. Trata-se de um estudo observacional, transversal, de base populacional e abordagem quantitativa, realizado com 161 pessoas idosas atendidas por Unidades de Saúde da Família do Distrito I do Recife. Foram coletadas informações sociodemográficas, condições de saúde, hábitos de vida, consumo alimentar e medidas antropométricas. A prevalência de insegurança alimentar foi de 62,1%, sendo 29,8% classificada como leve, 16,8% como moderada e 15,5% como grave. Observou-se elevada prevalência de excesso de peso (72,0%). Na análise univariada, a insegurança alimentar esteve associada ao sexo feminino, à pior qualidade do sono, à ausência do jantar e ao menor consumo de frutas frescas e de legumes e verduras. Não foram observadas associações significativas entre insegurança alimentar e indicadores antropométricos. Na análise multivariada, apenas a qualidade ruim do sono permaneceu associada à insegurança alimentar, aumentando em aproximadamente três vezes a chance desse desfecho. Conclui-se que a insegurança alimentar apresenta elevada prevalência entre pessoas idosas residentes em favelas e comunidades urbanas de Recife, estando associada principalmente à pior qualidade do sono e a padrões alimentares menos saudáveis. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas e ações intersetoriais voltadas à promoção da segurança alimentar e nutricional e da saúde integral da população idosa em contextos de vulnerabilidade social.