Memória em risco: efeitos da exposição à luz na degradação de diferentes tipos de papel: um estudo experimental
Preservação de documentos. Conservação preventiva. Degradação de papéis. Exposição a luz.
Investiga os efeitos da exposição à luz solar, LED branca e de LED amarela sobre papéis de algodão, sulfite, jornal e uma folha de guarda de jornal datada do século XX, e sua relação com a preservação de documentos. A pesquisa teve o caráter quali quantitativo, quanto aos meios foi um estudo exploratório e pesquisa bibliográfica e quanto aos fins foi uma pesquisa descritiva. Utilizou o método experimental e como técnica de coleta de dados a observação. O tempo total de exposição foi de 14 meses compreendendo as datas de 31/03/2025 a 31/05/2026. As amostras foram submetidas a uma análise em escala macroscópica (inspeção visual) seguida de caracterização em escala microscópica (microscopia óptica). Entre as condições analisadas, a exposição à luz solar apresentou os efeitos mais severos, provocando amarelecimento acentuado, oxidação, ressecamento, fragmentação das fibras. As fontes artificiais de iluminação mostraram potencial degradante inferior ao da luz solar. A luz LED branca provocou alterações moderadas, caracterizadas principalmente por oxidação localizada em alguns materiais. Já a luz LED amarela apresentou os menores níveis de degradação observados durante o período experimental, com alterações predominantemente microscópicas e pouco perceptíveis em escala macroscópica. O papel jornal revelou-se o material mais vulnerável à oxidação e ao amarelecimento, enquanto a folha de guarda histórica apresentou intensa degradação física, manifestada por ressecamento, perda de flexibilidade e fragmentação estrutural. O papel algodão demonstrou maior estabilidade frente ao envelhecimento induzido pela luz, mantendo características visuais mais próximas às do grupo de controle. O papel sulfite, embora menos suscetível ao amarelecimento, apresentou maior predisposição ao desenvolvimento de colônias fúngicas. Considera-se que os resultados obtidos reforçam a importância da conservação preventiva como estratégia fundamental para a salvaguarda dos acervos documentais. O controle da exposição luminosa, associado ao monitoramento da temperatura, da umidade relativa do ar e das condições de armazenamento, constitui uma medida indispensável para retardar os processos de degradação e ampliar a longevidade dos suportes de memória.