SENSORIAMENTO REMOTO E MODELAGEM NA ESTIMATIVA DA UMIDADE DO SOLO: APLICAÇÕES EM REGIÕES EM PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO
Desertificação, Umidade do solo, Validação, Sensoriamento Remoto
A umidade do solo é um componente chave do ciclo hidrológico e do acoplamento solo–planta–atmosfera, sendo especialmente relevante em regiões semiáridas, onde a variabilidade climática, as altas taxas de evapotranspiração e a vulnerabilidade à degradação/desertificação tornam seu monitoramento essencial para a gestão ambiental e hídrica, em consonância com metas como a Neutralidade da Degradação da Terra (ODS 15.3). No Semiárido brasileiro (Caatinga), a escassez e a descontinuidade de séries in situ dificultam a caracterização espaço-temporal dessa variável, reforçando a importância do sensoriamento remoto e de modelos de superfície terrestre como alternativas para monitoramento contínuo em larga escala. Nesse contexto, este estudo validou estimativas diárias de umidade do solo no Sertão Pernambucano entre julho de 2015 e outubro de 2017, utilizando observações in situ de 12 estações como referência e avaliando os produtos SMAP (1 km, 9 km e 36 km), SMOS BEC, SMOS CATDS, ESA CCI, GLEAM e GLDAS-CLSM. O desempenho foi quantificado por meio das métricas correlação de Pearson (r), raiz do erro quadrático médio (RMSD), raiz do erro quadrático médio não tendencioso (ubRMSD) e viés médio (Bias), evidenciando comportamento heterogêneo entre os produtos, com correlação média entre 0,50 e 0,68. De modo geral, GLEAM, SMOS BEC, SMAP 9 km e SMAP 36 km apresentaram melhor desempenho, com menores valores médios de RMSD e ubRMSD e maior consistência na representação da variabilidade temporal, enquanto SMAP 1 km, ESA CCI e GLDAS-CLSM exibiram maiores erros absolutos e tendência à superestimação. A análise por estação revelou variabilidade espacial significativa associada à qualidade das séries in situ e a fatores locais, destacando Jatobá, Manari, Sertânia e Tuparetama como as estações com melhores resultados. Os achados reforçam a necessidade de validações regionais detalhadas e do uso integrado de métricas para orientar a aplicação de produtos globais de umidade do solo em ambientes semiáridos. Como proposta futura, pretende-se avaliar a dinâmica da umidade do solo em áreas em processo de desertificação e em unidades de conservação, com o objetivo de compreender os processos associados à variação da umidade do solo e identificar o comportamento dessa variável em áreas sob diferentes níveis de degradação ambiental.