A SITUAÇÃO GEOGRÁFICA COMO CONDIÇÃO DE SELETIVIDADE NA CONCESSÃO DOS PARQUES URBANOS DO RECIFE: Entre a concessão da Jaqueira e a exclusão da Macaxeira
Concessão de parques urbanos; situação geográfica, espaço público; Jaqueira; Macaxeira.
Os parques urbanos têm desempenhado múltiplas funções no decorrer da história. Como equipamentos urbanos inseridos na lógica de (re)produção capitalista da cidade, estão sujeitos às adequações e aos ajustes socioespaciais realizados para manter a meta da acumulação. A necessidade de retroalimentação dos capitais investidos faz com que os investidores avancem para novas fronteiras de acumulação incomuns. Como implicação, espaços antes consolidados no entendimento popular como bens coletivos passam a ser geridos sob uma ótica empresarial, na qual o lucro dita a qualidade do serviço e do espaço. É nesse contexto que este trabalho se insere, evidenciando a contradição no processo de concessão dos parques urbanos na cidade do Recife/PE. Esta pesquisa apoia-se na análise da sobreposição da lógica do lucro sobre a função social na gestão dos parques urbanos mediante a seleção dos parques a serem privatizados. Toma-se como objeto dessa contradição a concessão do Parque da Jaqueira, localizado em área de alta renda da Zona Norte, e a exclusão do Parque da Macaxeira, equipamento público de relevância social para territórios populares. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem quali-quantitativa e documental da linha do tempo licitatória (2021–2024), articulando a análise dos editais e estudos de viabilidade do BNDES/Prefeitura, dados socioeconômicos do entorno dos parques e levantamento empírico de campo nos dois parques. Observou-se que a produção desigual da cidade orientou a modelagem das parcerias público-privadas, nas quais a localização, o perfil socioeconômico do entorno e o potencial de consumo determinaram quais equipamentos são concedidos como rentáveis a investimentos e operações e quais são excluídos do processo.