MAPEAMENTO DE PERIGO A ESCORREGAMENTOS DE TERRAS EM ENCOSTAS URBANAS DO MUNICÍPIO DO RECIFE-PE COM A APLICAÇÃO DE MÉTODOS MULTICRITÉRIO: estudo de caso
Escorregamentos; Perigo; AHP; Encostas urbanas; Formação Barreiras.
O processo de urbanização desordenado no Brasil tem contribuído para a ocupação de áreas de risco, especialmente encostas, intensificando os problemas relacionados à instabilidade de taludes e aos desastres associados a movimentos de massa. Nos morros do Recife-PE, esse cenário é agravado pela elevada densidade populacional e pela presença de solos da Formação Barreiras, que apresentam alta suscetibilidade à ocorrência de escorregamentos, principalmente em períodos de chuvas intensas. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo mapear o grau de perigo a escorregamentos em cinco áreas do município do Recife, utilizando métodos multicritério, com destaque para o Processo Analítico Hierárquico (AHP), aliado ao uso de geotecnologias em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG). A metodologia envolveu levantamentos de campo, análise dos fatores condicionantes do perigo e definição de pesos por meio do método AHP. Verificou-se maior influência dos fatores geomorfológicos e das intervenções antrópicas na configuração do perigo, destacando-se a elevada declividade, a presença de cortes irregulares e a remoção da cobertura vegetal. Os valores do Índice de Perigo (IP) variaram aproximadamente entre 5,45% e 11,24% nas áreas analisadas, evidenciando predominância de setores classificados com graus de perigo médio a alto, com destaque para as Áreas 03, 04 e 05, onde foram identificadas condições locais de maior criticidade. Na análise de estabilidade realizada na Área 05, os setores 02 e 03 apresentaram fatores de segurança inferiores ao recomendado. Esses resultados evidenciam a forte influência das condições de saturação na redução da resistência ao cisalhamento dos solos. Conclui-se que a metodologia adotada foi eficaz na identificação de áreas críticas, evidenciando que o perigo a escorregamentos está diretamente relacionado à ocupação inadequada das encostas e à atuação de fatores antrópicos, reforçando a necessidade de ações de planejamento urbano.