COMPORTAMENTO INFORMACIONAL EM OBSERVATÓRIOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO: DIRETRIZES PARA CONSUMO, ENGAJAMENTO E FIDELIZAÇÃO
biodiversidade; comportamento informacional; engajamento do usuário; observatório centrado no usuário; usuários de informação.
Observatórios de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) voltados à biodiversidade têm se consolidado como estruturas estratégicas para a gestão de informações ambientais, mas a mera disponibilização de dados não garante o engajamento e a fidelização dos usuários. Diante deste cenário, esta pesquisa buscou responder o seguinte problema de pesquisa: como observatórios de CT&I dedicados à preservação e conservação da biodiversidade estruturam suas informações e serviços para influenciar o comportamento informacional e, por meio de atributos de engajamento, promover o consumo, o reengajamento e a fidelização de seus usuários? O objetivo geral foi analisar como observatórios de CT&I dedicados à preservação e conservação da biodiversidade estruturam suas informações e serviços para influenciar o comportamento informacional e, por meio de atributos de engajamento, promover o consumo, o reengajamento e a fidelização de seus usuários. Os objetivos específicos foram: a) mapear observatórios de CT&I em âmbito nacional e internacional voltados para o monitoramento da biodiversidade; b) investigar como esses observatórios estruturam e apresentam seus produtos informacionais para facilitar o consumo e o uso por diferentes perfis de usuários; c) identificar as estratégias de design e comunicação empregadas por esses observatórios que favorecem os atributos de engajamento e a fidelização de seus usuários; e d) propor um conjunto de diretrizes conceituais para observatórios de CT&I, baseadas nas melhores práticas identificadas e nos modelos teóricos de comportamento informacional, e engajamento do usuário, aplicáveis ao contexto da preservação da biodiversidade. A pesquisa, de natureza descritiva, em relação aos objetivos, bibliográfica e documental quanto aos meios, foi estruturada em três fases. Na Fase 1, mapearam-se e caracterizaram-se 12 observatórios. Na Fase 2, aplicaram-se dois protocolos de análise: o primeiro, investigou o consumo informacional; o segundo, examinou atributos de engajamento fidelização e estratégias de reengajamento. A Fase 3 avaliou a centralidade no usuário e propôs diretrizes. A coleta de dados foi realizada por observação sistemática dos sites dos observatórios, com análise de conteúdo. Os resultados mostraram que a maioria dos observatórios atende apenas aos estágios iniciais do processo de busca, negligenciando formulação e coleta. As barreiras interpessoais são amplamente desconsideradas, com predominância de formulários genéricos. Em engajamento, o National Ecological Observatory Network destacou-se como Muito Alto em todos os atributos, seguido pelo Global Biodiversity Information Facility e pelo Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira; comunicação bidirecional e reengajamento são os atributos mais ausentes. Com base nesses achados, propuseram-se dez diretrizes em três eixos: facilitação do consumo informacional, promoção do engajamento e design de estratégias de fidelização. Concluiu-se que um observatório centrado no usuário requer a articulação sistemática entre as dimensões cognitivas do comportamento informacional, os atributos experienciais do engajamento e as estratégias de fidelização. Essa integração constitui o alicerce para que tais estruturas promovam, de forma efetiva, o consumo, o reengajamento e a fidelização de seus usuários, contribuindo para a própria institucionalização do observatório.