ANÁLISE DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DA INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA UTILIZANDO MÉTODOS QUANTITATIVOS
Eficiência energética, Aeroportos concedidos, métodos econométricos.
Esta dissertação investiga os determinantes da eficiência energética em aeroportos brasileiros concedidos utilizando dados de 58 aeroportos referentes ao ano de 2024. Foram empregadas três abordagens econométricas: regressão linear por mínimos quadrados ordinários (OLS), regressão quantílica e modelo de regressão com termos de interação. A variável dependente é a eficiência energética por passageiro, medida como a razão entre passageiros-quilômetro transportados (RPK) e consumo de combustível. As variáveis independentes incluem fator de ocupação (load factor), distância média voada, área do terminal de passageiros e número de saídas rápidas de pista. Os resultados revelam que o fator de ocupação é o principal determinante da eficiência energética, com efeito robusto aos três modelos. Entretanto, a magnitude deste efeito varia substancialmente: aeroportos de baixa eficiência apresentam ganhos 2,5 vezes superiores aos aeroportos eficientes, revelando padrão de retornos decrescentes. O modelo com termos de interação demonstra que a infraestrutura operacional modera o efeito da ocupação sobre a eficiência: saídas rápidas de pista amplificam os ganhos em aeroportos com alta ocupação, mas apresentam efeito negativo quando a ocupação é baixa, evidenciando que infraestrutura sem utilização adequada pode reduzir eficiência ao invés de melhorá-la. Os achados indicam que políticas devem priorizar aeroportos de baixa eficiência, onde o retorno marginal de políticas de ocupação é maior, e aeroportos com rotas curtas, que apresentam maior sensibilidade a variações na ocupação. Investimentos em infraestrutura operacional devem ser condicionados ao nível de ocupação atual, sendo recomendados apenas para aeroportos com taxas de ocupação superiores entre 75 e 80%. Abordagens padronizadas do tipo "one-size-fits-all" são inadequadas dada a heterogeneidade observada. A principal contribuição científica é demonstrar que efeitos de infraestrutura sobre eficiência são predominantemente condicionais, não diretos, fornecendo base empírica para políticas públicas diferenciadas voltadas à sustentabilidade do setor aeroportuário brasileiro.