ANÁLISE COMPARATIVA E INTEGRADA SOBRE AS PROPRIEDADES QUÍMICAS, ESTRUTURAIS E TÉRMICAS DAS ARGAMASSAS CONVENCIONAL, INDUSTRIALIZADA E ESTABILIZADA.
Argamassas; cimento portland ; microestruturas.
As argamassas constituem materiais amplamente empregados na construção civil, desempenhando papel fundamental em funções estruturais e não estruturais, como assentamento de alvenarias, revestimentos, regularização de superfícies e proteção dos elementos construtivos. A preocupação em relação ao consumo e ao rejeito produzido na produção das argamassas têm trazido cada vez mais possibilidades ao processo e à constiuição da mesma. Dada a importância do tema , o estudo se justifica pela necessidade de um entendimento detalhado das propriedades químicas e microestruturais dos três tipos de argamassas de cimento Portland utilizadas em revestimentos: convencional, industrializada e estabilizada, a fim de otimizar sua escolha e aplicação em diferentes contextos construtivos. Foram produzidos corpos de prova cilíndricos e prismáticos das três tipologias de argamassa, respeitando as prescrições normativas e recomendações técnicas aplicáveis, com cura de 28 dias. As amostras foram caracterizadas por técnicas físico-químicas e microestruturais, incluindo espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR), análise termogravimétrica (TG/DTA), microscopia eletrônica de varredura com espectroscopia por energia dispersiva (MEV/EDS), difração de raios X (DRX) e fluorescência de raios X (FRX). Os resultados foram correlacionados com os processos de hidratação do cimento Portland, consumo de portlandita, formação de silicatos de cálcio hidratados (C-S-H) e reações de carbonatação. Os resultados indicam que, embora todas as argamassas apresentem os produtos típicos de sistemas cimentícios, existem diferenças significativas no grau de hidratação, na quantidade relativa de portlandita, na formação e estabilidade do C-S-H e no avanço da carbonatação. As argamassas industrializadas demonstraram maior uniformidade microestrutural e maior desenvolvimento de fases hidratadas, enquanto as argamassas estabilizadas apresentaram comportamento distinto em função da presença de aditivos estabilizadores de hidratação. As argamassas convencionais mostraram maior variabilidade, associada às condições de preparo e à ausência de controle tecnológico rigoroso. a integração das técnicas de caracterização permite uma compreensão aprofundada do comportamento químico e microestrutural das argamassas de revestimento, evidenciando a influência direta do processo produtivo sobre suas propriedades. Os resultados obtidos contribuem para a escolha mais criteriosa do tipo de argamassa em função do desempenho esperado, além de fornecer subsídios técnicos para o desenvolvimento de argamassas com melhor desempenho, durabilidade e potencial sustentável.