ZONEAMENTO ECOLÓGICO-ECONÔMICO PARA MITIGAÇÃO DA POBREZA HÍDRICA EM UMA BACIA HIDROGRÁFICA NO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO
Planejamento Territorial; Geossistemas; Indicadores Ambientais; Gestão Ambiental Sustentável.
A análise da paisagem geográfica, considerando seus atributos físicos e socioambientais, possui grande relevância nos estudos de planejamento, gestão e desenvolvimento territorial sustentável. Nesta ótica, a pesquisa fundamenta-se em tal analise para desenvolver um Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) focado na mitigação da pobreza hídrica na Bacia Hidrográfica do Rio da Chata (BHRC), situada em uma região marcada por acentuada escassez de água e heterogeneidade de paisagens. Para isso, adota-se uma abordagem geossistêmica de matriz russo-soviética, que permite articular elementos físicos, bióticos e sociais do território sob uma visão sistêmica e integradora. O modelo teórico-metodológico envolve a identificação, delimitação e classificação de unidades geossistêmicas, possibilitando uma leitura espacial das interações entre geologia, relevo, solos, clima, hidrografia, cobertura vegetal e o uso e ocupação da terra. A sistematização dos dados ocorre em ambiente de Sistema de Informação Geográfica, essencial para a construção de diagnósticos ambientais integrados e produtos cartográficos temáticos. Foram mapeados geossistemas dos quais cada um apresentam características lito-pedológicas e de cobertura vegetal distintas, como o predomínio de pastagens e fragmentos de caatinga arbóreo-arbustiva. Metodologicamente, a proposta é enriquecida pela aplicação do Índice de Pobreza Hídrica (IPH), uma ferramenta holística que sintetiza indicadores de disponibilidade hídrica, acesso, uso, gestão e capacidade institucional das localidades. O índice permite expressar a relação entre a gestão de recursos hídricos e a pobreza, vinculando o bem-estar da população à disponibilidade de água. Nessa conjuntura a integração entre o mapeamento geossistêmico e os resultados do IPH permitiu a estruturação do ZEE em zonas, considerando o prognóstico da BHRC, que apontou a predominância de fragilidade ambiental nas classes média e forte, com ausência de áreas de fragilidade baixa ou muito baixa, refletindo diferentes graus de vulnerabilidade e potencialidade ambiental e socioeconômica. Desse modo, o estudo resultou em uma ferramenta estratégica para a governança territorial, oferecendo diretrizes para políticas públicas que busquem o uso racional do patrimônio ambiental e a melhoria das condições de segurança hídrica na bacia. Em suma, o zoneamento atua como um subsídio essencial para conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação dos recursos naturais em uma região historicamente marcada pela desigualdade e escassez.