ASPECTOS PALEOECOLÓGICOS E TAFONÔMICOS DA PALEOFLORA CRETÁCEA DA ILHA NELSON, SHETLANDS DO SUL, PENÍNSULA ANTÁRTICA
Paleoecologia; Tafonomia; fitofósseis; Antártica; Ilha Nelson
Fósseis de plantas são comuns na Antártica, representando, em alguns casos, o único registro fossilífero de uma determinada localidade. Entre esses locais, destacam-se as ilhas do arquipélago Shetalnds do Sul, na Península Antártica. O material analisado no presente trabalho corresponde a fósseis vegetais coletados na localidade Rip Point, noroeste da ilha Nelson (Shetlands do Sul). Os fitofósseis são provenientes de depósitos piroclásticos e são representados por folhas fragmentadas, carvão fossilizado (charcoal) e fragmentos de galhos preservados por impressão e compressão, com predominância do gênero Nothofagus, além de conter outras angiospermas, gimnospermas e samambaias. Os fósseis da ilha Nelson são atribuídos ao Campaniano (Cretáceo Superior) por correlação estratigráfica e composição de macroflora com outras localidades. O objetivo deste trabalho foi analisar aspectos tafonômicos e paleoecológicos desses fósseis, buscando entender o modo de preservação das plantas e suas interações com insetos herbívoros; contribuir com novos registros de charcoal para o Continente Antártico, comprovando a existência de incêndios vegetacionais; identificar a flora da ilha Nelson e comparar seu registro fóssil com elementos de ilhas adjacentes e com a flora atual. Deste modo, aqui são apresentados os primeiros registros de interação inseto-planta para o Cretáceo da Antártica. Também são fornecidas informações tafonômicas dos fitofósseis analisados, assim como novos dados sobre paleoincêndios no Continente. Além disso, foram descritos novos morfotipos foliares que enriquecem o conhecimento sobre a paleoflora do Cretáceo da Península Antártica.