Análise da demanda aérea internacional nos aeroportos do nordeste: tendências, fatores determinantes e perspectivas de crescimento
Transporte aéreo internacional; Demanda reprimida; Área de captação; Modelagem de séries temporais; Aviação regional; Nordeste do Brasil
A conectividade aérea internacional do Nordeste brasileiro permanece subutilizada frente ao seu potencial geográfico, resultado da histórica concentração dos fluxos internacionais nos hubs do Sudeste do país. Esta dissertação teve como objetivo avaliar a viabilidade de implantação de voos internacionais diretos a partir dos aeroportos de Recife, Fortaleza e Salvador, identificando a demanda reprimida e desviada por conexões no Sudeste e propondo a alocação mais eficiente dessas operações. A pesquisa baseou-se em microdados de Origem e Destino da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), referentes ao período de janeiro de 2019 a dezembro de 2024 (excluídos os anos de pandemia de 2020-2021), e adotou uma abordagem em três etapas: caracterização do cenário do transporte aéreo internacional no Brasil e no Nordeste; delimitação das áreas de captação dos três aeroportos-hub selecionados; e modelagem estatística da demanda futura por meio de modelos de regressão Binomial Negativa, ajustados para 40 combinações origem-destino-aeroporto, contemplando dez mercados internacionais e um cenário agregado para o total do Nordeste. Os resultados confirmam a concentração estrutural dos fluxos internacionais fora do Nordeste — região que responde por 32,7% do tráfego aéreo nacional, mas capta apenas 6,9% da chegada de turistas internacionais ao país por via aérea — e identificam que a captação de demanda do interior nordestino ocorre majoritariamente por acesso rodoviário aos três hubs regionais, e não por conexão aérea doméstica. Das 40 combinações modeladas, 35 (87,5%) atingiram adequação estatística satisfatória; Portugal e Estados Unidos apresentam a evidência mais consistente para operação direta a partir dos três aeroportos, a Argentina desponta como mercado subexplorado sem rota direta atual apesar de demanda comparável, e sete destinos tornam-se operacionalmente robustos sob um cenário de consolidação da demanda regional em um único aeroporto-âncora com aeronave de fuselagem larga. A demanda projetada para a China, embora estatisticamente sólida, não sustenta rota direta dedicada em razão do alcance operacional insuficiente da frota de referência considerada, sendo mais adequadamente tratada como tráfego de conexão. Conclui-se que a demanda hoje reprimida ou desviada é suficiente para sustentar a implantação de voos diretos internacionais a partir do Nordeste em parte relevante dos mercados analisados, de forma heterogênea entre destinos e aeroportos de origem, oferecendo subsídio técnico para decisões de companhias aéreas e para políticas públicas de conectividade regional.