Memórias póstumas do Recife Velho: o que contam os lugares assombrados sobre uma cidade fantasma
Representações sociais; Imaginário; Narrativas; Memória coletiva.
O passado do Recife foi assinalado pelo aspecto de ter sido tocado por distintas sugestões sobrenaturais, sobretudo por fantasmas que para os recifenses do século XIX e XX eram tão realidade quanto os outros fatos do cotidiano. Essa crença no sobrenatural foi motivo para o surgimento de um corpo de narrativas de ficções, mitos e lendas que constituem o imaginário do lugar, como suportes para o recifense narrar sobre si enquanto sociedade dotada de realidades históricas e fictícias. Diante disso, a pesquisa tem como objetivo investigar como as representações sociais nas narrativas do imaginário recifense, manifestadas em documentos literários, se inscrevem na memória coletiva do local. O estudo apresenta fins exploratórios, abordagem qualitativa e meios bibliográficos e documentais. O percurso metodológico se iniciou com a pesquisa bibliográfica, que consistiu na pesquisa em bases de dados, com 22 itens relevantes, e na busca nos catálogos de bibliotecas, que teve 37 materiais com relevância, o que soma 59 documentos resultantes da pesquisa bibliográfica. O trabalho bibliográfico correspondeu a sistematização de uma bibliografia sobre narrativas do imaginário recifense, com 135 itens arranjados, a partir da coleta de dados e por outros meios, caracterizada como enumerativa, regional, seletiva, exaustiva e analítica, especializada e nacional especializada. Por fim, no terceiro procedimento, será realizada uma análise de conteúdo fundamentada na teoria das representações sociais, de 16 capítulos distribuídos em 4 livros distintos, os quais contemplam as seguintes lendas: A Galega de Santo Amaro, A Perna Cabeluda, A Velhinha da Caxangá, Cruz do Patrão, O Lobisomem, O Papa-Figo e O Boca de Ouro. O possível resultado é a caracterização das sete lendas com aspectos informativos, cognitivos, ideológicos, normativos, de crenças, valores, atitudes, opiniões, preconceitos e imagens, de modo que elas possam ser designadas como parte da memória coletiva do local.