Entre rastros, memórias e travessias: mulheres negras trabalhadoras como sujeitas do conhecimento entre Pernambuco e Angola
mulheres negras trabalhadoras; sujeito do conhecimento; memória; oralidade; afrocentricidade; Ciência da Informação.
Esta pesquisa reconhece as mulheres negras trabalhadoras, aquelas que atuam fora dos circuitos letrados, como sujeitas do conhecimento, e não como objeto de estudo. Ancorada na afrocentricidade (Asante, 2016), na concepção espiralar do tempo (Martins, 2021), na noção de diáspora e de identidade cultural como processo (Hall, 2003) e no pensamento feminista negro e decolonial (Ribeiro, 2017; Collins, 2019; Kilomba, 2019), a investigação parte de um rastro informacional, o registro de Sebastiana Maria de Jesus, trisavó da autora, para voltar-se a um universo mais amplo de mulheres negras trabalhadoras situadas entre Pernambuco e Angola. Tem como objetivo geral compreender como essas mulheres produzem e mobilizam conhecimentos e memórias em seus contextos de atuação, analisando os processos de circulação, preservação e transmissão de saberes construídos em suas experiências cotidianas. Metodologicamente, articula pesquisa documental e arquivística, que recupera trajetórias femininas negras entre os séculos XVII e XIX, e entrevistas realizadas no tempo presente com marisqueiras, lavadeiras, vendedoras e zungueiras dos dois territórios, somadas à observação e ao registro em campo, sob uma perspectiva afrocentrada que converte a escuta em critério de leitura da própria produção do campo. Recorre, ainda, à fabulação crítica (Hartman, 2020) diante do silêncio dos arquivos e à escrevivência (Evaristo, 2020) diante da fala das entrevistadas. Espera-se demonstrar que essas mulheres produzem, preservam e transmitem saberes legítimos por meio do trabalho, da oralidade e das redes comunitárias, contribuindo para a ampliação dos sujeitos reconhecidos como produtores de informação e conhecimento no campo da Ciência da Informação.