SÍNTESE DE FILMES DE CELULOSE BACTERIANA/POLIANILINA PARA APLICAÇÃO EM EMBALAGEM INTELIGENTE
Biossensor; Celulose Bacteriana; Síntese Alternativa; Polianilina; Embalagem Inteligente.
A celulose bacteriana (BC) é um biopolímero que pode ser obtido de fontes renováveis. É biocompatível, poroso e possui boas propriedades mecânicas. Muitas pesquisas têm se concentrado no uso de BC para aplicações biomédicas, embalagens de alimentos, purificação de água, blendas condutoras. Dentre os polímeros condutores, a polianilina (PAni) tem ganhado destaque devido à sua boa condutividade elétrica, boa estabilidade química e facilidade de síntese, porém, apresenta baixa solubilidade e baixa resistência mecânica. Portanto, a combinação das propriedades do PAni em uma matriz BC resulta em um filme polimérico, flexível, poroso e condutor. Neste trabalho foi utilizada uma nova rota de preparação de blendas condutoras à base de polianilina e celulose bacteriana, obtida pelo método convencional (meio de cultura Hestrin-Schramm) e um método alternativo (meio de cultura Salino). Foram comparados e avaliados através das análises estrutural, morfologia e condutividade pelo método de impedância. Os filmes de BC-PAni foram posteriormente avaliados como sensores de vapor de amônia, liberado durante a deterioração do peixe em condições ambientais. Os resultados de MEV, UV-Vis, FTIR, DRX e Raman, indicam que estas blendas têm características estruturais, de acordo com a literatura. Os filmes obtidos com tempo de polimerização mais curto (5 minutos) apresentaram maior condutividade após a dopagem (7,70 × 10⁻⁴ e 2,38 × 10⁻3 S cm⁻¹) comparados aos produzidos em meio de Hestrin-Schramm e salino, respectivamente. Os filmes têm boa reversibilidade e estabilidade, tanto nas propriedades ópticas quanto nas elétricas dos filmes, uma característica essencial para sensores reutilizáveis. A variação de cor dos filmes ao longo de um período de 6 dias, indicou mudança de verde (correspondente à forma de sal esmeraldina do PAni) para azul (base esmeraldina), conforme o peixe se deteriorava. Dessa forma, esses materiais são promissores para sensoriamento de aminas como etiquetas colorimétricas de baixo custo para monitorar o frescor de peixe em embalagens inteligentes.