Cultivo sustentável de manjericão com subprodutos do tratamento de esgoto e biochar: produtividade, composição do óleo essencial e segurança frente a tensoativos
Reúso agrícola; Bioinsumos; Micropoluentes orgânicos; Adsorção no solo, Sustentabilidade hídrica
Na agricultura, água e fertilizantes são insumos importantes que influenciam diretamente a produtividade e o rendimento dos cultivos. Entretanto, os frequentes episódios de seca observados no Brasil e no mundo, aliados ao aumento dos custos e à instabilidade na oferta de fertilizantes minerais, têm levado os produtores a buscar alternativas que atendam à demanda agrícola. Diante disso, os subprodutos do tratamento do esgoto e o biochar são destaques como fontes alternativas de água e nutrientes para a agricultura. Todavia, esses insumos podem conter micropoluentes orgânicos, como o alquilbenzeno linear sulfonado (LAS), cuja dinâmica em sistemas agrícolas e seus possíveis efeitos agronômicos ainda demandam investigação. Assim, este trabalho propõe utilizar efluente tratado, lodo seco e biochar, produzido coma partir do lodo de esgoto, no cultivo de manjericão (Ocimum basilicum L.), e avaliar os efeitos sobre o seu desenvolvimento morfofisiológico e a produtividade, bem como a composição dos óleos essenciais da planta. Adicionalmente, busca-se identificar e quantificar o LAS ao longo das etapas experimentais, analisando sua influência no sistema de plantio. O experimento será conduzido em estufa localizada no Campus do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE-CAA), em Caruaru - PE, em delineamento experimental em blocos casualizados, com 10 tratamentos e 3 repetições cada, totalizando 30 unidades experimentais. Os tratamentos combinam dois tipos de água de irrigação (água de abastecimento e efluente tratado) e diferentes fontes de adubação, incluindo fertilização mineral, lodo seco e biochar produzido a 400 e 600 °C. Ao final do experimento, espera-se que o cultivo do manjericão com efluente tratado, lodo seco e biochar melhore as características morfofisiológicas das plantas, bem como a produção, o rendimento e a composição química do óleo essencial extraído do tecido. Espera-se, ainda, que a aplicação de lodo seco e biochar contribua para a melhoria da fertilidade do solo e para a redução da mobilidade e da biodisponibilidade do LAS, com acúmulo predominante no solo e baixa translocação pelos tecidos aéreos das plantas, sem prejuízo dos compostos majoritários do óleo essencial.