ESTUDO DA INFLUÊNCIA DO CAMPO MAGNÉTICO NA PRODUÇÃO DE BIOGÁS
Bioestimulação Magnética; Digestão Anaeróbia; Fermentação Alcoólica; Resíduos Sólidos Orgânicos.
A transição para fontes de energia renovável e a gestão sustentável de resíduos sólidos urbanos (RSU) são pilares estratégicos para a mitigação das mudanças climáticas. No Brasil, projeta-se um incremento superior a 50% na geração de RSU até 2050, com a fração orgânica representando a maior parcela desse volume. Nesse contexto, a digestão anaeróbia (DA) consolida-se como uma rota tecnológica promissora para a valorização energética da biomassa via produção de biogás. Este estudo objetivou avaliar a influência da exposição contínua a campos magnéticos (CM) constantes na biodegradação de resíduos sólidos orgânicos (RSO). Para tanto, foram utilizados resíduos alimentares (RA) do Restaurante Universitário da UFPE como substrato e lodo anaeróbio da ETE Janga como inóculo. O aparato experimental consistiu em dois sistemas de magnetização baseados em ímãs permanentes e eletroímãs. Os resultados da fermentação alcoólica indicaram que a aplicação do CM promoveu um aumento médio de 27% na produção de etanol e um consumo de açúcares 54% superior em meio contendo sacarose. Contudo, nos ensaios de Potencial Bioquímico de Metano (BMP), a elevada carga orgânica dos RA resultou em um prolongamento da fase lag da metanogênese. Adicionalmente, observou-se uma inibição na produção de biogás nos reatores expostos ao CM. Conclui-se que, embora o campo magnético apresente potencial para otimizar processos bioquímicos, sua eficácia é estritamente dependente da sua intensidade, do equilíbrio dos parâmetros operacionais e da carga orgânica do sistema.