CARACTERIZAÇÃO E MODELAGEM DAS PROPRIEDADES PETROFÍSICAS E GEOMECÂNICAS DO HOST ROCK EM UMA ZONA DE FALHA NA BACIA DO RIO DO PEIXE, NORDESTE DO BRASIL
Host rock; Espaçamento de bandas de deformação; Bandas de deformação; Zona de dano de falha; Propriedades petrofísicas; Modelagem.
Zonas de dano de falhas desenvolvidas em arenitos porosos são comumente compartimentalizadas por bandas de deformação cataclásticas, estruturas que modificam fortemente o fluxo de fluidos e o comportamento mecânico da rocha. Embora as propriedades hidráulicas das próprias bandas de deformação estejam bem estabelecidas na literatura, o host rock situado entre bandas adjacentes é comumente tratada como um meio homogêneo, apesar de representar a maior parte do volume da zona de dano. Neste trabalho, investiga-se se o espaçamento das bandas de deformação exerce um controle de primeira ordem sobre as propriedades petrofísicas e geomecânicas desse host rock deformado. Foram integrados mapeamento estrutural a partir de imagens de veículo aéreo não tripulado (VANT), análise de linha de varredura (scanline), medições in situ de permeabilidade, análise digital de imagens de seções delgadas, cálculo da resistência à compressão uniaxial (UCS) a partir do martelo de Schmidt, e modelagem geocelular tridimensional, ao longo da zona de dano da Falha Malta, Bacia do Rio do Peixe, nordeste do Brasil. Os resultados revelam relações sistemáticas entre o espaçamento das bandas de deformação e as propriedades do host rock. A permeabilidade média aumenta exponencialmente de 17,6 para 438,3 mD (R² = 0,9933), a porosidade aumenta de 2 para 9% (R² = 0,9683), e o diâmetro médio de poro aumenta de 27,6 para 50,2 μm (R² = 0,9861) à medida que o espaçamento aumenta. O UCS calculado também aumenta sistematicamente em direção às classes de maior espaçamento, indicando que as propriedades mecânicas acompanham o mesmo gradiente estrutural observado para os atributos petrofísicos. A incorporação dessas relações empíricas em um modelo tridimensional de fácies de falha demonstra que o host rock é caracterizado por um gradiente espacial contínuo, em vez de domínios homogêneos representados por valores médios únicos. Esses resultados demonstram que o espaçamento das bandas de deformação é um preditor quantitativo robusto da heterogeneidade do host rock e fornecem um arcabouço para uma representação mais realista de zonas de dano de falhas em modelos de reservatórios siliciclásticos.